Seu Kindle vai perder acesso à loja da Amazon no dia 20. Existe uma saída.

No dia 20 de maio, 11 modelos de Kindle perdem acesso à loja da Amazon. A comunidade já tem jailbreak pronto - e um dos métodos usa o sistema de anúncios da empresa como porta de entrada.

Lucas Ferreira
Lucas Ferreira Gamer desde o PS1, cético desde sempre
16 de maio de 2026 5 min
Kindle Paperwhite aberto em uma mesa de madeira com interface de leitura visível
!!

No dia 20 de maio de 2026, 11 modelos de Kindle perdem acesso à loja da Amazon. Quem tem um Kindle Keyboard, um Paperwhite de primeira geração, um Kindle Touch ou qualquer outro aparelho lançado entre 2007 e 2012 vai acordar sem conseguir comprar, pegar emprestado ou baixar livros novos direto no dispositivo. A saída que a comunidade encontrou envolve jailbreak - e um dos métodos usa o próprio sistema de anúncios da Amazon como porta de entrada.

O que para de funcionar a partir de 20 de maio

A lista é longa. Os modelos afetados perdem:

  • Acesso à Kindle Store no dispositivo
  • Download ou compra de livros novos
  • Empréstimo de títulos pela biblioteca
  • Send to Kindle (envio de documentos para o aparelho)
  • Novas atualizações de firmware

O que sobrevive: os livros já baixados continuam acessíveis enquanto a conta existir e o aparelho não for restaurado de fábrica. Transferência por cabo USB segue funcionando - mas só para os formatos que esses aparelhos reconhecem nativamente: MOBI, AZW3 e PDF. EPUB, o formato padrão do mercado fora do ecossistema Amazon, não funciona. Desde 2022, o Send to Kindle aceitava envio de EPUB, mas a Amazon convertia o arquivo nos próprios servidores antes de entregar ao dispositivo. Com o fim do suporte, essa conversão também para. Quem quiser ler um EPUB sem jailbreak precisa converter manualmente com o Calibre antes de copiar via USB. Dá pra fazer, mas é uma etapa a mais que a maioria dos usuários não vai querer encarar.

A experiência vira a de um leitor limitado e offline - que é, convenhamos, uma degradação considerável para um aparelho que dependia da loja pra funcionar.

A Amazon justificou a decisão com “avanços tecnológicos recentes” e disse que menos de 3% dos usuários ainda operam esses modelos. O que a empresa não colocou no comunicado: os aparelhos mais antigos têm entre 14 e 19 anos de existência. Para comparação, Samsung e Google prometem 7 anos de suporte como grande diferencial em 2026. A Amazon entregou o dobro. Esse crédito existe. Não resolve o problema de quem ainda usa esses aparelhos e não quer comprar um novo, mas existe.

O jailbreak com ironia embutida

A comunidade de modders não esperou o dia 20. Dois métodos circulam atualmente:

  • WinterBreak: para firmwares até a versão 5.18.0
  • AdBreak: para firmwares 5.18.1 a 5.18.5

O segundo tem um detalhe que merece atenção. O AdBreak usa o sistema de exibição de anúncios da Amazon - a publicidade que aparece na tela de bloqueio dos Kindles subsidiados - como vetor de entrada no dispositivo. A mesma empresa que cobra para você remover os anúncios criou, sem querer, a porta que permite remover tudo.

Não tem tutorial aqui. O ponto de partida é o MobileRead Forums e o wiki da kindlemodding.org, que têm guias por modelo. Existe risco real de inutilizar o aparelho se o processo for feito errado, especialmente nos modelos mais antigos que exigem reset de fábrica.

O que o jailbreak desbloqueia é considerável:

  • Suporte nativo a EPUB: o formato mais comum de e-book fora do ecossistema Amazon, sem precisar converter nada antes
  • KOReader: leitor open source com interface limpa, sem a home screen que é basicamente uma vitrine de loja
  • Remoção dos anúncios: sem pagar o que a Amazon cobra oficialmente por isso
  • Fontes e layout por livro: espaçamento, margem e peso de fonte ajustáveis individualmente
  • Sincronização com Calibre via wi-fi: gerenciador de biblioteca pessoal sem depender da nuvem da Amazon

Quanto custa um Kindle novo no Brasil

Para quem não quer lidar com jailbreak, os preços na Amazon Brasil durante a Kindle Week de maio de 2026, com até 25% de desconto:

Sem promoção, os valores sobem. O concorrente mais conhecido, a Kobo, não tem distribuição oficial no Brasil - importar entre taxa e frete sai mais caro que um Paperwhite novo. Na prática, para o usuário brasileiro, a escolha real é entre manter o aparelho antigo, fazer o jailbreak ou comprar um novo Kindle.

A questão que a Amazon não responde

Quando você “compra” um livro na Kindle Store, o que você tem é uma licença de uso. A Amazon pode encerrar o acesso. Pode desativar o serviço num dispositivo específico. Em 2009, a empresa já removeu remotamente cópias de 1984, de George Orwell, das bibliotecas de usuários sem aviso prévio - a ironia do título não foi perdida em ninguém.

O jailbreak com KOReader e biblioteca local via Calibre resolve isso na prática. Arquivo no dispositivo, sem dependência de servidor, sem risco de remoção remota. O aparelho se torna uma ferramenta de leitura que você controla de fato.

Para quem tem um Kindle de 2007 a 2012: a Amazon vai encerrar o suporte de qualquer jeito. O firmware não vai ser atualizado independente do que você faça. O argumento de segurança para não jailbreakear fica bem mais fraco quando o aparelho já está fora do guarda-chuva da empresa.

Aparelho funcionando, comunidade com guia pronto. A conta é simples.

Lucas Ferreira
AUTOR

Lucas Ferreira

Gamer desde o PS1, cético desde sempre

Jornalista de tecnologia e games. Cobre a indústria tech e gaming há mais de 10 anos.

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