Euphoria voltou depois de quatro anos e a crítica não perdoou: a pior nota da história da série
Euphoria temporada 3 estreia com 56% no Rotten Tomatoes. A Zendaya salva, mas Sam Levinson perdeu o rumo.
Gente. Euphoria temporada 3 estreia no domingo (12 de abril) e as reviews caíram ontem. 56% no Rotten Tomatoes. Pra comparar: a primeira temporada tem 80%. A segunda, 78%. Essa é a pior nota da série e, tecnicamente, o pior projeto da Zendaya desde Malcolm & Marie, lá em 2021. Quatro anos de espera pra isso.
O embargo caiu e a reação foi quase unânime: a série está bonita, a Zendaya está incrível, e Sam Levinson não sabe mais o que quer contar.
O que aconteceu nesses quatro anos
Euphoria saiu do ar em fevereiro de 2022. De lá pra cá, tudo que podia dar errado deu. Angus Cloud, o Fez, morreu em julho de 2023 com 25 anos. Eric Dane, o Cal Jacobs, filmou todas as cenas dele antes de falecer de ELA (esclerose lateral amiotrófica, a doença que paralisa os músculos progressivamente) em fevereiro de 2026. A temporada é dedicada aos dois.


E o Labrinth, compositor que ganhou Emmy pela trilha, simplesmente detonou tudo no Instagram em março: “cansei dessa indústria, que se dane Euphoria, vazei”. Aparentemente a HBO trouxe Hans Zimmer como co-compositor sem avisar direito. O post foi apagado, mas o estrago ficou.
Sam Levinson já confirmou que não tem planos pra uma quarta temporada. Então é isso. Essa é a despedida.
O salto de cinco anos
A temporada faz um pulo de cinco anos. Os personagens saíram do ensino médio e estão na casa dos vinte e poucos. A Rue está no México, devendo pra um traficante. Cassie e Nate casaram e moram no subúrbio. Jules está numa escola de arte. Maddy trabalha numa agência de talentos em Hollywood. Lexi virou assistente de uma showrunner vivida pela Sharon Stone.
E é aqui que a maioria dos críticos aponta o problema: Euphoria era sobre a brutalidade de ser adolescente. A confusão, a descoberta, o desespero de não saber quem você é. Com os personagens adultos, essa urgência sumiu. O Ben Travers, da IndieWire, chamou a temporada de “espiritualmente oca” com personagens “languidamente estagnados”. O TV Guide foi mais direto: “ela não é suficiente pra salvar a série da irrelevância”. A Collider resumiu que “a maioria dos personagens não aprendeu nada, e Euphoria também não”.
A Variety descreveu como “fan fiction de si mesma”. O The Wrap, depois de três episódios, escreveu que “quatro anos de espera não fazem um caso forte pra explicar por que Euphoria voltou”. Um crítico comparou o tom com “Breaking Bad encontra Looney Tunes”. Ninguém sabia se era pra rir ou ficar preocupado.

Mas a Zendaya…
Aqui é onde todo mundo concorda. Todas as reviews, até as mais negativas, param pra dizer que a Zendaya está entregando tudo. A Collider diz que ela “te lembra instantaneamente por que ganhou dois Emmys por esse papel”. A SlashFilm chama de “uma das performances mais finas da televisão”. O Hollywood Reporter diz que ela “voa” mesmo com material irregular.
Tem uma cena específica que vários críticos citam, sem dar spoiler, em que dá pra sentir a adrenalina correndo enquanto a Rue ri e chora ao mesmo tempo. A Zendaya fez Challengers (95% no RT), Dune 2 (93%), e poderia estar fazendo qualquer coisa no mundo. E mesmo assim está aqui, dando o máximo pra um roteiro que a maioria dos críticos acha que não merece o esforço dela.
A Alexa Demie também foi destaque. A Collider diz que “a temporada 3 é da Maddy”, chamando a presença dela de magnética. Sydney Sweeney entra com uma subtrama da Cassie no OnlyFans que dividiu os fãs antes mesmo da estreia. O trailer já tinha gerado reações entre “isso é nojento” e “faz sentido pra personagem”.
Vale assistir?
28 atores novos entraram no elenco. 18 voltaram. Fez não aparece, mas Levinson disse que o personagem “continua vivo no universo de Euphoria”, ou seja, não vão matar ele fora de tela. A temporada tem 8 episódios com lançamento semanal e termina em 31 de maio.
No Brasil, Euphoria estreia no domingo na Max. A série sempre foi enorme aqui. Os memes, as trends de maquiagem, a trilha do Labrinth em todo canto. A espera de quatro anos só aumentou a expectativa. E o problema de expectativa é que quando ela é grande demais, 56% no Rotten Tomatoes dói o dobro.
A verdade é que ninguém vai deixar de assistir. Não por causa do roteiro. Por causa da Zendaya. Pelo Fez que não vai estar lá. Pela Maddy. Pelo ritual de ligar a HBO no domingo e sentir alguma coisa, mesmo que a série não saiba mais o que quer te fazer sentir.
Euphoria voltou. Mas talvez devesse ter se despedido antes.
Yumi Rodrigues
Já vi tudo, ainda acho que tem série boa pra descobrir
Especialista em séries de TV e plataformas de streaming. Analisa lançamentos e tendências.
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