GTA 6 já está em pré-venda no Brasil e custa de R$ 449,90 a R$ 549,90

A pré-venda do GTA 6 começou e o Brasil vai pagar R$ 449,90 na base e R$ 549,90 na Ultimate. Comparei com o dólar e com 2013 antes de reclamar.

Lucas Ferreira
Lucas Ferreira Gamer desde o PS1, cético desde sempre
26 de junho de 2026 6 min
Jason e Lucia, de GTA 6, usando bonés e camisetas temáticas de Vice City diante de um mural da cidade
!!

A pré-venda abriu na quinta-feira (25) e o número que todo mundo aqui queria saber finalmente saiu: o preço do GTA 6 no Brasil é R$ 449,90 na versão base. A Ultimate, a mais cara, custa R$ 549,90. Os dois valores valem pra PlayStation Store e Xbox Store, confirmou a CNN Brasil, e o jogo chega no dia 19 de novembro pra PS5, PS5 Pro e Xbox Series X e S.

R$ 449,90 por um jogo. Dá pra ouvir o grito coletivo daqui de casa. E eu entendo o grito. Mas antes de xingar a Rockstar, deixa eu abrir a calculadora, porque a história é mais interessante do que “jogo caro”.

Nos Estados Unidos, o GTA 6 sai por US$ 79,99 na versão padrão e US$ 99,99 na Ultimate. Faz a divisão comigo: R$ 449,90 sobre US$ 79,99 dá mais ou menos R$ 5,62 por dólar. A Ultimate, R$ 549,90 sobre US$ 99,99, dá R$ 5,50 por dólar.

Pra quem comprou hardware no Brasil nos últimos anos, esse número é quase um milagre. O de sempre é a “taxa gringo”: a empresa pega o preço em dólar, converte num câmbio de fantasia, empilha imposto por cima e o brasileiro acaba pagando o equivalente a dólar de R$ 8, R$ 9. Console é o exemplo clássico disso. Dessa vez a Rockstar basicamente fez a conversão pelo câmbio real e parou por aí. Caro, sim. Sangrado como de costume, não.

Onde dói é na comparação com 2013

O GTA V chegou ao Brasil em setembro de 2013 custando R$ 199, como noticiou a imprensa na época. Treze anos depois, a sequência sai por R$ 449,90. É 2,26 vezes mais caro. Parte disso é inflação e dólar acumulado, óbvio. Mas a indústria também decidiu que jogo grande agora custa US$ 70, depois US$ 80, e empurrou esse teto pra cima sem pedir licença. O GTA 6 é a Rockstar medindo até onde a gente aguenta pagar, e descobrindo que a gente aguenta.

E a Rockstar nem começou essa onda. O salto pra US$ 70 veio com a geração passada de consoles, outras publicadoras testaram os US$ 80 antes dela, e o GTA 6 só transformou o teto em chão. O problema pra gente é que, agora que o preço brasileiro acompanha o dólar de perto, ele sobe junto. Se a moeda disparar antes de novembro, nada impede a Rockstar de reajustar os R$ 449,90 pra cima até o lançamento. Quem trava o preço na pré-venda trava o câmbio de hoje, e isso por si só já é argumento pra comprar agora se você tem certeza que vai jogar.

Em abril, quando vazaram as primeiras estimativas, eu mesmo escrevi aqui que a Ultimate podia passar de R$ 650 no Brasil. Errei. Errei pra mais, o que não acontece com frequência quando o assunto é preço de jogo aqui. A Ultimate saiu R$ 100 abaixo do meu pior cenário. Anota a data, porque é raro eu dar o braço a torcer numa conversa sobre preço.

A Ultimate vale os R$ 100 a mais?

Essa é a pergunta que importa de verdade. Olha o que muda de uma versão pra outra.

A base, de R$ 449,90, vem com o jogo. Só o jogo. É isso.

A Ultimate, de R$ 549,90, adiciona um pacote quase todo voltado pro GTA Online:

  • Veículos exclusivos (um Grotti Cheetah 1995, um Shitzu Squalo e um Vapid Dominator Buggy 1967)
  • Armas personalizadas, roupas e tatuagens que ninguém mais tem
  • Duas lojas que só quem pagou a Ultimate acessa, a Rideout Customs e o salão da Sara

Reparou no padrão? Nada disso é conteúdo de campanha. É tudo enfeite pro modo online. Se você compra GTA pra jogar a história e seguir a vida, a Ultimate é R$ 100 jogados fora. Se você é do tipo que vai morar no GTA Online pelos próximos três anos, talvez os carrinhos exclusivos façam algum sentido. Pra quem está no meio do caminho, a versão base resolve.

Quem comprar qualquer edição na pré-venda, até 20 de novembro, leva o Pacote Vintage Vice City (itens que remetem à Vice City de 2002) e mais um mês grátis de GTA+, que é a assinatura paga ligada ao GTA Online. É a cenoura pra te fazer comprar agora em vez de esperar o lançamento. Funciona pra quem é fã? Quase sempre.

A “caixa física” que não tem disco

Tem um detalhe que merece atenção redobrada antes de você sair correndo pra loja. A versão física vendida na Amazon, Kabum e Nuuvem custa o mesmo preço da digital, mas não vem disco dentro da embalagem. Vem um código de download. Traduzindo: você paga R$ 449,90 por uma caixinha bonita com um papel dentro, sem nada que dê pra revender, emprestar pro amigo ou guardar na estante de verdade. Eu já falei disso quando o preço gringo foi anunciado, e continua valendo. Se é pra comprar sem disco, compra digital direto e para de fingir que aquilo é mídia física.

A única vantagem concreta da loja física brasileira é o parcelamento. Dá pra dividir os R$ 449,90 no cartão, coisa que a PSN e a Xbox Store nem sempre deixam fazer com folga. Pra muita gente por aqui, dividir em 10 vezes é o que decide se o jogo cabe no orçamento do mês ou não. É pouca gente que vai botar quase R$ 450 de uma vez só num jogo.

Então fica assim. R$ 449,90 é o valor mais alto que a Rockstar já cobrou de um brasileiro num lançamento, e é mais que o dobro do que o GTA V pediu em 2013. Mas é também, contra todo o meu instinto cético, um dos raros casos em que o preço daqui é só o dólar convertido, sem a facada de sempre. O jogo está caro porque jogo grande virou caro pra todo mundo no planeta, e dessa vez o brasileiro pagou só a conta do câmbio, sem o adicional de praxe.

Se você ia comprar de qualquer jeito, pega a base digital na pré-venda, garante o bônus, e guarda os R$ 100 da Ultimate pra outra coisa. De preferência, pra não gastar em shark card depois.

Lucas Ferreira
AUTOR

Lucas Ferreira

Gamer desde o PS1, cético desde sempre

Jornalista de tecnologia e games. Cobre a indústria tech e gaming há mais de 10 anos.

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