Com 90 mil jogadores e caindo, a Embark reduziu Arc Raiders para duas grandes atualizações por ano
A Embark Studios anunciou que Arc Raiders passará de atualizações mensais para dois grandes updates por ano. A próxima entrega, Frozen Trail, chega em outubro com o maior mapa do jogo.
A Embark Studios confirmou o que parte da comunidade já suspeitava: o ciclo mensal de atualizações de Arc Raiders acabou. A partir de agora, o jogo vai receber apenas duas grandes atualizações por ano, com a primeira delas - Frozen Trail - programada para outubro de 2026.
A mudança foi anunciada em comunicado oficial do estúdio, com a justificativa de que o ritmo mensal “não é sustentável” e “limita o quanto cada atualização pode impactar o jogo”. Segundo a Embark, algumas melhorias de progressão que a equipe quer implementar “simplesmente precisam de mais tempo de desenvolvimento do que conseguimos com o ciclo mensal”.
Arc Raiders perdeu quase 80% dos jogadores desde janeiro
O anúncio chega num momento complicado.
Arc Raiders atingiu quase 482 mil jogadores simultâneos no Steam em novembro de 2025, no pico do lançamento. No início de 2026, a base ainda estava em 428 mil. Em meados de abril, havia caído para cerca de 90 mil - queda de quase 80% em quatro meses.
A pressão sobre o estúdio já vinha de outras direções antes deste comunicado. Em abril, o fundador do Escape from Tarkov chamou Arc Raiders de “jogo para casuais” numa entrevista, ao que a Embark respondeu com dados de vendas e prêmios conquistados. O anúncio de duas atualizações por ano vai na direção contrária da narrativa de força que o estúdio vinha construindo.
A leitura imediata de parte da comunidade foi óbvia: se o estúdio não conseguia entregar conteúdo suficiente em ciclo mensal, reduzir para dois updates anuais com a base em queda livre é o tipo de decisão que precisa de execução impecável para funcionar como argumento de confiança.
Por que a Embark está reduzindo o ritmo

O comunicado não esconde que a temporada anterior, Riven Tides, gerou insatisfação. O texto reconhece explicitamente que “progressão e objetivos dos jogadores são importantes para a experiência” - um aceno direto às críticas de quem se sentiu sem conteúdo suficiente para continuar.
A proposta é trocar frequência por substância. Em vez de atualizações mensais menores, o plano é entregar pacotes maiores que realmente mudem como o jogo funciona, com mais tempo para refinar sistemas de progressão, remodelagem de mecânicas e expansões significativas de conteúdo.
No intervalo entre os grandes lançamentos, a Embark promete manter conteúdo circulando: correções de bugs, balanceamento, um novo Trader exclusivo para jogadores acima do nível 25 com recompensas únicas rotativas, dois novos Perks (incluindo expansão de Estoque e Cofre de Expedição) e cosméticos semanais.
Frozen Trail, em outubro, vai precisar provar o argumento
A primeira entrega do novo modelo carrega todas as apostas do estúdio. Segundo a Embark, Frozen Trail será a maior atualização desde o lançamento do jogo.
A lista de promessas inclui o maior mapa já criado para Arc Raiders, novos inimigos ARC com comportamentos inéditos, revisão completa do sistema de habilidades, melhorias na Árvore de Habilidades, novas armas e cosméticos, e progressão narrativa explorando as origens dos ARCs.
Um review no Steam sintetiza bem o humor atual da comunidade: “O jogo era bom, mas as atualizações eram medianas”. A queixa nunca foi só sobre frequência - era sobre substância. Duas grandes atualizações por ano vão precisar entregar uma substância que doze updates mensais não conseguiram.
Cinco meses é muito tempo para uma base em queda
No Brasil, Arc Raiders atraiu uma das comunidades mais ativas do gênero. O extraction shooter - estilo em que o jogador entra em zonas de conflito, coleta recursos e precisa extrair com vida - conquistou público fiel aqui, especialmente entre jogadores que queriam a intensidade do Tarkov sem a curva de aprendizado punitiva.
Esse público, acostumado ao ritmo de live services com entregas frequentes, vai precisar de uma razão concreta para ficar ativo até outubro.
Cinco meses é tempo suficiente para uma comunidade já em queda decidir que migrou de vez.
Frozen Trail vai precisar ser mais do que o maior mapa já criado. Vai precisar ser grande o suficiente para convencer quem ficou - e talvez trazer de volta parte de quem já foi embora.
Carla Mendes
Cobrindo esports desde 2018
Cobrindo cenário competitivo de esports desde 2018. Acompanha torneios e equipes profissionais.
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