Um homem adulto dormiu escondido dentro de uma Best Buy para ser o primeiro a comprar cartas Pokémon no dia seguinte
Patrick Keys, 45 anos, se escondeu dentro de uma Best Buy em Pasadena e foi preso às 1h da manhã por invasão. O plano era comprar cartas Pokémon antes de qualquer um.
Os funcionários da Best Buy de Pasadena, na Califórnia, fecharam a loja no dia 28 de abril e foram pra casa sem saber que deixaram um passageiro clandestino.
Pouco depois de 1h da manhã do dia 29, câmeras monitoradas por funcionários do turno noturno flagraram Patrick Keys, 45 anos, escondido dentro da loja fechada. A polícia foi chamada, entrou com a ajuda de um funcionário e prendeu Keys.
Acusação: invasão de domicílio.
Não havia sinal de arrombamento. Nada foi encontrado com ele. Keys simplesmente não saiu quando a loja fechou na noite anterior.
O motivo: lançamento de cartas Pokémon na manhã seguinte.
Do lado de fora, fãs acampados esperavam a mesma coisa
Enquanto Keys aguardava no escuro, do lado de fora da Best Buy havia pessoas acampadas na calçada esperando o mesmo produto. A versão mais razoável do mesmo instinto.
Um dos fãs contou ao NBC Los Angeles: “Fui ao banheiro por uns 15 minutos. Quando voltei, tinha polícia em todo lugar.”
Keys não estava num grupo. Estava executando um plano solo: ficar escondido dentro da loja para garantir que seria o primeiro na fila quando abrisse. Sem dormir no asfalto, sem competir com ninguém. O que ele não calculou foi a câmera.
Por que alguém faz isso com cartas Pokémon
O Pokémon TCG é o jogo de cartas colecionáveis da franquia, onde cada expansão traz novos cards raros pra colecionar ou jogar competitivamente. Há anos ele virou terreno fértil pra escalpadores: pessoas que compram grandes quantidades de produto no preço oficial com a intenção única de revender por valores muito acima do original.
Um produto que vai às prateleiras de manhã pode estar esgotado antes do almoço. E pode aparecer em sites de revenda pelo dobro ou triplo ainda no mesmo dia.
O boom do Pokémon TCG durante a pandemia de 2021 explodiu o interesse e nunca voltou completamente ao normal. Celebridades viram colecionáveis como ativo financeiro. YouTubers construíram audiências em torno de aberturas de pacotes. O resultado é um mercado secundário de cartas raras que vale dinheiro de verdade.
No Brasil, o padrão se repete. Expansões novas nas lojas Freitas TCG, Meruru e MYP Cards somem em horas de lançamento. Nas plataformas de revenda, os mesmos produtos aparecem logo depois por valores salgados. Lá e aqui, é o mesmo jogo: quem chega primeiro leva, e a corrida começa antes da loja abrir.
Um histórico que não é engraçado
As histórias mais extremas do universo de escalpadores de cartas Pokémon já geraram notícia de crime várias vezes. Roubo à mão armada, golpes em vendas online, pessoas que abriram buracos em paredes de lojas para entrar antes da abertura. No mês passado, cobrimos um homem baleado no estacionamento de um supermercado nos Estados Unidos depois de uma discussão por uma máquina de cartas Pokémon.
Keys representa a versão mais pacífica do espectro. Sem arma, sem violência, sem roubo. O cara calculou que dormir dentro de uma Best Buy era mais eficiente do que dormir do lado de fora dela.
A lógica é estranha, mas tem coerência interna. O resultado, não.
A frase que mais circulou nos fóruns e redes sociais depois do caso foi direta: “escalpadores de Pokémon fazem de tudo, menos arrumar emprego.”
Patrick Keys, 45 anos, Pasadena. Preso antes de comprar uma carta sequer.
Carla Mendes
Cobrindo esports desde 2018
Cobrindo cenário competitivo de esports desde 2018. Acompanha torneios e equipes profissionais.
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