O diretor de A Morte do Demônio fez um novo filme de A Múmia e a crítica está dizendo que é nojento, perturbador e genial
As primeiras reações ao novo A Múmia chamam de "o filme mais perturbador que já vi num cinema". Estreia dia 17 de abril.
Lee Cronin, o irlandês que pegou A Morte do Demônio e transformou num filme de US$ 147 milhões com orçamento de US$ 15 milhões, fez um novo A Múmia. As primeiras reações saíram na quinta-feira (10) depois de uma sessão de imprensa em Los Angeles. Os críticos estão usando palavras como “nojento”, “perturbador”, “implacável” e “genial”. É o primeiro filme da franquia A Múmia com classificação R (maiores de 17) em 27 anos de história.
Isso não é O Retorno da Múmia com Brendan Fraser. Isso é outra coisa.
O que os críticos estão dizendo
Bill Bria, do SlashFilm, chamou de “um filme nojento, grotesco, maldoso e repugnante. Em outras palavras, é sensacional”. Ele comparou com O Presságio, Brinquedo Proibido e Braindead, o filme de zumbis que Peter Jackson fez antes do Senhor dos Anéis.
Courtney Howard disse que “o filme vai com tudo, não segura nada. Um show de terror assustador de verdade, que faz gritar e se contorcer na cadeira”. Ela elogiou a performance de Natalie Grace como “inspirada em Linda Blair”, a garota de O Exorcista.
Brandon Davis, do ComicBook, foi mais direto: “o filme mais perturbador que já assisti num cinema. Implacavelmente cruel, com sustos macabros e violência texturizada de perto”.
Chris Killian, também do ComicBook, completou: “o filme de Múmia mais aterrorizante e nojento que você vai ver na vida. Implacável de formas que não posso discutir por causa de spoilers. Se você curtiu A Morte do Demônio, provavelmente vai amar isso.”
Michael J. Lee, do Nerds of Color, resumiu: “troca espetáculo por horror doméstico íntimo, transformando trauma familiar e luto em algo sinistro e profundamente perturbador, com body horror visceral e um design de som excepcional”.
O consenso é unânime: é horror de verdade. Não aventura. Não comédia. Horror que faz mal.
Nada a ver com o que você conhece
A trama não envolve pirâmides, maldições egípcias ou expedições arqueológicas. A filha de um jornalista desaparece no deserto sem deixar rastro. Oito anos depois, a família destruída recebe a menina de volta. O que deveria ser uma reunião feliz se transforma em pesadelo quando ela começa a se transformar em algo genuinamente horrível.
É possessão. É body horror. É trauma familiar virado do avesso. Lee Cronin descreveu o tom como “quase uma parte O Poltergeist e uma parte Se7en”. O título original durante a produção era The Resurrection. A palavra “múmia” mal aparece no material de divulgação.
O elenco é liderado por Jack Reynor, Laia Costa e a jovem Natalie Grace, que segundo os críticos entrega uma performance de nível Linda Blair. O filme foi rodado na Irlanda e na Espanha entre março e junho de 2025, com a mesma equipe técnica de A Morte do Demônio: o diretor de fotografia Dave Garbett, o compositor Stephen McKeon e o editor Bryan Shaw.
Um A Múmia com classificação 18+
O filme recebeu classificação R nos EUA por “conteúdo violento e perturbador, gore, linguagem e breve uso de drogas”. No Reino Unido, Irlanda, Canadá e Coreia do Sul, a classificação é 18+, a mais restritiva possível. Em 27 anos de franquia A Múmia, nenhum filme tinha passado do PG-13.
Pra colocar em perspectiva: o A Múmia de 1999 com Brendan Fraser era uma aventura divertida estilo Indiana Jones. O de 2017 com Tom Cruise tentou ser o início de um “Universo Dark” da Universal, fracassou e matou o projeto inteiro. O de Lee Cronin nem é da Universal. É da New Line Cinema (Warner Bros.), produzido pela Blumhouse de Jason Blum e pela Atomic Monster de James Wan. Ou seja: os caras por trás de Invocação do Mal, Corra, O Homem Invisível e A Morte do Demônio.
O caminho até aqui
Depois do desastre de 2017, a Universal mudou de estratégia. Abandonou o universo compartilhado e passou a entregar monstros clássicos pra diretores de horror trabalharem com liberdade criativa e orçamentos modestos. O Homem Invisível de Leigh Whannell custou US$ 7 milhões e funcionou. Abigail seguiu a mesma lógica. O novo A Múmia é a versão mais radical desse modelo: um diretor irlandês com carta branca pra fazer o filme de Múmia que ninguém esperava.
Lee Cronin tinha um trunfo que a maioria dos diretores de horror não tem. A Morte do Demônio provou que ele transforma orçamento baixo em bilheteria alta. O filme custou entre US$ 15 e 19 milhões e faturou US$ 147 milhões no mundo, tornando-se o filme de maior bilheteria de toda a franquia Evil Dead. Quando Cronin assinou pra fazer A Múmia em junho de 2024, ele já tinha credibilidade comercial e artística pra fazer o que quisesse.
Quando estreia
O filme estreia nos cinemas em 17 de abril. Na véspera, dia 16, a Blumhouse faz um evento especial de pré-estreia em 183 salas AMC de 47 cidades americanas, como parte da celebração anual “Halfway to Halloween”. A projeção de abertura nos EUA fica entre US$ 10 e 20 milhões, mas o boca a boca dos críticos pode empurrar pra cima.
Se Cronin repetir a fórmula de A Morte do Demônio, os estúdios vão ter que aceitar que o caminho pros monstros clássicos de Hollywood não é CGI e Tom Cruise. É um irlandês com uma câmera, um orçamento apertado e a disposição de fazer o público passar mal.
Felipe Ouder
Se tem explosão a cada 10 minutos, não é cinema. É TMZ.
Crítico e analista de cinema. Especialista em bilheteria e tendências da indústria audiovisual.
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