Stranger Things volta à Netflix este mês. Mas não do jeito que você esperava
Stranger Things: Histórias de 85 é a primeira série derivada da franquia. Animação com 10 episódios estreia dia 23 de abril na Netflix.
Stranger Things não acabou. Quer dizer, a série principal sim, já era, acabou. Mas a franquia está longe de morrer. O primeiro spin-off de Stranger Things chega à Netflix no dia 23 de abril, e a surpresa que pode incomodar parte dos fãs é que não é live-action. É animação.
Stranger Things: Histórias de 85, como foi batizada em português (Tales from ‘85 no original), é uma série animada de 10 episódios de meia hora cada. A história se passa no inverno de 1985, entre a segunda e a terceira temporada da série original. Todo o grupo está lá: Eleven, Mike, Will, Dustin, Lucas e Max, de volta a Hawkins, lidando com uma nova ameaça do Mundo Invertido enquanto tentam ter uma vida normal entre partidas de D&D e guerras de bola de neve.
A sinopse oficial da Netflix: “No inverno de 1985, a neve cobre a cidade e os horrores do Mundo Invertido estão finalmente se dissipando. Nossos heróis retomaram uma vida normal. Mas debaixo do gelo, algo terrível despertou.”
Sem Millie Bobby Brown. Sem nenhum deles.
Nenhum ator do elenco original empresta a voz pros personagens animados. Nenhum. É elenco novo do zero. Brooklyn Davey Norstedt dubla a Eleven, Jolie Hoang-Rappaport é a Max, Luca Diaz faz o Mike, Elisha “EJ” Williams é o Lucas, Braxton Quinney dubla o Dustin e Benjamin Plessala fica com o Will. Brett Gipson é o Hopper e Jeremy Jordan faz o Steve.
A exceção vem de um rosto familiar, mas não do elenco principal: Robert Englund, que interpretou Victor Creel na quarta temporada (e que a maioria do planeta conhece como Freddy Krueger), dubla um personagem novo chamado Cosmo. Tem também Odessa A’zion como Nikki Baxter, uma garota nova que se junta ao grupo, e participações de Janeane Garofalo e Lou Diamond Phillips.
É o tipo de decisão que vai dividir o fandom. Ouvir a Eleven com outra voz é estranho. Mas considerando que os atores originais cresceram e a série se passa em 1985, uma animação com elenco novo faz mais sentido do que tentar rejuvenescer digitalmente gente de 30 anos.
A vibe de desenho de sábado de manhã
Os irmãos Duffer estão envolvidos como produtores executivos e roteiristas de alguns episódios, junto com Shawn Levy e a equipe da 21 Laps e Upside Down Pictures. O showrunner é Eric Robles, e a animação fica por conta da Flying Bark Productions.
O estilo visual é CG com cara de desenho dos anos 80: cabeças maiores, rostos que lembram bonecos esculpidos, paleta de cores vibrante e neon. A ideia dos Duffers é capturar a sensação de um desenho de sábado de manhã, mas com a mitologia e o tom de Stranger Things. Pensa num He-Man ou Caverna do Dragão cruzando com o Mundo Invertido.
Vão aparecer locais familiares como o Laboratório Nacional de Hawkins, e novas criaturas. Descrições iniciais mencionam zumbis de abóbora do Mundo Invertido e monstros feitos de vinhas.
Nos cinemas antes da Netflix
Detalhe que muita gente não sabe: os dois primeiros episódios vão ter uma exibição limitada em cinemas selecionados no dia 18 de abril, cinco dias antes da estreia no streaming. É uma estratégia que a Netflix tem testado cada vez mais, levando conteúdo pra tela grande antes de liberar pra todo mundo.
No Brasil, não tem confirmação de exibição nos cinemas ainda. Mas na Netflix, a estreia é global no dia 23 de abril. Pode marcar na agenda.
O que isso significa pra franquia
Histórias de 85 é o primeiro spin-off, mas não é o único em desenvolvimento. A Netflix já confirmou que tem pelo menos mais um projeto derivado de Stranger Things em andamento, ainda sem detalhes divulgados. A franquia virou uma marca grande demais pra depender de uma única série, e animação é um formato inteligente pra expandir sem os custos absurdos de produção live-action.
Pra quem sente falta de Hawkins, de Eleven, da turma toda junta enfrentando coisas bizarras do Mundo Invertido, dia 23 de abril é a data. Vai ser diferente. Vai ser animado, literalmente. E se a equipe dos Duffers conseguir transportar aquela sensação de “tô assistindo com a luz apagada e segurando a almofada” pra um desenho animado, pode ser exatamente o que a gente precisava pra matar a saudade.
Dez episódios. Vinte e três de abril. Prepara o pipoqueiro.
Yumi Rodrigues
Já vi tudo, ainda acho que tem série boa pra descobrir
Especialista em séries de TV e plataformas de streaming. Analisa lançamentos e tendências.
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