Nicolas Cage recusou ser o Green Goblin em 2002. Agora protagoniza Spider-Noir, a versão mais estranha do Homem-Aranha no streaming

Em 2002, Nicolas Cage recusou o Green Goblin por medo de estereótipo. 24 anos depois, estrela Spider-Noir com 91% no Rotten Tomatoes, no Prime Video a partir de 27 de maio.

Beatriz Almeida
Beatriz Almeida Cinema é entretenimento, e eu tô aqui pra diversão
24 de maio de 2026 5 min
Nicolas Cage caracterizado como Ben Reilly em cena de Spider-Noir, série da Prime Video ambientada na Nova York dos anos 1930 em preto e branco
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Em 2002, Nicolas Cage recebeu uma proposta para entrar no universo do Homem-Aranha como vilão: ser Norman Osborn, o Green Goblin, no primeiro grande filme de Sam Raimi. Ele disse não. Tinha medo de ficar preso num tipo de personagem para o resto da carreira.

O papel foi para Willem Dafoe. O resto é história do cinema de super-herói.

Vinte e quatro anos depois, Cage não é o vilão. É o herói. E Spider-Noir, que estreia no Prime Video Brasil em 27 de maio de 2026, é a série mais inesperada que o universo do Homem-Aranha produziu nos últimos anos.

O não que deixou dois personagens melhores

Cage falou sobre a recusa recentemente, com Spider-Noir já nas telas. “Para mim, foi a decisão certa naquele momento.” O que ele estava evitando era ser identificado para sempre como vilão de filme de super-herói, um tipo de papel que consome ator quando não é bem gerenciado.

Ao recusar, abriu espaço para Dafoe construir uma das melhores performances do gênero: aquele Norman Osborn com dois rostos, literalmente, que voltou em No Way Home (2021) porque ninguém mais conseguiria estar naquele papel. Cage foi direto para Adaptation, o filme de Charlie Kaufman e Spike Jonze que recebeu aclamação crítica e rendeu indicações importantes.

A ironia que ele não podia prever em 2002: o caminho que começou na recusa do vilão terminou numa série de Homem-Aranha mesmo assim. Só que como protagonista. Com o nome do personagem no título.

Ben Reilly, investigador particular, Nova York 1933

Spider-Noir se passa no meio da Grande Depressão. Ben Reilly, o Homem-Aranha Noir, é um investigador particular experiente e azarado que opera em Nova York dos anos 1930. Não está no auge da forma: é o único super-herói da cidade, carregando um passado pesado, forçado a lidar com uma tragédia recente que vai virar tudo de cabeça para baixo.

A premissa é completamente diferente de qualquer coisa que o MCU padrão entrega. Não há multiverso, não há batalhas contra deuses da guerra. Há Manhattan de 1933, crime organizado, sombras longas, e um herói em modo de sobrevivência.

Isso se reflete até na decisão de lançar a série em duas versões: preto e branco e colorida. O Prime Video vai disponibilizar as duas. A versão em P&B é a experiência pensada pela produção; a colorida existe para quem prefere. O nível de comprometimento com a estética do período é raro para uma produção de streaming.

São 8 episódios. O elenco ao redor de Cage inclui Li Jun Li, Brendan Gleeson, Lamorne Morris e Jack Huston.

O time de Into the Spider-Verse de volta

Quem assina a produção é Phil Lord, Christopher Miller e Amy Pascal - as mesmas pessoas por trás de Into the Spider-Verse (2018). O Oscar de melhor animação que aquele filme levou não foi acidente: Lord e Miller trataram a história de Miles Morales como cinema de verdade, não como produto de licenciamento, e a aposta funcionou da melhor forma possível.

O personagem existe nos quadrinhos desde 2009, sempre com a identidade visual em preto e branco que vai definir a série - um Homem-Aranha dos anos 30, violento e sombrio, que nunca coube no universo colorido do Peter Parker clássico.

Arte em preto e branco da HQ Spider-Man Noir, mostrando o personagem encapuzado em estilo noir dos anos 1930
Arte em preto e branco da HQ Spider-Man Noir, mostrando o personagem encapuzado em estilo noir dos anos 1930

A continuidade entre Spider-Verse e Noir não é coincidência. Nicolas Cage dublou o Homem-Aranha Noir em Into the Spider-Verse e fez participação em Across the Spider-Verse (2023). Quando o projeto live-action tomou forma, o salto foi natural. O personagem já era da voz de Cage; agora é da imagem inteira também.

Com 62 anos, Spider-Noir marca o primeiro papel principal de Cage em série de televisão. Há relatos de que ele havia considerado diminuir o ritmo antes de ler o roteiro. O que leu mudou os planos.

”70% Bogart, 30% Pernalonga”

Cage descreveu a performance em poucas palavras que resumem o projeto melhor do que qualquer sinopse. Foi buscar referência em Humphrey Bogart, James Cagney, Edward G. Robinson - os grandes nomes do cinema noir e do policial americano dos anos 30 e 40. Com uma dose de loucura cartunesca que só ele consegue integrar sem quebrar o tom.

É a combinação certa para um Homem-Aranha dos anos 30. O personagem precisa de peso dramático do período e de uma leveza estranha que lembre que ele ainda é um cara com poderes de aranha. Bogart e Pernalonga juntos faz mais sentido do que parece à primeira vista.

91% no Rotten Tomatoes antes de 27 de maio

Com 43 avaliações coletadas antes de ir ao ar, Spider-Noir marcou 91% no Rotten Tomatoes, com média de 7.6 de 10. Para uma série que aposta em personagem de nicho, período histórico dos anos 30 e tom completamente distante do MCU mainstream, esse número é forte.

Cage em modo ligado é boa televisão. Pig (2021) lembrou que ele ainda acessa registros de atuação que poucos atores conseguem; Renfield (2023) mostrou que o modo exagerado controlado ainda funciona quando o projeto suporta. Spider-Noir parece ser o tipo de trabalho que puxa os dois extremos ao mesmo tempo.

Nos EUA, a série estreou no MGM+ em 25 de maio. No Brasil e no resto do mundo, está no Prime Video a partir de 27 de maio.

Em 2002, Cage disse não para o vilão do Homem-Aranha. Dafoe fez o Green Goblin de um jeito que ninguém melhoraria. E Cage chegou ao universo do personagem 24 anos depois pela porta que ninguém esperava: como herói de uma série própria, com 91% na crítica, ambientada na Grande Depressão, em preto e branco.

A decisão de 2002 foi certa. A de 2026 parece que também vai ser.

Beatriz Almeida
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Beatriz Almeida

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Redatora de entretenimento e cultura pop. Cobre blockbusters e tendências do audiovisual.

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