A Meta agora cobra pelo Instagram, Facebook e WhatsApp. Tem uma pegadinha no plano.

Instagram Plus, Facebook Plus e WhatsApp Plus chegaram ao mesmo tempo. O detalhe que a Meta não destaca: você continua vendo anúncios mesmo pagando.

Bruno Silva
Bruno Silva Entusiasta de hardware e overclocker nas horas vagas
28 de maio de 2026 5 min
Logos do Instagram, Facebook e WhatsApp com ícone de cifrão ao fundo em fundo escuro
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A Meta lançou na última terça-feira os planos pagos de três apps ao mesmo tempo: Instagram Plus, Facebook Plus e WhatsApp Plus. O Instagram Plus e o Facebook Plus custam US$ 3,99 por mês cada um; o WhatsApp Plus sai por US$ 2,99. Quem quiser assinar os três paga uns US$ 11 mensais.

Antes de abrir a carteira, tem um ponto que a empresa não está gritando no comunicado oficial.

Você continua vendo todos os anúncios.

Isso mesmo: o instagram plus assinatura não remove publicidade nenhuma. O que você compra é um pacote de funções extras enquanto a Meta continua monetizando a sua atenção do mesmo jeito. Não é o modelo que a empresa usou na Europa, onde a lei obrigou a coisa a ser honesta. Mas chegamos lá.

O que cada plano entrega de verdade

O Instagram Plus mira em criadores e usuários que vivem de métricas de Stories. A lista de funcionalidades inclui: ver quantas vezes cada Story foi revisto (além das visualizações normais), listas de audiência ilimitadas, Stories que ficam no ar por 48 horas em vez de 24, visualizar Stories de outros sem aparecer na lista de quem viu, buscar quem assistiu ao seu conteúdo, postar sem distribuir para o feed dos seguidores, personalizar fontes do perfil e ícone do app.

É conteúdo de painel de analytics de criador, basicamente. Para quem usa Instagram para manter contato com amigos e família, nenhum desses recursos faz diferença.

O Facebook Plus segue a mesma lógica: a Meta descreveu o plano como “praticamente as mesmas funcionalidades do Instagram Plus adaptadas para o Facebook”. A lista detalhada não foi publicada separadamente.

O WhatsApp Plus, o mais barato dos três, entrega temas customizados para a interface, toques de notificação personalizados, mais conversas fixadas além do limite gratuito e pacotes de figurinhas premium. Para o usuário que usa WhatsApp para falar com a família, isso é cosmético puro.

O que a Europa ganhou que o resto do mundo não ganha

Em 2023, pressionada pelo GDPR e pelo Digital Markets Act (a legislação europeia de proteção de dados e privacidade), a Meta lançou um plano ad-free no continente. Preço: €9,99 por mês na web, €12,99 no iOS. Quem pagava saía completamente da lógica de publicidade direcionada. Sem anúncio nenhum.

Ativistas de privacidade chamaram aquilo de “cobrar pelo direito fundamental à privacidade”, o que é uma crítica válida. Mas pelo menos o contrato era transparente: dinheiro em troca de sem anúncio.

O plano global de 2026 não é isso. Você paga, os anúncios ficam, e a Meta fatura dos dois lados. Não existe regulação fora da Europa que force a empresa a fazer diferente.

Comparando com a concorrência

O Snapchat Plus custa US$ 3,99 por mês e oferece indicadores de rewatch de Stories, badge exclusivo e ícone personalizado. É quase a mesma proposta do Instagram Plus, pelo mesmo preço, para uma base de usuários menor.

O Twitter, que virou referência no mercado depois das mudanças de Musk, vai além: por R$ 42 por mês no Brasil, reduz a carga de anúncios pela metade; por R$ 115 por mês, elimina completamente os anúncios no feed. A Meta claramente olhou para o que o Twitter fez e copiou a estrutura de planos em camadas, mas optou por não tocar nos anúncios.

O YouTube Premium custa R$ 26,90 por mês no Brasil e tira todos os anúncios de todos os vídeos, mais YouTube Music incluído. É outro patamar de proposta de valor.

O Spotify Premium remove todos os anúncios por um valor parecido. Nenhum dos dois cobra para você continuar vendo publicidade.

E o Brasil, quando fica disponível?

O WhatsApp Plus foi testado no Brasil antes do lançamento global: alguns usuários viram a assinatura disponível por R$ 7 por mês dentro do próprio app. A Meta não confirmou se esse será o preço oficial nem quando Instagram Plus e Facebook Plus chegarão ao país com preços em reais.

Não é o primeiro movimento da Meta que levanta questões sobre o que ela faz com as informações dos usuários. Há alguns dias, um pesquisador mostrou que o WhatsApp no iPhone armazena parte do banco de dados de mensagens em locais acessíveis a outros apps, detalhe que a empresa minimizou, mas que diz bastante sobre como a companhia trata a privacidade quando a lei não obriga.

O que a Meta está construindo de verdade

Por trás dos planos Plus, a empresa testa em paralelo um guarda-chuva chamado Meta One, com preços de US$ 7,99 até US$ 49,99 por mês para criadores e usuários intensivos de IA. O plano mais caro inclui posicionamento privilegiado em buscas, ferramentas de distribuição de conteúdo e recursos de agendamento.

A chefe de produto da Meta, Naomi Gleit, disse em comunicado que os planos vão acumulando funcionalidades ao longo do tempo e que há “muito mais valor por vir”. A leitura menos otimista: a Meta precisa diversificar receita além da publicidade enquanto aumenta o investimento em infraestrutura de IA, e os bilhões de usuários que já usa os apps são o caminho mais fácil para isso.

A estrutura de negócios faz sentido do lado da empresa. Do lado de quem já via anúncio de graça e agora pode pagar para continuar vendo anúncio com bônus de personalizar o ícone do app, a conta não fecha tão bem.

Bruno Silva
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Bruno Silva

Entusiasta de hardware e overclocker nas horas vagas

Especialista em hardware, benchmarks e overclock. Analisa componentes e tendências do mercado.

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