A Anthropic pode valer mais do que seis Petrobras - e tem investidor tentando dar US$ 5 bilhões sem ter conseguido falar com o CFO
A Anthropic pode captar US$ 50 bilhões com valuation de US$ 900 bilhões, mais que a OpenAI. A receita triplicou em 4 meses e o Brasil é o 3º maior mercado.
Esse detalhe está enterrado numa reportagem do TechCrunch publicada ontem.
Um fundo institucional - nome não revelado - tinha US$ 5 bilhões prontos pra comprometer numa nova rodada da Anthropic. O problema: ainda não tinha conseguido uma agenda com Krishna Rao, o diretor financeiro da empresa. A proposta foi pra mesa assim mesmo.
Isso não é entusiasmo com IA. Isso é dinheiro com medo de ficar de fora.
A Anthropic não estava pedindo dinheiro
O detalhe que diferencia essa história de uma captação comum: as ofertas são preemptivas. Ninguém chamou os investidores. Eles apareceram com cheque na mão.
A empresa está avaliando captar entre US$ 40 e US$ 50 bilhões a um valuation de US$ 850 bilhões a US$ 900 bilhões. Valuation é o valor que os investidores atribuem à empresa numa rodada de captação - não necessariamente o que ela vale no mercado aberto, mas o que o dinheiro na mesa concorda em pagar naquele momento.
Em fevereiro de 2026, a Anthropic fechou uma rodada de US$ 30 bilhões com valuation de US$ 380 bilhões. Três meses depois, o número proposto é de US$ 900 bilhões - quase sete vezes o valor de mercado da Petrobras. Pra comparar: a OpenAI fechou uma rodada de US$ 122 bilhões em março - avaliada em US$ 852 bilhões - o maior round de startup já registrado. Se a Anthropic confirmar a nova rodada, ultrapassa a rival e se torna a startup de capital fechado com maior valuation da história.
A decisão vai pra reunião de conselho em maio. Pode ser a última rodada privada antes de um IPO.
Por que os números tornam esse valuation defensável
A Anthropic anunciou este mês que sua receita anualizada superou US$ 30 bilhões. No final de 2025, eram US$ 9 bilhões. Em menos de quatro meses, a receita triplicou. Fontes próximas à empresa indicam que o número real está mais perto de US$ 40 bilhões.
O motor desse crescimento é o Claude Code - uma ferramenta de programação assistida por IA que compete com o GitHub Copilot da Microsoft. Times de desenvolvimento ao redor do mundo adotaram a ferramenta como padrão, e ela virou a maior fonte de receita da empresa.
O número de clientes corporativos pagando mais de US$ 1 milhão por ano dobrou de 500 para mais de mil empresas em apenas dois meses.
Não é hype sem produto. É receita crescendo em ritmo que justifica o interesse - mesmo o de quem ainda não conseguiu reunião com o CFO.
O Brasil está no terceiro lugar
O Brasil é o terceiro maior mercado do Claude no mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Índia. A empresa contratou Marcelo Alvarenga, executivo brasileiro com passagem por Qualcomm e Amdocs, pra liderar a expansão comercial na região. O escritório em São Paulo deve abrir ainda em 2026, disputando território diretamente com a OpenAI, que também está consolidando presença local.
A gente falou aqui sobre como o dinheiro da IA está mudando até o mercado imobiliário californiano - mansões negociadas em ações da Anthropic quando a empresa valia US$ 380 bilhões. Com o valuation potencial de US$ 900 bilhões, esse artigo envelheceu rápido.
Pra quem usa o Claude no Brasil: você faz parte do motivo pelo qual esses números existem.
O que ninguém consegue responder com certeza
O crescimento é real. A receita é concreta. Os clientes são verificáveis.
A dúvida fica em outro lugar: valuation de empresa privada existe numa câmara de eco. Todo mundo na rodada concorda que aquele número faz sentido - e o número existe enquanto o consenso existe. Quando a Anthropic abrir capital, os mercados públicos vão precificar a empresa sem esse filtro. Múltiplos de receita, perspectiva de lucro real, comparação com concorrentes que têm balanço auditado.
Pode confirmar. Pode afundar.
Dario Amodei e outros ex-OpenAI fundaram a Anthropic em 2021 em meio a divergências sobre como desenvolver IA com segurança. Cinco anos depois, a empresa que eles criaram pode se tornar a startup mais valiosa da história sem nunca ter aberto o capital.
O fundo com US$ 5 bilhões ainda está esperando a agenda com o CFO.
Lucas Ferreira
Gamer desde o PS1, cético desde sempre
Jornalista de tecnologia e games. Cobre a indústria tech e gaming há mais de 10 anos.
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