A Paramount contratou um diretor que chama gamers de patéticos pra fazer o filme de Call of Duty

O diretor Peter Berg, responsável pelo filme de Call of Duty, chamou jogadores de "patéticos" e "fracos" numa entrevista de 2013 que a internet acabou de encontrar.

Yumi Rodrigues
Yumi Rodrigues Já vi tudo, ainda acho que tem série boa pra descobrir
29 de abril de 2026 5 min
Arte conceitual do filme de Call of Duty da Paramount Pictures com temática militar
!!

Eu precisei ler duas vezes pra ter certeza de que não era mentira.

O diretor do filme de Call of Duty chamou as pessoas que jogam Call of Duty de patéticas. Em entrevista. Com o nome completo. Sem qualificação, sem ironia, sem “claro que era piada”. E a Paramount sabia disso quando contratou Peter Berg pra comandar o projeto, ou não fez a pesquisa mais básica do mundo.

Qualquer uma das duas opções é constrangedora.

A entrevista de 2013 que ressurgiu na pior hora

Em 2013, Berg estava promovendo O Grande Herói (Lone Survivor) - seu filme sobre uma missão real dos Navy SEALs americanos - quando a revista Esquire perguntou o que ele achava de jogos de guerra como Call of Duty. A resposta não deixou espaço pra interpretação:

“Patético. Patético. Coragem de teclado. Não consigo suportar.”

O repórter perguntou se pelo menos dava um passe pra militares que jogam a franquia. Berg disse que sim - mas depois admitiu que, na conversa real, também não era bem isso. Perguntado sobre o que diria a pessoas próximas que jogam CoD, incluindo os próprios SEALs com quem conviveu durante as filmagens:

“Diria pra eles que jogar Call of Duty é patético. Acho que qualquer pessoa que fica sentada quatro horas jogando videogame… é fraqueza. Sai, faz alguma coisa.”

Treze dias antes dessas aspas voltarem pra assombrar a internet, Berg estava no palco da CinemaCon em Las Vegas dizendo que se sente “profundamente conectado com a comunidade de operações especiais” e que quer entregar o filme com “autenticidade total”. O público aplaudiu.

O mesmo homem disse pra um Navy SEAL que jogar Call of Duty era patético.

Quem é Peter Berg e por que o histórico importa

Berg não é um desconhecido. O Grande Herói (2013) é um bom filme. Horizonte Profundo: Desastre no Golfo (2016) também funciona. O problema é que ele também assina Battleship: A Batalha dos Mares (2012) - o filme baseado no jogo de tabuleiro Batalha Naval que entrou pra história como caso de estudo em como desperdiçar duzentos e nove milhões de dólares.

Battleship: A Batalha dos Mares arrecadou sessenta e cinco milhões de dólares nos Estados Unidos. O prejuízo estimado foi de 150 milhões. O próprio Berg disse depois que fez O Grande Herói pra “recuperar a própria reputação”. Não é paráfrase. É o que o homem disse.

Agora a Paramount apostou nele pra adaptar a maior franquia de jogos de tiro do planeta.

O tamanho do que está em jogo

Call of Duty vendeu mais de 500 milhões de cópias no mundo inteiro. Foram mais de 30 títulos desde 2003, cobrindo da Segunda Guerra Mundial até operações especiais fictícias, e a franquia foi a série de games mais vendida nos Estados Unidos por 16 anos consecutivos. O Warzone - o modo Battle Royale gratuito onde centenas de jogadores competem online até sobrar um vivo - acumulou dezenas de milhões de jogadores ativos no auge.

O público-alvo desse filme é, literalmente, o público que Berg chamou de patético.

Já falamos aqui sobre a corrida de Hollywood pra adaptar videogames, com mais de cinquenta projetos em desenvolvimento ao mesmo tempo. Call of Duty chegou até aqui depois de uma jornada longa e complicada: a Activision criou uma divisão própria pra desenvolver o filme em 2015, contratou o diretor Stefano Sollima em 2018, e viu o projeto morrer em 2020 sem chegar às câmeras. Só a compra da Activision pela Microsoft por 69 bilhões de dólares reabriu o caminho - e trouxe a Paramount e a Skydance junto.

A única notícia boa desse anúncio

O roteiro é de Taylor Sheridan, que co-escreveu com o próprio Berg.

Sheridan criou Yellowstone e escreveu Sicario: Terra de Ninguém e A Qualquer Custo - três trabalhos que mostram violência e conflito com consequências reais, personagens sem resposta fácil e tensão que não depende de explosão a cada dois minutos. Ele sabe o que está fazendo quando o assunto é masculinidade, guerra e moral complicada.

Se a contribuição de Sheridan for tão boa quanto o que ele entregou em Sicario: Terra de Ninguém, o filme tem base pra funcionar. A pergunta é quanto de Berg sobrou no roteiro - e o que ele vai fazer com esse material na direção.

O lançamento está marcado pra 30 de junho de 2028.

A reação da comunidade foi a que você imagina

“Esse cara estava odiando Call of Duty no auge do jogo. Por que está fazendo o filme agora?” virou o resumo oficial dos feeds.

“Os estúdios buscam especificamente o pior diretor possível pra adaptações de videogame” foi o diagnóstico mais cirúrgico que circulou.

Outros foram mais diretos: “Não vou ver o filme por causa do que Berg falou dos gamers.”

Nem Berg nem a Paramount se manifestaram sobre o assunto.

Dois anos e dois meses até o lançamento. Tempo de sobra pra ele dar uma entrevista se desculpando, ou pra todo mundo esquecer e ir mesmo assim. Eu sei que vou querer ver o que Taylor Sheridan escreveu.

Não vou gostar de admitir isso se o filme for bom.

Yumi Rodrigues
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Yumi Rodrigues

Já vi tudo, ainda acho que tem série boa pra descobrir

Especialista em séries de TV e plataformas de streaming. Analisa lançamentos e tendências.

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