O biopic de Michael Jackson bateu o Bohemian Rhapsody em bilheteria. No mesmo dia, veio à tona um acordo secreto de 14 milhões de dólares com uma família que o acusa de abuso.

O biopic Michael abriu com $88M e bateu o Bohemian Rhapsody. No mesmo dia, quatro irmãos revelaram que o espólio pagou 14 milhões de dólares para silenciá-los. Os pagamentos pararam em 2025.

Beatriz Almeida
Beatriz Almeida Cinema é entretenimento, e eu tô aqui pra diversão
25 de abril de 2026 4 min
Cartaz oficial do filme Michael (2026) com Jaafar Jackson interpretando Michael Jackson
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Às vezes o timing fala por si mesmo.

O biopic de Michael Jackson abriu com 88 milhões de dólares nos Estados Unidos no fim de semana de 24 de abril, quebrando o recorde do Bohemian Rhapsody para maior estreia de um filme musical de todos os tempos. No mesmo dia em que o biopic Michael estreou nos cinemas, quatro irmãos tornaram pública uma ação judicial afirmando que o espólio de Jackson pagou 14 milhões de dólares à família para silenciá-los sobre abuso sexual - e que quando os pagamentos pararam, em 2025, eles decidiram processar.

Os Cascio: a família que defendeu Jackson por 25 anos e agora o processa

Os quatro autores da ação são Edward Joseph Cascio, Dominic Savini Cascio, Marie-Nicole Porte e Aldo Cascio. A família Cascio não é desconhecida para quem acompanha a história de Michael Jackson: Frank Cascio, irmão dos quatro, é um dos defensores públicos mais fervorosos do cantor - escreveu um livro descrevendo anos de amizade próxima e convívio cotidiano com Jackson.

A ação afirma que o abuso começou quando alguns dos irmãos tinham sete ou oito anos de idade e continuou por mais de uma década. O processo lista como locais o Rancho Neverland, a própria casa da família Cascio e residências de outras celebridades. As alegações incluem fornecimento de drogas e álcool, exposição a material pornográfico e abuso sexual.

A ação foi protocolada em 27 de fevereiro de 2026 na justiça federal de Los Angeles. Em 17 de abril, o espólio tentou mover o caso para arbitragem privada - longe dos tribunais públicos. A tentativa não funcionou, e o caso ganhou visibilidade exatamente no fim de semana de estreia do biopic.

O acordo de 14 milhões que o espólio não vai querer explicar

É o detalhe que torna a nota de imprensa do espólio mais difícil de defender.

Em janeiro de 2020, os cinco irmãos Cascio (incluindo Frank) assinaram um documento chamado “Acquisition and Consulting Agreement” com The Michael Jackson Company, LLC. O valor: 2,8 milhões de dólares por pessoa, totalizando cerca de 14 milhões de dólares para os cinco.

Os pagamentos pararam em 2025. O espólio afirma que as negociações fracassaram depois que as demandas dos Cascio chegaram a 213 milhões de dólares. Os autores afirmam que o acordo original foi construído para silenciá-los.

O advogado do espólio, Marty Singer, chamou a ação de “tentativa de extorsão desesperada,” citando os 25 anos em que a família defendeu Jackson publicamente. Mas “pagamos 14 milhões e agora estamos sendo extorquidos” é uma linha que os advogados de defesa vão ter trabalho para sustentar.

James Safechuck, um dos acusadores do documentário Leaving Neverland de 2019, também falou publicamente no dia da estreia do biopic.

O que o filme mostra - e o que ele não podia mostrar

O biopic Michael, dirigido por Antoine Fuqua, com Jaafar Jackson (sobrinho do cantor) interpretando o tio, abriu com o maior fim de semana de um filme musical da história. Críticos deram 39% no Rotten Tomatoes e chamaram o resultado de versão sanitizada. O público deu 94% de aprovação, CinemaScore A-.

O terceiro ato original do roteiro tratava das acusações de 1993: Jordan Chandler, então com 13 anos, acusou Michael Jackson de abuso sexual. Depois de filmar, os produtores descobriram que o acordo que encerrou aquele processo incluía uma cláusula proibindo retratar Chandler em filmes ou televisão. O ato foi reescrito. O diretor Antoine Fuqua reconstruiu o arco em torno do relacionamento abusivo de Michael com o pai, Joe Jackson.

O filme encerra com o Bad World Tour de 1988 em Londres - anos antes de qualquer acusação pública. Leaving Neverland não existe neste universo. Os Cascio tampouco.

Michael Jackson no Brasil e o que os fãs vão encontrar

Michael Jackson tem uma das maiores fanbases do mundo no Brasil, com shows históricos no país ao longo das diferentes turnês. Décadas de discografia, gerações de fãs. O debate sobre as acusações - especialmente depois de Leaving Neverland em 2019 - não passou sem deixar marcas por aqui.

Michael está em cartaz nos cinemas brasileiros agora. Quem for esperando o filme que examina as contradições da carreira vai sair insatisfeito: a versão que chega às telas encerra em 1988 por escolha artística e por impossibilidade jurídica ao mesmo tempo.

O espólio abriu o fim de semana defendendo o legado do artista nas telas. Fechou o fim de semana explicando 14 milhões de dólares na justiça.

Beatriz Almeida
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Beatriz Almeida

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Redatora de entretenimento e cultura pop. Cobre blockbusters e tendências do audiovisual.

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