A cicatriz que Game of Thrones deixou e que nem o tempo cura

Anos se passaram, mas a forma como a HBO descartou seu maior vilão ainda é o maior crime da TV moderna.

Marina Costa
Marina Costa Entusiasta de tech e indie games
23 de janeiro de 2026 4 min
A cicatriz que Game of Thrones deixou e que nem o tempo cura
!!

Olha, eu sei o que você vai dizer. “Marina, supera. Já faz anos. A série acabou, a vida segue.” E eu concordo com você, juro que concordo. Mas tem dias que eu acordo, olho pro teto e a única coisa que vem na minha cabeça é o potencial jogado no lixo do Rei da Noite em Game of Thrones.

Sério, não dá pra aguentar. A gente passou quase uma década ouvindo “O inverno está chegando”. A gente viu símbolos misteriosos na neve, encaradas tensas, bebês sendo transformados… Tudo isso pra quê? Pra um desfecho que pareceu trabalho de escola feito na última hora. E não, meu problema não é quem deu o golpe final (a gente já chega lá). O buraco é muito mais embaixo.

O hype que virou fumaça (ou gelo derretido)

Night King staring ominously at the camera

Vamos ser sinceros: os White Walkers eram a ameaça final. Enquanto todo mundo brincava de cadeiras musicais em Porto Real, existia uma força da natureza marchando pro sul.

Lembra quando ele derrubou o Viserion com uma lança de gelo? Aquilo foi de cair o queixo. A gente pensou: “Ferrou. Ninguém para esse cara”. Ele transformou um dragão num lança-chamas azul da morte. O nível de perigo estava no teto.

O silêncio que irrita

E aí veio a temporada final. E o que descobrimos sobre as motivações dele? Nada. Absolutamente nada. O cara liderou o maior exército de mortos da história e a gente nunca soube exatamente o que ele queria além de “matar geral”.

💡 Ponto de reflexão: Um vilão sem motivo é só um obstáculo, não um personagem. E o Rei da Noite merecia ser um personagem.

Como apontado em discussões no Polygon, o fato da série nunca ter abordado as motivações dele diretamente foi um soco no estômago. Ele não era um monstro sem cérebro, mas foi tratado como um. A gente queria história, queria entender a conexão com os Primeiros Homens, queria profundidade. Recebemos um bloco de gelo mudo.

A rivalidade que nunca existiu

Aqui é onde eu perco a linha. Jon Snow. O cara foi ressuscitado (literalmente), passou temporadas inteiras gritando sobre o Rei da Noite, uniu o Norte, trouxe a Daenerys… A vida dele girava em torno desse confronto.

Eles trocaram olhares intensos em Hardhome. Trocaram olhares no lago congelado. Parecia anime shonen prestes a ter a luta final. E o que aconteceu na hora H?

Nada.

O Jon Snow passou a Batalha de Winterfell gritando com um dragão. Ele nunca cruzou espadas com o Rei da Noite. Sério, quem escreveu isso? É como se o Batman passasse o filme todo caçando o Coringa e, no final, o Comissário Gordon resolvesse a parada enquanto o Batman ficava preso no trânsito.

Um vilão “OP” nerfado pelo roteiro

O Rei da Noite foi construído como essa entidade imparável. Mas na hora do vamos ver?

  • Ele não teve nenhuma luta de espada icônica.
  • Ele não matou nenhum personagem principal relevante na batalha final (desculpa, Theon, você foi bravo, mas né…).
  • Ele morreu na primeira tentativa real de assassinato.

Segundo o dossiê e o sentimento geral da comunidade (inclusive num post que vi no Reddit), ele não ter matado ninguém notável faz a ameaça parecer vazia. A “Longa Noite” durou, tipo, uma noite. O Rei da Noite não era só um zumbi bombado; ele tinha cabeça, sabia o que tava fazendo.

A questão da Arya (não me cancelem)

Arya Stark holding dagger

Muita gente reclama que foi a Arya quem matou ele. Sinceramente? Eu até gosto da ideia da Arya ser a algoz. Ela treinou pra ser uma assassina silenciosa, faz sentido narrativo ela conseguir chegar perto. O problema não é quem matou, mas como e quando.

Foi rápido demais. Fácil demais. O exército dos mortos, que parecia invencível, desligou igual um computador da tomada quando o “servidor central” caiu. Foi anticlimático.

A gente esperava uma guerra de desgaste, recuos estratégicos, Porto Real sendo ameaçada pelo inverno… Mas não. O problema foi resolvido ali, rapidinho, pra dar tempo da Cersei beber vinho na varanda por mais uns episódios.

O legado da decepção

Olha, eu amo o universo que o George R.R. Martin criou (e que a HBO adaptou brilhantemente por anos). Mas essa falha com o Rei da Noite é o exemplo perfeito de como apressar um final pode destruir anos de construção de mundo.

Eles pegaram o vilão mais misterioso e aterrorizante da fantasia moderna e transformaram num NPC de luxo que serviu de escada pra resolver um buraco no enredo.

Ainda dói? Dói. E toda vez que vejo um anúncio de spin-off, meu coração gela (ba dum tss), torcendo pra que eles tenham aprendido a lição: vilão bom é vilão desenvolvido.

E vocês? Ainda guardam rancor ou eu que sou rancorosa demais? (Não respondam, eu sei que vocês também estão bravos).

Marina Costa
AUTOR

Marina Costa

Entusiasta de tech e indie games

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