Sete jogos da Steam escondiam malware e o FBI quer falar com você

O FBI identificou 7 jogos da Steam que funcionavam como Cavalos de Tróia entre 2024 e 2026.

Carla Mendes
Carla Mendes Cobrindo esports desde 2018
14 de março de 2026 5 min
Imagem do jogo BlockBlasters na Steam, um dos sete títulos identificados pelo FBI como vetores de malware
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Breaking. O FBI abriu investigação formal sobre sete jogos da Steam que estavam sendo usados como vetores de malware - e a agência quer identificar todas as vítimas. Se você baixou algum indie suspeito entre maio de 2024 e janeiro de 2026, é hora de checar sua biblioteca e seu PC com urgência.

A Divisão de Seattle do FBI publicou um comunicado oficial em 11 de março confirmando que acredita ser obra de um único agente malicioso a série de jogos infectados que passou pela curadoria da Valve nos últimos dois anos. Os títulos identificados na investigação são: BlockBlasters, Chemia, Dashverse (também listado como DashFPS), Lampy, Lunara, PirateFi e Tokenova. Todos foram removidos da loja, mas o estrago já tinha sido feito.

Página do BlockBlasters na Steam antes da remoção, com 191 avaliações positivas e classificação gratuita - o jogo era um Cavalo de Tróia
Página do BlockBlasters na Steam antes da remoção, com 191 avaliações positivas e classificação gratuita - o jogo era um Cavalo de Tróia

O caso mais emblemático, sem dúvida, é o BlockBlasters. O jogo foi lançado em julho de 2025 pela Genesis Interactive como um platformer 2D aparentemente inofensivo - chegou a acumular centenas de avaliações positivas. A bomba veio em agosto, num update que injetou scripts maliciosos no executável. A empresa de segurança G Data identificou os arquivos: o pacote desabilitava o Microsoft Defender, vasculhava dados de carteiras de criptomoedas, roubava senhas salvas no navegador e mandava tudo para um servidor externo. O build infectado ficou disponível por quase um mês e, segundo o SteamDB, foi baixado mais de 100 vezes antes de ser retirado.

A história virou caos total quando o streamer da Twitch RastalandTV, que estava em tratamento contra um câncer em estágio 4 e havia arrecadado fundos da comunidade numa live, perdeu cerca de US$ 32 mil em criptomoedas numa transmissão ao vivo depois de instalar o BlockBlasters. A comunidade rastreou conversas dos responsáveis pelo golpe - e a resposta deles foi que o streamer “recuperaria o dinheiro em algumas horas”. Segundo pesquisadores de segurança, o malware do BlockBlasters drenou mais de US$ 150 mil ao longo de centenas de contas afetadas.

O PirateFi, lançado gratuitamente em fevereiro de 2025 com temática “web3 de sobrevivência”, foi outro caso que acendeu o alerta. A Valve chegou ao ponto de recomendar que jogadores afetados formatassem completamente os computadores - uma medida raramente adotada por empresas de games, mas que indicava a gravidade do comprometimento. O Chemia, por sua vez, foi vinculado ao grupo EncryptHub, que injetou binários maliciosos num update de early access.

O padrão se repete em todos os casos investigados pelo FBI: o jogo passa pela triagem inicial da Valve sem problemas, depois recebe um update que carrega o payload malicioso. O info stealer - programa que rouba credenciais, cookies de sessão, dados de carteiras e senhas do navegador - entra em ação enquanto o jogo está rodando normalmente em segundo plano. É um Cavalo de Tróia clássico, mas executado dentro de uma das plataformas mais confiadas do mercado de PC.

Dados do SteamDB mostrando os updates suspeitos do BlockBlasters marcados pela comunidade
Dados do SteamDB mostrando os updates suspeitos do BlockBlasters marcados pela comunidade

O FBI está pedindo que qualquer pessoa que tenha instalado esses títulos no período investigado preencha um formulário no site oficial da agência ou entre em contato pelo e-mail Steam_Malware@fbi.gov. A participação é voluntária, mas a agência deixa claro que vítimas podem ter direito a ressarcimento e outros direitos previstos em lei federal americana. Importante: ao entrar em contato com o FBI, sua identidade não permanece anônima - a agência pode agendar uma entrevista com você. A Valve também enviou novos e-mails para usuários afetados confirmando que a comunicação do FBI é legítima.

Para a comunidade brasileira, esse alerta importa muito. O Brasil está entre as regiões de crescimento mais acelerado do Steam nos últimos cinco anos, ao lado de Japão, China, Alemanha e Estados Unidos, segundo dados da própria Valve. A plataforma atingiu 42 milhões de usuários simultâneos em janeiro de 2026, e os jogadores brasileiros representam uma fatia significativa desse número. Indie games gratuitos ou muito baratos - exatamente o perfil dos títulos infectados - são populares aqui justamente porque contornam o problema dos preços em dólar. Isso coloca a galera do Brasil na linha de fogo.

Se você tem algum desses sete jogos na biblioteca, a recomendação é clara: não basta desinstalar. Rode um antivírus completo, mude as senhas de todas as contas importantes (Steam, e-mail, banco), revogue sessões ativas onde puder e cheque se há aplicativos desconhecidos instalados no sistema. Se o PirateFi estiver no histórico, considere seriamente a formatação completa - foi o que a própria Valve recomendou.

O que fica de lição - e de cobrança - é para a Valve. A Steam Direct permite que qualquer desenvolvedor publique um jogo pagando apenas US$ 100 de taxa reembolsável. O volume de lançamentos é enorme, e a verificação automatizada claramente não dá conta quando o ataque vem num update pós-aprovação. A estratégia de passar na triagem com um build limpo e infectar depois já era conhecida de pesquisadores de segurança há anos. A empresa ainda não se pronunciou publicamente sobre as mudanças que pretende implementar - e com uma investigação federal aberta, essa fila de omissão vai ficar cada vez mais difícil de manter.

Com 132 milhões de usuários mensais ativos e mais de 117 mil jogos no catálogo, a Valve administra um ecossistema de escala absurda. Mas escala não é desculpa para deixar jogadores formatando computador por conta de um indie que passou pelo processo de aprovação da plataforma. O FBI foi mais rápido que a própria empresa em reconhecer a dimensão do problema. Agora é ver se a Valve vai esperar o processo judicial chegar ou vai agir antes.

Carla Mendes
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Carla Mendes

Cobrindo esports desde 2018

Cobrindo cenário competitivo de esports desde 2018. Acompanha torneios e equipes profissionais.

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