O fim dos discos no PlayStation e o vídeo de 2013 que a Sony preferiria que você tivesse esquecido

A Sony anunciou hoje o fim dos discos físicos para novos jogos em 2028 e o fechamento das lojas do PS3 e Vita, enquanto um vídeo de 2013 assombra o comunicado.

Lucas Ferreira
Lucas Ferreira Gamer desde o PS1, cético desde sempre
1 de julho de 2026 4 min
Mão segurando o disco de Assassin's Creed Valhalla para PS5 em frente ao console PlayStation 5, simbolizando o fim da mídia física anunciado pela Sony para 2028
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Hoje a Sony anunciou três coisas de uma vez. Que vai parar de fabricar discos físicos para novos jogos do PlayStation a partir de janeiro de 2028. Que a loja digital do PS3 começa a fechar em agosto de 2026, com o PS Vita seguindo em julho de 2027. Que o PS6, quando chegar, deve ser digital.

Tem um vídeo de 2013 que ficou famoso exatamente por decisões como essa. Naquele ano, quando a Microsoft anunciou que o Xbox One teria restrições severas sobre jogos físicos - limitando empréstimos, exigindo autenticação online para provar que o disco era seu - a Sony respondeu com alguns segundos de vídeo mostrando como emprestar um jogo no PS4. Sem narração. Uma pessoa entregava um disco pra outra, a câmera se fechava. Foi uma das tacadas de marketing mais eficazes da história de console: a Sony humilhou a concorrência por querer matar o disco, saiu com a imagem intacta, e ganhou o PS4 antes de ele lançar.

O vídeo continua no YouTube. Vai bem.

O que muda em 2028

A decisão de hoje atinge apenas novos jogos. Títulos já lançados ou que saírem em disco antes de janeiro de 2028 continuam disponíveis. Segundo o anúncio oficial publicado hoje, “a produção de discos físicos para todos os novos jogos lançados em consoles PlayStation será descontinuada a partir de janeiro de 2028. Após essa data, novos jogos estarão disponíveis na PlayStation Store e em varejistas apenas em formatos digitais”.

A justificativa é que “a preferência geral por mídia digital supera significativamente o disco físico”. O que é verdade, mas ignora que boa parte dessa preferência foi construída pela própria indústria ao longo de anos: consoles sem leitor vendidos como modelo padrão, preços de físico e digital equiparados, espaço em prateleira encolhendo nas lojas. É o tipo de argumento que apresenta a conclusão como causa.

PS3 e Vita: a loja fecha

No mesmo comunicado, a Sony confirmou o fechamento das lojas digitais do PS3 e do PS Vita. O cronograma tem escalonamento para o PS3: começa em agosto de 2026 no México, Honduras e Nicarágua, outros países da América Latina e do Oriente Médio seguem ainda em 2026, e o restante do mundo fecha em julho de 2027. A loja do PS Vita segue o caminho mais simples: fecha em julho de 2027 em todos os países sem exceção.

A justificativa é técnica: PS3 e Vita “não conseguem mais suportar as atualizações necessárias” nos sistemas modernos de pagamento que a PlayStation Store usa. É provavelmente verdade, mas também é o fim do acesso a compras nessas plataformas depois de anos de reviravoltas - em 2021, a Sony anunciou o fechamento, depois reverteu por pressão pública, e agora volta atrás na reversão.

Jogos já comprados continuarão baixáveis “pelo futuro previsível”. A frase diz mais do que a Sony pretendia.

E o PS6?

O PS6, conforme análises e vazamentos circulados na imprensa especializada, deve chegar sem leitor de disco. A retrocompatibilidade com jogos do PS5 - num cenário onde títulos novos do PS5 após janeiro de 2028 existirão apenas em digital - deixa dúvidas que a Sony ainda não respondeu.

Vazamentos apontam para retrocompatibilidade com PS5 e PS4, mas o documento em questão é descrito como antigo. Os planos podem ter mudado. A Sony não confirmou nada sobre o PS6 oficialmente.

No Brasil, sem disco é sem alternativa

Pra quem joga no Brasil, a conta não fecha. O mercado funciona com câmbio desfavorável, imposto de importação em cima de hardware, e preços de lançamento que chegam a mais de R$ 400 por título. O GTA 6 já chegou sem versão em disco, e lojas brasileiras se recusaram a trabalhar com ele por isso. Sem disco, some o mercado de usados - que pra muita gente é a única forma de pagar menos num jogo recente.

Digital no Brasil não é digital com preço de digital. É digital com o câmbio de hoje.

A Sony já deu uma amostra do que o mundo digital significa pra quem compra nela: 551 filmes foram removidos de contas de usuários sem aviso adequado. Com disco, o conteúdo fica onde você colocou. Com digital, ele fica onde a Sony decidir.

Em 2013, a Sony sabia exatamente o que estava fazendo quando filmou duas pessoas trocando um disco. Sabia que propriedade importava pra quem compra jogos. Treze anos depois, fez exatamente o que zombou.

Provavelmente com a mesma cara de pau.

Lucas Ferreira
AUTOR

Lucas Ferreira

Gamer desde o PS1, cético desde sempre

Jornalista de tecnologia e games. Cobre a indústria tech e gaming há mais de 10 anos.

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