Nenhum diretor de Batman fez isso com o Coringa em 61 anos. Matt Reeves pode ser o primeiro
Batman: Parte II tem estreia marcada para outubro de 2027 e já concentra uma decisão que nenhum filme do Batman tomou em seis décadas: manter o Coringa vivo na sequência.
A cena final de Batman (2022) foi perturbadora da maneira certa. Bruce Wayne visita o Asilo Arkham para interrogar o Coringa, interpretado por Barry Keoghan, e sai de lá claramente abalado. Era uma aparição breve, quase surreal, com o Coringa mais estranho e aterrorizante que o cinema produziu em décadas.
E agora Matt Reeves precisa decidir o que fazer com esse personagem. Porque Batman: Parte II está marcado para outubro de 2027, e tem 61 anos de tradição não escrita esperando para ser quebrada.
A regra que todo diretor respeitou sem nunca ter sido formalizada
Desde 1966, quando Cesar Romero pintou o bigode branco por cima e entrou para a história como o primeiro Coringa das telonas, nenhum filme de Batman colocou o personagem vivo em um segundo capítulo consecutivo da mesma série.
O Coringa de Jack Nicholson morreu no final de Batman (1989). Heath Ledger entregou uma das atuações mais lembradas da história dos filmes de super-heróis em Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008), mas o personagem simplesmente não aparece na conclusão da trilogia de Christopher Nolan. Cada vez que o Coringa chegou ao cinema lado a lado com o Batman, o relacionamento terminava junto com o filme.
Barry Keoghan é a exceção em potencial. Seu Coringa saiu vivo de Batman (2022). Está em Arkham, rindo baixinho, e o roteiro de Matt Reeves pode decidir que ele fica exatamente ali para sempre, ou que aparece novamente.
O que Matt Reeves já confirmou sobre o vilão principal
Aqui está o primeiro alívio para quem estava preocupado com o Coringa dominando mais uma vez: o vilão principal de Batman: Parte II não será ele.
Matt Reeves foi diretamente ao assunto e disse que o antagonista central da sequência será um personagem que “nunca foi feito direito no cinema antes.” Rumores apontam para o Mister Freeze - as equipes de produção teriam buscado locações com neve natural para o filme, o que alimentou as especulações sobre um vilão de gelo para dar ritmo às novas aventuras de Robert Pattinson.
Essa é a boa notícia. O Coringa dos últimos anos virou quase saturation point. Só nesta década já tivemos Joaquin Phoenix ganhando Oscar por um filme solo, Jared Leto no Esquadrão Suicida, e agora Barry Keoghan na Reeves-verse. Usar Keoghan como vilão central seria jogar lenha numa fogueira que já está alta demais.
Mas o personagem aparecer como figura de fundo, desenvolvendo sua relação sombria com Bruce Wayne? Essa é outra conversa.
O argumento para quebrar os 61 anos
Manter o Coringa de Keoghan presente na sequência, mesmo que em papel secundário, daria a Gotham uma camada que os filmes anteriores nunca construíram: continuidade orgânica de mundo.
Batman vive numa cidade onde os criminosos existem entre um filme e outro. A ideia de que o Coringa fica trancado em Arkham, crescendo em loucura, tornando-se progressivamente mais perigoso enquanto a história principal acontece do lado de fora - isso tem potencial cinematográfico enorme. É o tipo de construção que Batman (2022) prometeu no primeiro filme sem precisar de uma cena de crédito pós-cena.
Keoghan é jovem, e sua caracterização foi tão diferente de tudo que veio antes que jogar isso fora parece desperdício.
O argumento para respeitar a tradição
Do outro lado, existe um valor real na contenção. O Coringa funciona melhor quando aparece pouco. Batman: O Cavaleiro das Trevas é perfeito em parte porque Heath Ledger é imprevisível até para o espectador, e essa imprevisibilidade só funciona quando o personagem não está constantemente presente.
Se Keoghan aparecer em cada filme da trilogia, o mistério começa a morrer. O monstro mais assustador é o que você imagina, não o que aparece o tempo todo na tela.
O elenco que está tomando forma
O que é fato: Batman: Parte II tem um elenco impressionante se formando. Robert Pattinson volta como Bruce Wayne, Colin Farrell retorna como o Pinguim, Andy Serkis continua como Alfred, e Jeffrey Wright como Jim Gordon. Scarlett Johansson foi confirmada para um papel misterioso que ainda não foi revelado, e Sebastian Stan se junta à produção.
Lançamento previsto para 1º de outubro de 2027.
Com esse elenco e com Matt Reeves no comando de uma segunda história que promete ir para territórios que o Batman nunca explorou no cinema, o filme já tem tudo para ser um dos blockbusters mais aguardados dos próximos anos.
A questão do Coringa vai ser respondida nos próximos meses, conforme as filmagens avançam. Mas se Matt Reeves decidir quebrá-la, essa tradição de 61 anos vai acabar da melhor maneira possível: com Barry Keoghan sorrindo de volta para Robert Pattinson através do vidro de Arkham.
Beatriz Almeida
Cinema é entretenimento, e eu tô aqui pra diversão
Redatora de entretenimento e cultura pop. Cobre blockbusters e tendências do audiovisual.
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