A Pixar colocou uma garota dentro de um castor robô e isso pode ser o melhor filme deles em anos
Cara de Um, Focinho de Outro estreia com 96% no Rotten Tomatoes e projeção de US$88 milhões na abertura global.
Cara de Um, Focinho de Outro chega aos cinemas brasileiros hoje, 5 de março, um dia antes da estreia americana, e traz a Pixar de volta ao que ela faz de melhor: contar uma história absurda com tanto coração que você esquece que está assistindo a uma garota presa dentro de um castor robô. O filme marca 96% de aprovação no Rotten Tomatoes, a maior nota do estúdio em sete anos, e as projeções de bilheteria apontam para uma abertura global de US$88 milhões - a melhor pra um filme original da Pixar desde Viva: A Vida é uma Festa, lá em 2017.
Se a Pixar estava precisando provar que ainda sabe fazer mágica sem depender de sequências, esse é o filme.
A premissa mais maluca que a Pixar já inventou
Mabel tem 19 anos e ama animais. Quando ela descobre uma tecnologia experimental que permite transferir a consciência humana pra um animal robótico - “saltar”, como o filme chama -, ela não pensa duas vezes. Salta pra dentro de um castor mecânico ultrarrealista e mergulha no mundo animal.
O que começa como aventura científica vira missão de resgate. Mabel descobre que o prefeito Jerry Generazzo, um político de sorriso fácil e boas intenções duvidosas, planeja construir uma rodovia que vai destruir o habitat da floresta inteira. Com a ajuda do Rei George, um castor líder carismático, Mabel precisa unir o reino animal pra enfrentar a ameaça.
É Pixar sendo Pixar: a premissa parece de desenho de sábado de manhã, mas a execução transforma tudo em algo que funciona pra crianças e adultos ao mesmo tempo.
O elenco que dá vida aos bichos
O filme original em inglês traz Piper Curda como Mabel, e ela entrega exatamente o que a personagem precisa: energia, coragem e aquela vulnerabilidade que te faz torcer. Bobby Moynihan como Rei George rouba cada cena em que aparece - o timing cômico do cara é cirúrgico. Jon Hamm faz o prefeito vilão com aquele charme de quem vende qualquer coisa, e Meryl Streep aparece como a Rainha dos Insetos, porque claro que Meryl Streep está num filme da Pixar. Dave Franco, Kathy Najimy e um elenco enorme completam o reino animal.

Na dublagem brasileira, Manuela Macedo dá voz a Mabel, Nestor Chiesse interpreta o prefeito Generazzo e Renata Sorrah dubla a Rainha dos Insetos. A escolha de Renata Sorrah é perfeita: ela tem aquela autoridade na voz que transforma qualquer fala em decreto real.
A direção que surpreendeu todo mundo
Daniel Chong, criador da série animada Ursos sem Curso, assina a direção do seu primeiro longa-metragem. E acertou em cheio. A crítica do Salada de Cinema destaca o ritmo “desenfreado” do filme, que não deixa o espectador respirar durante os 105 minutos de duração. A paleta visual alterna entre o mundo tecnológico - limpo, metálico, artificial - e a floresta orgânica, cheia de textura e vida. O contraste reforça o conflito central sem precisar de diálogo explicando.
Mark Mothersbaugh, famoso pela trilha dos filmes de Wes Anderson e da série Rugrats, assina a composição musical. É a primeira vez que ele trabalha com a Pixar, e a escolha faz sentido: Mothersbaugh tem aquele talento pra criar trilhas que parecem brincadeira mas carregam emoção de verdade.
Bilheteria: a Pixar precisa desse filme
Os números projetados pelo Deadline apontam US$88 milhões na abertura global, com algo entre US$40 e US$50 milhões só nos Estados Unidos. Se confirmar, vai ser a melhor estreia de um filme original da Pixar desde Viva: A Vida é uma Festa, em 2017.
E a Pixar precisa disso. Os últimos anos foram turbulentos: Elemental tropeçou na estreia com US$29 milhões domésticos antes de recuperar fôlego no boca a boca, e tanto Soul quanto Luca foram mandados direto pro Disney+ durante a pandemia, sem chance de brilhar nos cinemas. Divertida Mente 2 dominou em 2024, mas era sequência. O estúdio precisava provar que consegue lançar algo novo e convencer o público a sair de casa.
Com 96% no Rotten Tomatoes, Cara de Um, Focinho de Outro empata com clássicos como Monstros S.A. e Ratatouille em aprovação da crítica. Pra comparação, Elemental fechou com 73% e Elio com 83%.
A mensagem ambiental que não vira sermão
O filme fala sobre preservação ambiental. Isso é óbvio desde o trailer. Mas o que diferencia a abordagem da Pixar é que a mensagem nunca engole a história. A motivação de Mabel é pessoal - ela ama aqueles animais, ela está ali dentro, literalmente vivendo como um deles. A rodovia não é uma ameaça abstrata sobre “o meio ambiente”. É uma ameaça concreta à família que ela construiu na floresta.
É o tipo de filme que vai fazer uma criança de sete anos pensar em castores pelo resto da semana e um adulto de trinta se perguntar por que ficou com os olhos molhados assistindo um bicho de pelúcia robótico discursar sobre pertencimento.
Vale o ingresso?
Se você gosta de Pixar, não tem discussão: vai ao cinema. Se você acha que a Pixar perdeu a mão nos últimos anos, esse é exatamente o filme pra te reconquistar. E se você não sabe nada sobre o filme e está escolhendo o que assistir neste fim de semana, confie nos 96% do Rotten Tomatoes e nos 105 minutos que passam voando.
A previsão de chegada ao Disney+ é pra junho de 2026, cerca de três meses após a estreia nos cinemas. Mas esse é o tipo de filme que ganha muito na tela grande. A floresta da Pixar merece mais do que a tela do celular.
Beatriz Almeida
Cinema é entretenimento, e eu tô aqui pra diversão
Redatora de entretenimento e cultura pop. Cobre blockbusters e tendências do audiovisual.
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