Uma baiana de 21 anos é campeã mundial de Candy Crush e voltou de Londres com R$ 2,5 milhões
Luana, 21 anos, foi a única brasileira na final do Candy Crush All Stars 2026 em Londres e levou US$ 500 mil, cerca de R$ 2,5 milhões.
Senta que tem história boa. Uma estudante de artes de 21 anos, baiana, subiu num palco em Londres neste mês de junho, encarou outros nove finalistas vindos de mais de 25 países e fez o que ninguém aposta num jogo que mora na tela de bloqueio do celular: ganhou tudo. Luana é a nova campeã mundial de Candy Crush, e voltou pra casa com US$ 500 mil no bolso, coisa de R$ 2,5 milhões na conversão de hoje.
Não é pegadinha. A King, dona do jogo e hoje uma subsidiária da Microsoft, montou o Candy Crush All Stars 2026: meses de classificatórias online, milhões de jogadores brigando por vaga, e só os dez melhores do mundo embarcando para a final presencial em Londres. A premiação total foi de US$ 1 milhão, e a fatia gorda, os tais US$ 500 mil, ficou com a única brasileira da disputa.
Meses de classificatória, dez finalistas, um palco em Londres
Para chegar lá, Luana passou por cima de gente dos Estados Unidos, da Espanha, da Alemanha e de Portugal. Na final, os dez encararam as fases mais cruéis que o jogo tem pra oferecer, daquelas que fazem qualquer um desinstalar o app de raiva. Quem combinava os docinhos mais rápido e com mais cabeça avançava. Luana foi a última de pé.
Além do cheque, ela ganhou um troféu meio fora da curva: um anel sob medida feito pela joalheria Icebox, cravejado de safiras, rubis, esmeraldas e safiras rosa, com um domo azul girando no centro imitando o famoso “doce embrulhado” do jogo e o nome Candy Crush Saga gravado em ouro. É o tipo de joia que a gente vê na mão de campeão da NBA. Só que o esporte foi combinar bala colorida.
O estigma do jogo de celular e por que Luana o derrubou
E esse é justamente o ponto que vale discutir. Tem gente que já está torcendo o nariz e chamando tudo de joguinho de tia no busão. Eu entendo a reação, mas não compro. Candy Crush é um match-3, aquele esquema de alinhar três ou mais peças iguais pra elas estourarem, e parece bobo até você tentar zerar as fases avançadas. O jogo tem mais de uma década de estrada (saiu em 2012), centenas de milhões de jogadores e um teto de habilidade muito mais alto do que o público casual imagina.
Botar isso num campeonato com narração, plateia e palco é a mesma jogada que o xadrez, o pôquer e o Tetris já fizeram antes. O que muda é o estigma. Match-3 carrega a fama de passatempo de quem está matando tempo na fila do banco, e ver uma brasileira furar essa bolha e faturar R$ 2,5 milhões é a melhor resposta pra quem ainda acha que competição de verdade só existe em jogo de tiro ou no League of Legends da vida. Dinheiro de campeão não escolhe gênero.
Luana resumiu bem o que aquilo significou pra ela. “Comecei a jogar Candy Crush um tempo atrás, era só uma coisa que eu amava fazer, um jogo que sempre deixava os pequenos momentos mais divertidos”, contou. “Nunca imaginei que um dia ele ia me levar pra um palco ao vivo em Londres, competindo contra os melhores jogadores do mundo.” Ela disse também que sempre sonhou em disputar um torneio profissional de verdade, com narrador, adversário do outro lado e plateia gritando. Realizou o sonho combinando doce na tela.
No Brasil, a história viralizou rápido, e dá pra entender por quê. Ela junta duas coisas que o brasileiro ama: dinheiro inesperado e a gente batendo gringo em casa cheia. A reação ficou dividida entre o espanto de quem não sabia que dava pra ganhar meio milhão de dólares assim e o orgulho puro de ver uma baiana de 21 anos no topo do mundo num jogo que praticamente todo mundo já abriu pelo menos uma vez. E R$ 2,5 milhões num torneio só não é troco nem pelo padrão do esports tradicional.
Se a King vai transformar isso numa franquia anual, com circuito, ranking e tudo que campeonato de respeito tem, ainda não dá pra cravar. Mas o recado ficou dado: o próximo prodígio do competitivo brasileiro pode estar agora mesmo no busão, combinando doce no celular, sem fazer ideia de que aquilo um dia pode valer meio milhão de dólares.
Carla Mendes
Cobrindo esports desde 2018
Cobrindo cenário competitivo de esports desde 2018. Acompanha torneios e equipes profissionais.
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