Subnautica 2 vendeu 2 milhões de cópias em 12 horas. Ainda assim, alguém achou boa ideia pedir suporte pela versão pirata.
Subnautica 2 vendeu 2 milhões de cópias em 12 horas e bateu 651 mil jogadores simultâneos. O momento mais comentado, porém, foi um pirata pedindo suporte técnico no Discord oficial.
Quando Subnautica 2 entrou em acesso antecipado no dia 14 de maio de 2026, a Unknown Worlds tinha uma boa ideia de que o lançamento seria grande. O original de 2018 foi um dos fenômenos indie mais duradouros da Steam: jogo de sobrevivência e exploração num planeta alienígena completamente coberto de oceano, sem mapa, sem tutorial, sem outro jogador. Você estava sozinho no fundo do mar de outro mundo tentando não morrer.
O segundo traz cooperativo para até quatro jogadores. E isso, aparentemente, era o que boa parte da comunidade esperava há oito anos.
Os números do Subnautica 2 no primeiro dia
Em menos de duas horas do lançamento, o jogo já tinha 1 milhão de cópias vendidas. Em 12 horas, 2 milhões. O pico de jogadores simultâneos chegou a 467 mil só na Steam, e a 651 mil somando Steam, Epic Games Store e Xbox Series. Isso é nove vezes o pico histórico do primeiro Subnautica. Na Twitch, bateu 413 mil espectadores simultâneos, ficando em primeiro lugar em todas as categorias.
É o tipo de número que indica que algo deu muito certo além do produto em si. O cooperativo foi o gatilho. Tem uma parcela enorme de jogadores que acompanhou o original, adorou, mas nunca tocou sozinho por escolha. Agora não precisa.
O jogo também entrou no Game Pass desde o dia do lançamento, o que ajuda quem quer experimentar sem comprar de imediato. O acesso antecipado é exatamente isso: o jogo está em desenvolvimento, com roadmap publicado, e a comunidade vai acompanhar as atualizações ao longo dos próximos meses. Os devs já prometeram sprint, chat de voz e sistema de troca entre jogadores nas próximas versões, além de novos capítulos da história.
O pirata que foi pedir suporte técnico no Discord oficial
Dois dias antes do lançamento, uma versão vazada do jogo apareceu em sites de pirataria. A Unknown Worlds avisou que as builds circulando eram versões de desenvolvimento incompletas, com riscos potenciais dependendo de onde tinham sido baixadas.
O que veio depois foi além do esperado.
Um dos usuários que baixou a versão pirata encontrou um problema técnico e foi buscar ajuda no servidor oficial de Discord da Unknown Worlds. No Discord oficial. Da empresa que fez o jogo que ele não comprou.
Anthony Gallegos, lead designer de Subnautica 2, percebeu o que estava acontecendo quando perguntou qual executável o usuário estava rodando. A resposta revelou tudo. Outros membros do servidor também perceberam rapidamente, e o tom geral foi de espanto com alguém se incriminando assim na cara dura.
Gallegos respondeu:
“Deu trabalho, mas esse cara se entregou. Obrigado por piratear um jogo que passei anos trabalhando. Fico decepcionado que você tenha feito isso quando é assim que a gente ganha a vida. Espero que você repense suas escolhas de vida.”
Sem ameaça jurídica. Sem discurso corporativo sobre propriedade intelectual. É a resposta de alguém que colocou anos numa coisa e levou um bom murro no estômago como retorno.
A ironia do caso específico é pesada. O jogo estava disponível no Game Pass. Existia ainda a política de reembolso da Steam: jogar menos de duas horas e devolver o dinheiro de volta é uma opção real, que a própria Valve criou exatamente pra isso. Gallegos disse, depois do lançamento, que preferia que pessoas que não pudessem pagar fizessem exatamente isso a piratear. São caminhos que existem. O usuário em questão escolheu baixar um build de desenvolvimento incompleto de uma fonte desconhecida, dar de cara com um problema, e ir pedir suporte pra empresa que ele não pagou.
A Unknown Worlds não baniu permanentemente. Avisou sobre os riscos e seguiu em frente. Com 2 milhões de cópias em 12 horas no bolso, o lançamento foi bem independente do episódio.
Mas Gallegos disse o que disse, e faz sentido que tenha dito. “É assim que a gente ganha a vida” é uma frase simples que resume o que fica do lado de cá quando um jogo vaza: anos de trabalho de uma equipe inteira, num produto que ainda vai ser desenvolvido, e que depende de vendas reais pra continuar existindo.
Subnautica 2 vai continuar em desenvolvimento com a comunidade acompanhando. O lead designer vai continuar sabendo disso. E o usuário do Discord, provavelmente, vai ficar de fora dos próximos capítulos.
Marina Costa
Entusiasta de tech e indie games
Especialista em games indie e multiplayer. Jogadora e analista de mecânicas de jogo.
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