Google vai cortar o armazenamento gratuito do Gmail de 15 GB para 5 GB
O Google confirmou que está testando limite de 5 GB para novas contas, uma queda de 67%, e exige número de telefone para restaurar os 15 GB originais.
Em maio de 2013, o Google fez uma daquelas jogadas que você não esquece: unificou o armazenamento do Gmail, Drive e Google+ Fotos em 15 gigabytes gratuitos para todo mundo. Era um número generoso e, desde então, ficou parado no mesmo lugar enquanto o custo de armazenamento despencava ano após ano.
Treze anos depois, a empresa está testando uma redução silenciosa. Novas contas do Google criadas em “regiões selecionadas” agora recebem apenas 5 GB de armazenamento por padrão - uma queda de 67%. Para recuperar os 15 GB originais, o usuário precisa vincular e verificar um número de telefone.
O Google confirmou a mudança: “Estamos testando uma nova política de armazenamento para novas contas criadas em regiões selecionadas que nos ajudará a continuar fornecendo um serviço de armazenamento de alta qualidade aos nossos usuários, enquanto incentiva os usuários a melhorar a segurança de suas contas e a recuperação de dados.”
Segurança e recuperação de dados. Essa é a explicação oficial.
Quanto tempo dura 5 GB na prática?
O armazenamento do Google não é só e-mail. É um espaço compartilhado entre Gmail, Drive, Google Fotos e, no Android, backups automáticos do WhatsApp e do sistema. Uma foto em alta resolução de um smartphone moderno ocupa entre 3 e 8 MB; um backup do WhatsApp com dois anos de histórico - incluindo mídias - pode facilmente passar de 2 GB.
Cinco gigabytes para um usuário que usa Gmail como e-mail principal, guarda documentos no Drive, sincroniza fotos e faz backup do celular some em semanas, não em anos. Depois disso, o Google apresenta os planos do Google One.
No Brasil, os preços são:
- 30 GB: R$ 4,50/mês (R$ 44,99/ano)
- 100 GB: R$ 9,99/mês (R$ 99,99/ano)
- 200 GB: R$ 14,99/mês (R$ 149,99/ano)
- 2 TB: R$ 49,99/mês (R$ 499,99/ano)
O plano mais barato custa R$ 44,99 por ano para ir de 5 GB para 30 GB. É pouco isolado. Mas não é zero - que era o que existia antes.
A desculpa de segurança não fecha
Vincular um número de telefone a uma conta Google é prática antiga e opcional. O que mudou é que agora essa vinculação tem uma consequência direta: sem telefone, o usuário fica com 10 GB a menos.
Chamar isso de “melhoria de segurança” enquanto o usuário perde dois terços do armazenamento gratuito não faz o argumento desaparecer.
A leitura mais honesta tem dois ângulos. O primeiro: contas sem telefone são fáceis de criar em massa, e spammers adoram 15 GB gratuitos por conta. Exigir verificação dificulta criação em lote de contas descartáveis. O segundo: 5 GB é insuficiente o suficiente para converter novos usuários em assinantes do Google One mais rápido do que 15 GB jamais faria.
Ambas as razões são comercialmente válidas. Nenhuma delas é “segurança”.
Vale notar que Microsoft e Apple já há anos oferecem apenas 5 GB gratuitos para novas contas - Outlook e iCloud começam nesse patamar desde muito antes. O Google estava sendo mais generoso do que o mercado. Agora está se alinhando.
Quem é afetado de verdade?
Contas existentes não mudam nada. Quem já tem uma conta Google mantém os 15 GB intactos.
A mudança atinge novos usuários nas regiões onde o teste está rodando. O Google não divulgou o mapa completo das regiões afetadas; os primeiros relatos vieram de usuários em partes da África. Esse tipo de teste costuma começar em mercados menores antes de expandir.
O movimento foi silencioso, como é hábito. As páginas de suporte do Google mudaram de “15 GB” para “até 15 GB” por volta de março de 2026, sem nenhum anúncio público - a mudança foi rastreada via Wayback Machine semanas antes de qualquer usuário perceber. Esse padrão de alterar primeiro e explicar depois quando a pressão aumentar aparece com frequência nas práticas do Google.
O que fazer agora?
Se você já tem conta Google, não precisa fazer nada. Seus 15 GB estão intactos.
Se vai criar uma conta nova e está numa região afetada, vincular o número de telefone resolve. O requisito não é absurdo para quem vai usar a conta de verdade - o problema é quando o armazenamento vira moeda de troca para dados pessoais que antes eram opcionais.
O ponto real não é o impacto imediato, que é pequeno. É o sinal. O Google está reduzindo o que considera “gratuito” enquanto o custo de armazenar dados nunca foi tão baixo na história. Armazenar na nuvem não ficou mais caro - ficou mais lucrativo para quem vende a assinatura.
O Google tem 1,8 bilhão de usuários do Gmail. Converter uma fração deles de plano gratuito para pago vale bilhões em receita recorrente.
É isso que o “serviço de alta qualidade” que a empresa promete manter vai custar.
Lucas Ferreira
Gamer desde o PS1, cético desde sempre
Jornalista de tecnologia e games. Cobre a indústria tech e gaming há mais de 10 anos.
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