A Apple apresenta o iOS 27 amanhã, e o iPhone usado mais vendido do Brasil ficou fora da lista

iOS 27 chega na WWDC desta segunda (8), 14h de Brasília: Siri com Gemini, foco em desempenho e o corte do iPhone 11, o usado mais vendido do Brasil.

Lucas Ferreira
Lucas Ferreira Gamer desde o PS1, cético desde sempre
7 de junho de 2026 5 min
Logo da WWDC 2026 da Apple com elementos de vidro colorido
!!

Amanhã (8), às 14h de Brasília, a Apple abre a WWDC 2026 e apresenta o iOS 27. A lista de novidades vazou quase inteira, como sempre, e tem Siri reconstruída, foco em desempenho e uma penca de ajuste fino. Mas o dado que interessa ao bolso brasileiro está na lista de cortes: o iPhone 11, o usado mais vendido do Brasil por dois anos seguidos, fica sem a atualização. O iPhone SE de segunda geração também.

O corte que afeta diretamente o mercado brasileiro

Pelo vazamento publicado pelo MacRumors, o iOS 27 exige no mínimo o chip A14, ou seja, do iPhone 12 pra cima. Ficam de fora o iPhone 11, 11 Pro, 11 Pro Max e o SE de 2ª geração, todos rodando o A13. Sobram 22 modelos compatíveis, do iPhone 12 ao 17.

Nos Estados Unidos, isso é nota de rodapé. No Brasil, é notícia de capa: o levantamento da Trocafone divulgado pelo Tecnoblog mostra que o iPhone 11, lançado em 2019, é o celular usado mais vendido do país pelo segundo ano consecutivo, e que 6 dos 10 mais vendidos da lista são iPhone, com o iPhone 12 logo atrás do 11, em segundo. Traduzindo: o modelo cortado é exatamente o que o brasileiro mais compra quando quer entrar no mundo Apple sem vender um rim.

Na prática, quem tem um 11 não vai ver o aparelho morrer na segunda-feira. O sistema continua funcionando e a Apple costuma soltar correções de segurança pra versões antigas por mais um bom tempo. O que fecha é a porta dos recursos novos, e o relógio da segurança começa a contar. Se você ia comprar um 11 usado nas próximas semanas, vale repensar: o iPhone 12, que herda a vaga de porta de entrada, é o novo piso da linha com futuro.

A Siri nova (de novo), agora com cérebro alugado do Google

A estrela do anúncio deve ser a Siri reconstruída, e aqui o ceticismo é obrigatório, porque é a segunda vez em três anos que a Apple promete uma Siri nova no palco. A diferença é que agora ela terceirizou o problema: a assistente vai rodar em cima dos modelos Gemini, do Google, o mesmo Gemini que apareceu no Chrome via download silencioso no mês passado. A empresa que construiu a imagem de fazer tudo em casa vai responder suas perguntas com motor do concorrente.

O pacote da assistente inclui visual novo morando na Dynamic Island, um aplicativo próprio de chatbot no estilo ChatGPT, memória de conversas e sugestões proativas, tipo avisar do trânsito antes do compromisso da agenda. Tem até uma busca por IA pra competir com Perplexity. No papel, bonito. No detalhe, um aviso: segundo o 9to5Mac, os recursos novos da Siri podem estrear trancados numa lista de espera. Você paga o iPhone no preço que a Apple cobra no Brasil e entra na fila pra usar a função que justificou o anúncio. E se a Siri nova vai falar português decente já no lançamento, ninguém disse: o histórico da Apple Intelligence por aqui recomenda esperar sentado.

Tem mais uma pegadinha de hardware nessa história. Instalar o iOS 27 num iPhone 12 você pode; usar a parte de inteligência artificial que a Apple vai mostrar no palco, não. A Apple Intelligence segue exigindo iPhone 15 Pro pra cima, com chip A17 Pro e 8 GB de RAM. O sistema é pra 22 modelos, o show é pra meia dúzia.

O resto do pacote: menos firula, mais conserto

Fora a Siri, o tom do iOS 27 é de arrumação de casa. A reportagem do Mark Gurman, da Bloomberg, descreve engenheiros vasculhando o sistema atrás de bug e gordura pra cortar, com melhoria de bateria como meta declarada. Depois do ano de vidro líquido e redesign, um ano de conserto é a notícia mais honesta que a Apple podia dar. Do que vazou, o que importa:

  • Notificações: passam a deslizar da lateral esquerda, em vez de descer do topo.
  • Câmera: interface personalizável com sistema de widgets, e a Visual Intelligence lendo rótulo nutricional e dados de contato apontando a lente.
  • Fotos: três edições por IA (estender a imagem além da borda, melhorar luz e cor automaticamente, e mudar a perspectiva de fotos espaciais) e um “Limpar” mais esperto pra apagar intruso de foto.
  • Carteira: transformar cartão físico de academia e afins em passe digital, e dividir conta fotografando o recibo e mandando cobrança via Apple Cash, recurso que segue inútil por aqui enquanto o Apple Cash não existir no Brasil.
  • Teclado, Clima, Safari e Buscar: retoques visuais espalhados, incluindo painel de chuva e vento no Clima.
  • Suporte ao iPhone dobrável: o sistema já chega otimizado pra tela interna de 7,8 polegadas do primeiro dobrável da Apple, com dois apps lado a lado.

O cronograma é o de sempre: beta pra desenvolvedor amanhã mesmo, beta público em julho e lançamento geral em setembro, junto dos iPhones novos.

No fim das contas, um iOS focado em bateria e estabilidade vale mais pra vida real que qualquer assistente reinventada, e é por isso que a parte menos sexy do anúncio é a mais promissora. A pergunta que fica pra amanhã é outra: a Apple vai subir no palco e admitir que a Siri nova tem motor do Google, ou vai gastar vinte minutos de keynote pra não pronunciar a palavra Gemini?

Lucas Ferreira
AUTOR

Lucas Ferreira

Gamer desde o PS1, cético desde sempre

Jornalista de tecnologia e games. Cobre a indústria tech e gaming há mais de 10 anos.

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