Ubisoft inicia 2026 com demissões em estúdios de elite

Massive Entertainment e Ubisoft Stockholm sofrem cortes apenas uma semana após o fechamento do estúdio de Halifax. Entenda o impacto no The Division 3.

Bruno Silva
Bruno Silva Entusiasta de hardware e overclocker nas horas vagas
13 de janeiro de 2026 4 min
Engine Snowdrop desenvolvida pela Massive Entertainment
!!

A manchete internacional não poderia ser mais direta: “É 13 de janeiro e a Ubisoft acabou de anunciar sua segunda rodada de demissões para 2026”. É isso mesmo que você leu. Mal viramos o ano, mal terminamos de pagar o IPVA, e a gigante francesa decidiu cortar novamente. Desta vez, não estamos falando de estúdios menores ou de suporte periférico, mas da joia da coroa: a Massive Entertainment, responsável por The Division e o recente Star Wars Outlaws, além do estúdio de Estocolmo.

Se você achou que 2025 foi o fundo do poço para as demissões na indústria, sinto informar que o buraco é mais embaixo. Apenas uma semana após fechar as portas da Ubisoft Halifax - coincidentemente (ou não) dias depois de eles se sindicalizarem - a empresa confirma que mais 55 profissionais vão para a rua na Suécia.

O contexto: Por que agora?

Para entender o tamanho da encrenca, precisamos olhar para o retrovisor. No final de 2025, a Ubisoft tentou emplacar um “Programa de Saída Voluntária” na Massive. Basicamente, a empresa disse: “Quem quer sair com um dinheirinho no bolso?”. Aparentemente, a adesão foi baixa. Os desenvolvedores queriam, pasmem, continuar trabalhando nos jogos que amam.

Como a meta de redução de custos não foi batida pelo método amigável, a direção partiu para o plano B: cortes diretos. A justificativa oficial? Uma “reestruturação organizacional” para alinhar com o planejamento de longo prazo. No bom e velho português: cortar gastos para agradar investidores, mesmo que isso signifique perder talentos cruciais.

💡 Fato curioso: A Ubisoft Stockholm estava trabalhando em um projeto de tecnologia inovadora usando a Scalar, a tecnologia de nuvem da empresa. Cortar gente de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) nunca é um bom sinal para o futuro da inovação.

A Massive entra na mira

Vamos aos números e ao impacto real, porque é isso que a gente gosta de analisar. Segundo o relatório do GamesIndustry.biz, os cortes afetam 55 posições combinadas entre os dois estúdios suecos.

O que acontece com The Division 3?

A grande preocupação da galera nos fóruns e no Reddit é óbvia: “E o meu The Division 3?”. A Ubisoft foi rápida em dizer que o desenvolvimento do jogo continua firme e forte, assim como o suporte para Star Wars Outlaws e Avatar: Frontiers of Pandora.

Mas você não tira 55 pessoas de um ecossistema integrado como o da Massive sem causar soluços. Mesmo que a Ubisoft diga que os cortes não são relacionados à performance individual, perder conhecimento institucional sobre a engine Snowdrop - que é basicamente o motor de uma Ferrari proprietária - sempre cobra um preço lá na frente. Pode esperar atualizações demorando mais ou recursos sendo cortados silenciosamente.

A tecnologia Snowdrop e o Ubisoft Connect

Outro ponto que me preocupa é que esses times também dão suporte pesado para o Ubisoft Connect e para a própria engine Snowdrop. Se você joga no PC, sabe que o Connect já não é lá essas maravilhas de otimização. Reduzir a equipe que mantém a infraestrutura técnica rodando liso pode significar mais dores de cabeça com launchers bugados no futuro.

Preço da “Eficiência”

É difícil engolir o discurso de “melhorar a eficiência” quando vemos o histórico recente. Vamos colocar em perspectiva:

  • Semana passada: Ubisoft Halifax fechada (71 demissões).
  • Hoje: Massive e Stockholm (55 demissões).
  • Total em 2026: 126 empregos perdidos em menos de duas semanas.

Para uma empresa que recebeu um investimento pesado da Tencent recentemente para criar a Vantage Studios, essa “dieta” forçada parece mais uma preparação de terreno para alguma movimentação financeira maior do que simples ajuste de contas. O clima nos estúdios deve estar pesadíssimo, e produtividade em ambiente de medo, meus amigos, não existe.

O que esperar daqui pra frente?

Olha, vou ser honesto: a situação não inspira confiança. A Ubisoft tem franquias incríveis na mão, mas essa gestão de recursos humanos baseada em planilhas de Excel está minando a moral de quem realmente faz a mágica acontecer: os devs.

Se você estava animado para as novidades de The Division 3, mantenha as expectativas controladas. O jogo vai sair? Vai. Mas o custo humano e técnico desses cortes vai aparecer de alguma forma, seja em bugs no lançamento ou em conteúdo pós-lançamento mais escasso.

Mais detalhes sobre a reestruturação podem ser encontrados na cobertura completa do IGN. Vamos ver como a empresa se comporta nos próximos meses.

Bruno Silva
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Bruno Silva

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