Alex Garland dirige o filme de Elden Ring com orçamento recorde da A24, e o elenco entrega o jogo

A A24 anunciou o elenco do filme de Elden Ring, dirigido por Alex Garland com orçamento acima de 100 milhões de dólares e estreia em IMAX no dia 3 de março de 2028. O elenco é a pista mais clara do tipo de filme que vai aparecer.

Felipe Ouder
Felipe Ouder Se tem explosão a cada 10 minutos, não é cinema. É TMZ.
20 de abril de 2026 6 min
Arte de divulgação do filme de Elden Ring, com direção de Alex Garland para a A24
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A A24 anunciou hoje o elenco completo do filme de Elden Ring. Treze atores confirmados, rodagem começando essa semana no Reino Unido, estreia marcada para 3 de março de 2028. Orçamento superior a 100 milhões de dólares, superando Guerra Civil, que até essa semana era o filme mais caro já bancado pelo estúdio.

Na direção, o mesmo Alex Garland que dirigiu Guerra Civil. Ou seja, a A24 acabou de quebrar o próprio recorde para bancar o cineasta que detinha o recorde anterior.

A escolha do material diz muito sobre a A24 hoje. A escolha do diretor diz tudo sobre o tipo de filme de Elden Ring que vai aparecer em 2028.

Alex Garland não faz filme de franquia

A filmografia de Garland como diretor cabe em cinco títulos.

Ex Machina: Instinto Artificial custou 15 milhões de dólares e fez 37. Aniquilação rodou com cerca de 40 milhões, e depois de uma exibição-teste mal recebida a Paramount manteve o lançamento nos cinemas dos EUA, Canadá e China e licenciou os direitos de streaming internacional para a Netflix. Men - Faces do Medo saiu pequeno, faturou pouco mais de 11 milhões mundialmente. Warfare, codirigido com Ray Mendoza, rodou com orçamento contido. Guerra Civil custou 50 milhões e faturou 127.

Nenhum desses filmes é franquia. Nenhum tem sequência planejada. Garland trabalha com ideia fixa, executa, entrega, vai para o próximo. Como roteirista passou por Extermínio e Sunshine - Alerta Solar com o Danny Boyle, escreveu Não Me Abandone Jamais, e acaba de assinar o roteiro de Extermínio: A Evolução. Mundo colapsado, personagem isolado, tempo psicológico estranho. É a obra de alguém que prefere ambiguidade a resolução.

Entregar mais de 100 milhões de dólares para esse cara fazer Elden Ring não é decisão de estúdio preocupado com continuidade de marca. É decisão de estúdio apostando que o filme vai funcionar pelo mesmo motivo que o jogo funcionou. Porque o autor é estranho o suficiente.

O elenco de Elden Ring é a pista mais clara sobre o tom

Kit Connor lado a lado com o Tarnished de Elden Ring, montagem de divulgação do elenco do filme da A24
Kit Connor lado a lado com o Tarnished de Elden Ring, montagem de divulgação do elenco do filme da A24

Treze nomes foram confirmados. Vale olhar devagar.

Kit Connor, protagonista de Heartstopper, provavelmente será o Tarnished. Jovem, rosto sem marcas, arco dramático em construção. Vale lembrar que Connor já trabalhou com Garland em Warfare, o que sugere confiança estabelecida entre ator e diretor. Escolha clássica de filme que quer colocar o espectador dentro de um corpo ainda sem forma definida.

Ben Whishaw carrega Perfume - A História de um Assassino, Paddington e O Lagosta na bagagem. Cailee Spaeny saiu de Priscilla, da Sofia Coppola, direto para Guerra Civil e Alien: Romulus. Tom Burke passou por Mank e Furiosa: Uma Saga Mad Max. Jonathan Pryce tem Brazil - O Filme, do Terry Gilliam, Dois Papas e Game of Thrones.

