A autora de 29 livros esperou décadas por essa adaptação. Quando viu, disse que ficou melhor que os próprios livros.
Scarpetta estreia dia 11 de março no Prime Video com Nicole Kidman e Jamie Lee Curtis. Patricia Cornwell diz que a série superou seus livros.
Scarpetta estreia no Prime Video nesta terça-feira, 11 de março, e se você gosta de thriller com gente competente fazendo coisas horríveis em nome da justiça, essa série tem tudo pra virar sua próxima obsessão. Nicole Kidman interpreta a Dra. Kay Scarpetta, uma médica legista que volta à profissão depois de anos afastada e descobre que o caso que definiu sua carreira pode ser o mesmo que vai destruí-la.
A série é baseada nos livros de Patricia Cornwell, que escreveu 29 romances sobre a personagem. Vinte e nove. E mesmo assim, nenhum deles tinha virado filme ou série até agora. Opções de adaptação existiram ao longo dos anos, mas nenhuma vingou. Essa é a primeira vez que Kay Scarpetta sai do papel e vai pra tela.
O elenco que faz a gente parar de rolar o feed
Nicole Kidman como a protagonista já seria suficiente pra chamar atenção. Mas a escalação que realmente causou barulho foi a de Jamie Lee Curtis como Dorothy, irmã da Scarpetta. As duas produzem a série juntas e, segundo o Hollywood Reporter, quiseram puxar a narrativa pra um tom mais próximo do horror do que do drama policial convencional.

O elenco de apoio não fica atrás. Bobby Cannavale vive o detetive Pete Marino, Simon Baker é o profiler do FBI Benton Wesley, e Ariana DeBose interpreta Lucy, sobrinha da protagonista. A série trabalha com duas linhas temporais - o presente e os anos 90 -, então tem um segundo elenco inteiro pra versão jovem dos personagens, com Rosy McEwen como a Scarpetta do passado e Jake Cannavale (filho do Bobby) como o Marino jovem.
No comando criativo está Liz Sarnoff, que trabalhou em Barry e Lost. A produção é da Blumhouse Television, aquela mesma produtora que faz basicamente metade dos filmes de terror que você já assistiu nos últimos dez anos.
A reação da autora que ninguém esperava
A parte mais surpreendente de tudo isso veio de Patricia Cornwell. Quando uma autora passa décadas vendo seus livros serem opcionados sem nunca chegar às telas, a expectativa normal seria de cautela. Ou de ciúme.
Cornwell foi na direção oposta. Em entrevista ao Parade, ela disse que as mudanças feitas pela série em relação aos livros ficaram “melhores do que o que eu fiz”. As palavras exatas: “Não existem palavras, na verdade, pra descrever o quão inacreditável isso é pra mim. Está além dos meus sonhos mais loucos.”
Isso não é pouca coisa. Autores raramente elogiam adaptações que mudam o material original. Stephen King e suas relações complicadas com Hollywood estão aí pra provar. Quando a criadora do material diz que a versão audiovisual superou o livro, ou ela está sendo extremamente generosa ou a série é genuinamente boa. Torço pela segunda opção.
O que esperar da primeira temporada
São 8 episódios na primeira temporada. A trama se divide entre o passado e o presente: nos anos 90, acompanhamos Scarpetta construindo sua reputação como médica legista chefe, e no presente, ela volta à cidade natal pra investigar um assassinato que parece conectado ao caso que a consagrou 28 anos antes.
A premissa lembra séries como True Detective na estrutura de linhas temporais cruzadas, mas com o diferencial de ter a ciência forense como motor da investigação, não apenas como cenário. Se o trailer indica alguma coisa, o tom é mais denso e sombrio do que a gente costuma ver em procedurais da Amazon, que até agora apostava pesado em ação pura com Reacher e Jack Ryan.
A série já foi renovada para uma segunda temporada antes mesmo de estrear. Quando a Amazon renova sem esperar a audiência, é porque viu algo nos números internos ou na qualidade do material. Ou os dois.
Por que vale ficar de olho
Scarpetta chega no Brasil no mesmo dia do lançamento global, 11 de março, pelo Prime Video. Pra quem já assina, não precisa pagar nada a mais. E se quiser entrar no clima antes da estreia, o primeiro livro da série está por menos de dez reais na Amazon - livro físico, não é Kindle. E o timing é interessante: a semana de estreia coincide com o Oscar no domingo, 15 de março, então o catálogo de streaming vai estar disputando atenção com a temporada de premiações.
O que me anima em Scarpetta é a combinação de peças. Uma protagonista feminina complexa num gênero dominado por detetives homens durões. Uma autora com quase 30 livros de material de referência. Um elenco absurdo. E uma produtora que entende de tensão psicológica. Se a Blumhouse consegue fazer horror funcionar com orçamento de cinema B, imagina o que faz com o orçamento do Prime Video e Nicole Kidman na frente.
Terça-feira vai ser longa. No bom sentido.
Yumi Rodrigues
Já vi tudo, ainda acho que tem série boa pra descobrir
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