12 Bicos e Plástico Quântico: A Insanidade das Impressoras 3D na CES 2026

Esqueça o Bambu Lab. A CES 2026 trouxe uma impressora com 12 bicos, filamento com pontos quânticos e metal caseiro. Bora ver o que tem dentro.

Bruno Silva
Bruno Silva Entusiasta de hardware e overclocker nas horas vagas
13 de janeiro de 2026 6 min
Imagem oficial: 12 Bicos e Plástico Quântico: A Insanidade das Impressoras 3D na CES 2026
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Doze. Doze bicos de extrusão em uma única máquina de mesa. Quando li a ficha técnica pela primeira vez, achei que fosse erro de digitação ou aquele marketing exagerado que a gente vê todo ano em Las Vegas. Mas não, a CES deste ano chutou o balde. Se você estava achando que o mercado de impressoras 3D CES 2026 seria apenas mais do mesmo - clones de Bambu Lab e velocidades marginalmente maiores -, prepare-se para repensar seu setup.

Nesta edição, o foco saiu um pouco da velocidade pura (que já meio que atingiu um teto físico para o FDM) e foi com tudo para multimaterial e química avançada. Vi de tudo: desde sistemas que prometem acabar com aquelas torres de purga gigantescas até filamentos que usam a mesma tecnologia das TVs de ponta.

Bora abrir as especificações dessas máquinas e entender o que realmente muda na sua bancada.

AtomForm Palette 300: O Monstro de 12 Cabeças

AtomForm Palette 300 12-nozzle 3D printer at CES 2026

Essa foi, sem dúvida, a estrela do show para quem curte hardware exótico. A AtomForm, uma empresa relativamente nova fundada em 2023, chegou com os dois pés na porta apresentando a Palette 300. A promessa? A “primeira impressora 3D inteligente de 12 bicos do mundo”.

Para quem imprime colorido hoje, sabe a dor que é: ou você usa um sistema tipo AMS (que corta, recolhe, empurra, troca) que gera toneladas de lixo com torres de purga, ou usa múltiplos cabeçotes (IDEX ou toolchangers) que são caros e complexos. A AtomForm decidiu que a solução era força bruta inteligente.

Trocas relâmpago e o fim do desperdício

A grande sacada aqui não é só ter 12 bicos, mas como eles funcionam. A AtomForm promete “trocas relâmpago”. Na prática, isso significa que a máquina não precisa purgar quilos de plástico para limpar o bico anterior, já que cada cor/material tem seu próprio caminho.

Segundo os dados divulgados no press release oficial, essa arquitetura reduz o desperdício em até 90%. Se você já imprimiu um bonequinho multicolorido onde a torre de lixo pesava mais que a peça, sabe que isso é música para os ouvidos (e para o bolso).

Eles também apresentaram o RFD-6, um sistema inteligente de gerenciamento e secagem de filamento. Considerando que gerenciar 12 rolos de filamento sem virar um ninho de gatos é quase impossível, esse acessório não é opcional, é sobrevivência.

💡 Tech Check: A equipe de engenharia da AtomForm veio da divisão de cortadores de grama robóticos da controladora MOVA. Pode parecer aleatório, mas faz sentido: esses caras manjam muito de motores de precisão e autonomia em ambientes “hostis”.

Creality SPARKX i7: A IA Não É Só Hype

Creality SPARKX i7 3D printer CES 2026 showcase

A Creality é aquela velha conhecida de guerra. Todo mundo já teve, tem ou xingou uma Ender 3. Mas na CES 2026, eles mostraram que querem brigar no segmento premium com a SPARKX i7, que inclusive levou o prêmio de “Melhor Impressora 3D” do Tom’s Hardware.

Quando o software salva o hardware

O foco da SPARKX i7 é a integração pesada de IA no fluxo de trabalho. A gente sabe que “IA” virou o tempero que colocam em tudo hoje em dia, mas na impressão 3D isso tem uma utilidade real: salvar impressões de 20 horas que deram errado na hora 19.