Sonoya Mizuno é a chave. Ela esteve em Ex Machina: Instinto Artificial, em Aniquilação e em Devs. É a atriz de confiança do Garland, a presença que ele leva de projeto em projeto desde 2014. Quando Mizuno aparece em Elden Ring, aparece com o diretor. Nick Offerman também esteve em Devs, além de The Last of Us.

Esse não é elenco de filme de videogame convencional. É elenco de filme autoral britânico com orçamento de blockbuster. Arthouse com músculo financeiro.

Hidetaka Miyazaki, George R. R. Martin e Alex Garland

George R. R. Martin ao lado de Hidetaka Miyazaki, os dois autores por trás do mundo de Elden Ring
George R. R. Martin ao lado de Hidetaka Miyazaki, os dois autores por trás do mundo de Elden Ring

A trinca de autores por trás do projeto é desconfortável de um jeito interessante. Miyazaki criou o mundo, a mecânica, a atmosfera de luto universal que atravessa a FromSoftware desde Demon’s Souls. George R. R. Martin escreveu a mitologia de fundo, o que significa dinastias traídas, lealdades corrompidas, nenhum herói inteiro. Garland traduz essas duas linguagens para o cinema.

Três autores, três obras que não resolvem nada. É possível que essa combinação produza um filme denso demais para ser blockbuster. É possível também que produza o primeiro filme de videogame que não parece adaptação burocrática.

O roteiro, segundo a GamesRadar, tem 160 páginas mais 40 páginas extras de imagens, e foi escrito por Garland por conta própria antes mesmo do contrato, para convencer a FromSoftware e a Bandai Namco de que o projeto merecia confiança. Garland levou o material pessoalmente ao Japão. Miyazaki leu e aprovou. O fato de 160 páginas terem sido necessárias para vender a ideia sugere que Garland já pensava em filme longo, de respiração lenta.

Elden Ring estreia em IMAX, em 3 de março de 2028

O formato importa. A A24 nunca apostou em IMAX dessa forma. Guerra Civil teve distribuição IMAX limitada. Elden Ring está sendo filmado diretamente em IMAX, o que significa decisão tomada no primeiro dia de preparação.

Garland trabalhou até agora em escala contida. O momento mais monumental da filmografia dele é a floresta de Aniquilação, cheia de criaturas mutadas em planos médios. Elden Ring pede outra coisa. Pede paisagem. Pede a coragem cinematográfica de apontar uma câmera IMAX para um horizonte vazio e confiar que o espectador vai preencher o vazio com medo.

A janela de 3 de março de 2028 também é reveladora. Guerra Civil estreou em abril de 2024. A A24 está seguindo o mesmo calendário de filme-evento, longe do verão blockbuster, longe do Oscar, no começo do ano quando o público cinéfilo procura prestígio com ambição.

Se Elden Ring funcionar, Dark Souls e Bloodborne são os próximos

Fallout e The Last of Us validaram o modelo de adaptação de videogame em formato de série. O cinema ainda está preso na lógica familiar de Super Mario Bros. O Filme e Sonic. Elden Ring com Garland na direção e elenco arthouse é a primeira tentativa séria de tratar um jogo desse calibre com a ambição que a obra merece.

Se der certo, abre porta para Dark Souls, para Bloodborne, para Shadow of the Colossus serem adaptados por cineastas com filmografia autoral coerente. Se der errado, confirma o que parte da crítica já suspeita, que alguns mundos pertencem exclusivamente ao videogame.

O filme só chega daqui a 23 meses. Até lá, o que a gente tem é uma lista de nomes, um orçamento recorde e o fato de que Alex Garland gastou 160 páginas antes de ganhar contrato porque queria fazer esse filme especificamente. Isso já é motivo para levar a sério.

Felipe Ouder
AUTOR

Felipe Ouder

Se tem explosão a cada 10 minutos, não é cinema. É TMZ.

Crítico e analista de cinema. Especialista em bilheteria e tendências da indústria audiovisual.

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