Enquanto todos correm para a IA, a gigante de Warhammer pisa no freio
A dona de Warhammer foi na contramão do mercado: proibiu IA generativa, criticou a tech e reafirmou o compromisso com artistas humanos.
Uma decisão que vai contra a maré
Parece que todo dia a gente acorda com uma nova empresa de tecnologia jurando que a inteligência artificial é a salvação da lavoura. É “revolução” pra cá, “eficiência” pra lá. Mas hoje, a Games Workshop - a gigante britânica por trás de Warhammer 40.000 - decidiu jogar um balde de água fria nesse alvoroço todo. E olha, não foi só um “não” educado; foi um posicionamento firme de que a Games Workshop proíbe IA em seus processos criativos.
A notícia veio junto com o relatório financeiro semestral da empresa (que, aliás, registrou lucros recordes). Enquanto a indústria de games demite artistas para “otimizar com IA”, a GW olhou para os números e disse: “preferimos humanos”.
”Ninguém está animado com isso”
O CEO Kevin Rountree não usou meias palavras. Durante a apresentação dos resultados, ele revelou que a empresa estabeleceu uma política interna descrita como “muito cautelosa”. O resumo da ópera? Nada de IA generativa para criar textos, artes ou miniaturas.
O fator humano acima de tudo
O que mais me pegou nessa história foi a franqueza do executivo. Segundo Rountree, a empresa até tem alguns gerentes seniores que entendem da tecnologia e estão experimentando com ela, mas o veredito atual é brutalmente honesto: “nenhum deles está animado com isso ainda”.
A política é clara: a empresa não vai usar IA para criar conteúdo ou design, e vai além, proibindo o uso não autorizado de IA em qualquer competição oficial, como o famoso Golden Demon. Para quem acompanha a cena de pintura de miniaturas, isso é um alívio imenso. A ideia é proteger a propriedade intelectual e, nas palavras deles, “respeitar nossos criadores humanos”.
💡 Dica: Se você participa de concursos de pintura ou cria fanart de Warhammer, fique atento. A tolerância da GW para artes geradas por máquina é zero.

O “lamento” sobre a tecnologia intrusiva
Mas a parte mais curiosa - e que, sinceramente, eu me identifiquei muito - foi o comentário do CEO sobre como essa tecnologia está sendo empurrada para nós. Rountree mencionou que a empresa precisa se monitorar constantemente por questões de segurança de dados e governança.
”Quer a gente goste ou não”
Ele soltou uma frase que resume o sentimento de muita gente hoje em dia: os motores de IA e aprendizado de máquina “parecem estar automaticamente incluídos em nossos telefones ou laptops, quer a gente goste ou não”.
É uma alfinetada sutil, mas poderosa. Mostra que a decisão não é apenas sobre “arte vs. robô”, mas também sobre segurança corporativa e controle. Em um mundo onde dados vazam como água em peneira, a cautela da Games Workshop faz todo sentido estratégico.
Contratando onde outros demitem
Para fechar com chave de ouro, o relatório financeiro trouxe um dado que vai na contramão absoluta do mercado atual de tecnologia e games. Em vez de cortar custos automatizando processos criativos, a Games Workshop anunciou que contratou mais pessoas.
A equipe de criativos - que inclui artistas conceituais, escritores e escultores - cresceu. O argumento é que são esses “indivíduos talentosos e apaixonados” que fazem o universo de Warhammer ser o que é. E vamos combinar? Eles estão certos. Nenhum comando consegue replicar a “alma” que um escultor coloca em uma miniatura pintada à mão.
O mercado financeiro pode até torcer o nariz para quem não abraça a “inovação” do momento, mas com uma receita de £332 milhões no semestre, a Games Workshop provou que o método tradicional ainda paga as contas - e muito bem.
Enfim, é refrescante ver uma empresa desse tamanho valorizando o “suor” humano. Se essa moda pega, quem ganha somos nós, jogadores e colecionadores.
Marina Costa
Entusiasta de tech e indie games
LEIA TAMBEM
O Bitcoin perdeu metade do valor e ninguém sabe explicar por quê. Mentira: todo mundo sabe.
Um post num blog gratuito derrubou a bolsa americana. O autor é um ex-paramédico.