Deram o MCU como morto. A pré-venda do novo Vingadores fez US$ 16 milhões num dia

Vingadores: Doutor Destino fez US$ 16,5 milhões de pré-venda no primeiro dia nos EUA, a 3ª maior da era pós-pandemia. E faltam cinco meses pra estreia.

Beatriz Almeida
Beatriz Almeida Cinema é entretenimento, e eu tô aqui pra diversão
23 de julho de 2026 5 min
Pôster de Vingadores: Doutor Destino: o Doutor Destino de capa e capuz verdes, de costas, diante de uma tapeçaria dourada
!!

Faz um ano que gente séria anda escrevendo obituário do MCU. As Marvels afundou, o público bocejou e o consenso virou que a fábrica de super-herói tinha enguiçado de vez. Então a Marvel abriu a pré-venda de Vingadores: Doutor Destino nos Estados Unidos, e o número que apareceu foi US$ 16,5 milhões em 24 horas. O filme só estreia em dezembro. Cinco meses de antecedência, e as sessões já começaram a sumir.

O clima de velório não caiu do céu. Depois de Vingadores: Ultimato, em 2019, o estúdio emendou uma fileira de filmes que a plateia recebeu de maneira morna. As Marvels virou a menor bilheteria da história do MCU. O único fôlego de verdade nos últimos anos tinha sido Deadpool & Wolverine, carregado no carisma do Ryan Reynolds e no palavrão liberado. A tese de que o botão mágico da Marvel tinha enguiçado ganhou o mundo, e com alguma razão.

Pra dimensionar o tamanho disso: essa pré-venda foi o dobro da de Deadpool & Wolverine, que em 2024 terminou a corrida com US$ 1,33 bilhão no mundo. Entre as aberturas de venda antecipada da era pós-pandemia, Doutor Destino cravou o terceiro lugar, atrás só de dois Homem-Aranha, o Um Novo Dia e o Sem Volta Para Casa. Perde para o Peter Parker, e olhe lá.

A pré-venda americana liberou só cerca de mil cinemas, quase todos em formato premium, aquelas telonas gigantes com som que soca o peito e ingresso mais caro. As sessões dos dias 17 e 18 de dezembro esgotaram em menos de um dia. E o recorde caiu sem a arma mais pesada do cinemão: o IMAX, aquele formato de tela gigante e imagem em resolução altíssima, ficou reservado para Duna: Parte 3, de Denis Villeneuve, que estreia exatamente no mesmo dia. A Marvel bateu recorde com uma mão amarrada nas costas.

O sinal já tinha piscado antes. O primeiro trailer de Doutor Destino levou 503 milhões de visualizações em 24 horas, o segundo maior lançamento de trailer da história. Quem está na frente? Homem-Aranha: Um Novo Dia de novo, com 719 milhões. O aranha domina o ano, mas o Doutor Destino cola no retrovisor.

Dá pra entender o tamanho do hype pelo elenco. Robert Downey Jr., o homem que ergueu o MCU inteiro como Homem de Ferro, voltou. Só que dessa vez ele é o vilão: Victor Von Doom, o Doutor Destino. Chris Evans veste de novo o uniforme do Capitão América. Patrick Stewart e Ian McKellen reaparecem como Professor Xavier e Magneto, costurando os X-Men clássicos na mesma tela. Na direção, os irmãos Russo, os mesmos de Guerra Infinita e Ultimato. A Marvel chama o pacote de “volta às origens”, e pela primeira vez em muito tempo a frase de marketing bateu com a reação real da plateia.

O fantasma que todo mundo persegue nessa conversa é Vingadores: Ultimato, dono da maior abertura da história, US$ 357 milhões só nos Estados Unidos num único fim de semana, US$ 1,2 bilhão no mundo. Ninguém está dizendo que Doutor Destino vai chegar lá. Mas uma pré-venda dessas, meio ano antes, é o tipo de faísca que não aparecia desde 2019.

No Brasil, a estreia é 17 de dezembro, um dia antes dos Estados Unidos, e vai ser sangue. Na mesma data chega Duna: Parte 3, o encerramento da saga de Villeneuve, justamente o filme que abocanhou as telas IMAX que a Marvel não conseguiu. Duas superproduções brigando pelo seu ingresso de fim de ano, no meio das festas, com a molecada de férias e a grana do décimo terceiro no bolso. O Brasil já viveu esse frenesi na pele: a pré-venda de Ultimato, em 2019, quebrou recordes de venda antecipada por aqui e derrubou site de cinema no país inteiro. Se a pré-venda brasileira de Doutor Destino repetir o clima dos Estados Unidos, deixa o dedo rápido no site da rede de cinema, porque sessão boa de estreia vai evaporar.

Cabe um freio de arrumação, porque já vi esse filme antes. Pré-venda recorde mede expectativa, e só isso. Hype gigante às vezes desidrata na primeira sessão, quando o público real senta na cadeira e liga o senso crítico. Foi assim com Pânico 7, que fez recorde de abertura em fevereiro com os críticos detonando o filme. Número de bilheteria e qualidade jogam campeonatos diferentes, e um não segura o outro.

O que esse US$ 16,5 milhões mostra, depois de anos de fadiga de herói, é um público que só precisava de um motivo pra voltar pra Marvel. Juntar Downey de vilão, os X-Men da era dos anos 2000 e os Russo na direção foi motivo suficiente pra fila se formar meio ano antes. O estúdio conseguiu a parte mais difícil, que é fazer as pessoas se importarem de novo. O jogo agora é não estragar na entrega, e o histórico recente da Marvel nesse quesito é uma montanha-russa.

Por enquanto, o placar é este: cinco meses de espera, e as melhores sessões já estão desaparecendo antes mesmo do Natal. Se a entrega chegar perto do tamanho da pré-venda, dezembro vira campo de batalha nas bilheterias brasileiras, com o Doutor Destino de um lado e Paul Atreides do outro. Chamaram o MCU de morto cedo demais.

Beatriz Almeida
AUTOR

Beatriz Almeida

Cinema é entretenimento, e eu tô aqui pra diversão

Redatora de entretenimento e cultura pop. Cobre blockbusters e tendências do audiovisual.

100% FREE * SEM SPAM

FICA POR
DENTRO

Todo domingo, um drop com o que você precisa saber sobre cultura pop e tech. Rápido, curado, sem spam.