Alex Garland dirige o filme de Elden Ring com orçamento recorde da A24, e o elenco entrega o jogo
A A24 anunciou o elenco do filme de Elden Ring, dirigido por Alex Garland com orçamento acima de 100 milhões de dólares e estreia em IMAX no dia 3 de março de 2028. O elenco é a pista mais clara do tipo de filme que vai aparecer.
A A24 anunciou hoje o elenco completo do filme de Elden Ring. Treze atores confirmados, rodagem começando essa semana no Reino Unido, estreia marcada para 3 de março de 2028. Orçamento superior a 100 milhões de dólares, superando Guerra Civil, que até essa semana era o filme mais caro já bancado pelo estúdio.
Na direção, o mesmo Alex Garland que dirigiu Guerra Civil. Ou seja, a A24 acabou de quebrar o próprio recorde para bancar o cineasta que detinha o recorde anterior.
A escolha do material diz muito sobre a A24 hoje. A escolha do diretor diz tudo sobre o tipo de filme de Elden Ring que vai aparecer em 2028.
Alex Garland não faz filme de franquia
A filmografia de Garland como diretor cabe em cinco títulos.
Ex Machina: Instinto Artificial custou 15 milhões de dólares e fez 37. Aniquilação rodou com cerca de 40 milhões, e depois de uma exibição-teste mal recebida a Paramount manteve o lançamento nos cinemas dos EUA, Canadá e China e licenciou os direitos de streaming internacional para a Netflix. Men - Faces do Medo saiu pequeno, faturou pouco mais de 11 milhões mundialmente. Warfare, codirigido com Ray Mendoza, rodou com orçamento contido. Guerra Civil custou 50 milhões e faturou 127.
Nenhum desses filmes é franquia. Nenhum tem sequência planejada. Garland trabalha com ideia fixa, executa, entrega, vai para o próximo. Como roteirista passou por Extermínio e Sunshine - Alerta Solar com o Danny Boyle, escreveu Não Me Abandone Jamais, e acaba de assinar o roteiro de Extermínio: A Evolução. Mundo colapsado, personagem isolado, tempo psicológico estranho. É a obra de alguém que prefere ambiguidade a resolução.
Entregar mais de 100 milhões de dólares para esse cara fazer Elden Ring não é decisão de estúdio preocupado com continuidade de marca. É decisão de estúdio apostando que o filme vai funcionar pelo mesmo motivo que o jogo funcionou. Porque o autor é estranho o suficiente.
O elenco de Elden Ring é a pista mais clara sobre o tom

Treze nomes foram confirmados. Vale olhar devagar.
Kit Connor, protagonista de Heartstopper, provavelmente será o Tarnished. Jovem, rosto sem marcas, arco dramático em construção. Vale lembrar que Connor já trabalhou com Garland em Warfare, o que sugere confiança estabelecida entre ator e diretor. Escolha clássica de filme que quer colocar o espectador dentro de um corpo ainda sem forma definida.
Ben Whishaw carrega Perfume - A História de um Assassino, Paddington e O Lagosta na bagagem. Cailee Spaeny saiu de Priscilla, da Sofia Coppola, direto para Guerra Civil e Alien: Romulus. Tom Burke passou por Mank e Furiosa: Uma Saga Mad Max. Jonathan Pryce tem Brazil - O Filme, do Terry Gilliam, Dois Papas e Game of Thrones.
Sonoya Mizuno é a chave. Ela esteve em Ex Machina: Instinto Artificial, em Aniquilação e em Devs. É a atriz de confiança do Garland, a presença que ele leva de projeto em projeto desde 2014. Quando Mizuno aparece em Elden Ring, aparece com o diretor. Nick Offerman também esteve em Devs, além de The Last of Us.
Esse não é elenco de filme de videogame convencional. É elenco de filme autoral britânico com orçamento de blockbuster. Arthouse com músculo financeiro.
Hidetaka Miyazaki, George R. R. Martin e Alex Garland

A trinca de autores por trás do projeto é desconfortável de um jeito interessante. Miyazaki criou o mundo, a mecânica, a atmosfera de luto universal que atravessa a FromSoftware desde Demon’s Souls. George R. R. Martin escreveu a mitologia de fundo, o que significa dinastias traídas, lealdades corrompidas, nenhum herói inteiro. Garland traduz essas duas linguagens para o cinema.
Três autores, três obras que não resolvem nada. É possível que essa combinação produza um filme denso demais para ser blockbuster. É possível também que produza o primeiro filme de videogame que não parece adaptação burocrática.
O roteiro, segundo a GamesRadar, tem 160 páginas mais 40 páginas extras de imagens, e foi escrito por Garland por conta própria antes mesmo do contrato, para convencer a FromSoftware e a Bandai Namco de que o projeto merecia confiança. Garland levou o material pessoalmente ao Japão. Miyazaki leu e aprovou. O fato de 160 páginas terem sido necessárias para vender a ideia sugere que Garland já pensava em filme longo, de respiração lenta.
Elden Ring estreia em IMAX, em 3 de março de 2028
O formato importa. A A24 nunca apostou em IMAX dessa forma. Guerra Civil teve distribuição IMAX limitada. Elden Ring está sendo filmado diretamente em IMAX, o que significa decisão tomada no primeiro dia de preparação.
Garland trabalhou até agora em escala contida. O momento mais monumental da filmografia dele é a floresta de Aniquilação, cheia de criaturas mutadas em planos médios. Elden Ring pede outra coisa. Pede paisagem. Pede a coragem cinematográfica de apontar uma câmera IMAX para um horizonte vazio e confiar que o espectador vai preencher o vazio com medo.
A janela de 3 de março de 2028 também é reveladora. Guerra Civil estreou em abril de 2024. A A24 está seguindo o mesmo calendário de filme-evento, longe do verão blockbuster, longe do Oscar, no começo do ano quando o público cinéfilo procura prestígio com ambição.
Se Elden Ring funcionar, Dark Souls e Bloodborne são os próximos
Fallout e The Last of Us validaram o modelo de adaptação de videogame em formato de série. O cinema ainda está preso na lógica familiar de Super Mario Bros. O Filme e Sonic. Elden Ring com Garland na direção e elenco arthouse é a primeira tentativa séria de tratar um jogo desse calibre com a ambição que a obra merece.
Se der certo, abre porta para Dark Souls, para Bloodborne, para Shadow of the Colossus serem adaptados por cineastas com filmografia autoral coerente. Se der errado, confirma o que parte da crítica já suspeita, que alguns mundos pertencem exclusivamente ao videogame.
O filme só chega daqui a 23 meses. Até lá, o que a gente tem é uma lista de nomes, um orçamento recorde e o fato de que Alex Garland gastou 160 páginas antes de ganhar contrato porque queria fazer esse filme especificamente. Isso já é motivo para levar a sério.
Felipe Ouder
Se tem explosão a cada 10 minutos, não é cinema. É TMZ.
Crítico e analista de cinema. Especialista em bilheteria e tendências da indústria audiovisual.
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