A máquina usa ferramentas impulsionadas por IA para monitorar a qualidade da peça em tempo real e melhorar o fluxo de impressão. A ideia é que a impressora entenda o que está acontecendo no bico e ajuste parâmetros automaticamente, algo crítico quando estamos falando de sistemas multicoloridos que a Creality está expandindo. Não é apenas sobre detectar falhas, mas sobre garantir que a qualidade da peça final seja consistente sem você precisar ficar ajustando a taxa de fluxo manualmente a cada troca de filamento.

Protopasta e a Ciência dos Pontos Quânticos

Agora, se especificações de máquina não te animam tanto quanto o material em si, a Protopasta roubou a cena no quesito “coisas brilhantes”. Eles apresentaram um filamento PLA baseado em Quantum Dots (Pontos Quânticos).

Nanotecnologia no seu hotend

Sim, é a mesma tecnologia que faz as TVs QLED terem aquelas cores absurdas. O filamento é preenchido com minúsculos cristais semicondutores, com apenas alguns nanômetros de diâmetro.

O resultado prático? Quando excitados por luz negra (UV), esses cristais hiper-fluorescem. Não é aquele brilho fosco de filamento “glow in the dark” antigo que parece brinquedo de 1,99. Segundo a Protopasta, o material produz um brilho significativamente mais vivo e intenso do que qualquer coisa atualmente no mercado.

Essa linha foi desenvolvida em colaboração com a artista Olga Alexapoulou, da Quantum Light, pioneira no uso desses pigmentos na arte. É nerdice em nível molecular aplicada a termoplásticos.

💡 Fica esperto: Esse material faz parte da linha experimental “Endless Exploration”. Se quiser testar, precisa assinar o serviço deles antes de fevereiro.

MetalPrinting Ltd: Metal na Bancada de Casa

Para fechar o tour de hardware pesado, uma empresa sul-coreana chamada MetalPrinting Ltd apareceu com a Gauss MT90. Enquanto a maioria foca em plástico, eles trouxeram uma solução compacta para metais.

Extrusão de Pasta Metálica (PME)

A tecnologia aqui é a PME (Extrusão de Pasta Metálica). Diferente daquelas máquinas industriais que usam laser para sinterizar pó de metal (e custam o preço de uma casa), a Gauss MT90 extruda uma pasta.

Basicamente, você imprime a peça “verde” e depois precisa processá-la (geralmente sinterização) para virar metal sólido. É uma barreira de entrada muito menor para quem precisa de peças metálicas funcionais e não quer vender um rim. A MetalPrinting Ltd mostrou que o segmento de metal “desktop” está finalmente amadurecendo para algo que não exige um laboratório da NASA para operar.

O Veredito Técnico: Vale o Upgrade?

Olha, sendo bem honesto com vocês: 2026 começou forte.

A AtomForm Palette 300 é o que mais me deixou curioso para testar na bancada. Se esse sistema de 12 bicos rodar liso sem entupir a cada 5 minutos, ela mata o conceito de AMS para usuários profissionais. A redução de 90% no lixo é o argumento que faltava para justificar o custo inicial mais alto.

Já a Creality continua jogando seguro mas eficiente, democratizando features que antes eram exclusivas de máquinas de 10 mil reais. Se a IA da SPARKX i7 funcionar metade do que promete, já vai salvar muita dor de cabeça.

E sobre os filamentos quânticos… cara, é caro? Provavelmente. É necessário? Não. Eu quero? Com certeza.

Os preços para o Brasil ainda são uma incógnita (como sempre), e a disponibilidade deve começar a rolar nos próximos meses nos EUA. Para nós, resta esperar os importadores ou arriscar aquele frete salgado.

E você, encararia gerenciar 12 rolos de filamento de uma vez ou prefere a simplicidade da IA da Creality?

Bruno Silva
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Bruno Silva

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