O iPhone 18 Pro vai custar 38% mais caro pra Apple fabricar, e a memória sozinha já responde por um terço da conta

A TrendForce estima alta de 38% no custo das peças do iPhone 18 Pro. A memória saiu de 10% para 34% da conta em um ano. No Brasil, a base já sai R$ 11.499.

Lucas Ferreira
Lucas Ferreira Gamer desde o PS1, cético desde sempre
10 de agosto de 2026 6 min
Mockup do iPhone 18 Pro em três cores, azul, vinho e preto, visto de costas e de perfil
!!

A TrendForce publicou nesta segunda a conta de fabricação do iPhone 18 Pro, e ela dá contexto pra cada rumor sobre o preço do iPhone 18 Pro que apareceu desde o começo do ano. As peças do modelo de 256 GB devem sair 38% mais caras pra Apple do que saíram as do iPhone 17 Pro. O culpado é o mesmo componente que estourou o orçamento de quem tentou montar um PC este ano: memória.

Vale entender o que esses 38% medem. A sigla que a indústria usa é BOM, ou lista de materiais: o que a Apple paga aos fornecedores por cada peça física que entra no aparelho. Fica de fora marketing, frete, imposto e a margem da própria Apple. Sobra o custo cru do hardware, e ele subiu 38% em doze meses.

A memória saiu de 10% para 34% do custo em um ano

O detalhe que assusta na pesquisa da TrendForce é onde o dinheiro foi parar. Memória, nesse caso, são duas coisas: a DRAM, que segura os apps abertos ao mesmo tempo, e a NAND, o armazenamento onde ficam suas fotos e seus jogos. Juntas, elas custavam pouco perto do resto do aparelho. Essa proporção virou.

  • Um ano atrás: cerca de 10% do custo das peças de um iPhone Pro de 256 GB
  • Terceiro trimestre de 2026: cerca de 34%
  • Primeiro semestre de 2027, na projeção da TrendForce: acima de 40%

Tela e processador, que sempre disputaram o topo dessa lista, devem cair para a casa de um dígito percentual. O chip de 2 nanômetros, aquele que a Apple vai passar vinte minutos de palco explicando em setembro, deve custar menos que os chips de memória que ninguém cita no keynote.

O motivo já é conhecido de quem tentou montar um PC este ano. Os data centers de inteligência artificial compram memória da mesma linha de produção que abastece celular, notebook e console, pagam mais e assinam contrato maior. Os preços de memória subiram de cinco a sete vezes desde o começo de 2025. Na teleconferência de resultados de 30 de julho, a última dele como CEO, Tim Cook chamou o mercado de memória de “enchente de cem anos”, disse que nunca viu nada parecido em mais de quarenta anos de indústria e avisou que a Apple vai pagar ainda mais caro pela memória no trimestre de setembro do que pagou no de junho. Foi a mesma pressão que levou a Coreia do Sul a distribuir PCs recondicionados de graça porque a máquina nova ficou fora do alcance do cidadão médio, num país que fabrica a memória do mundo inteiro.

A boa notícia da TrendForce é a Apple aceitar ganhar menos

A parte otimista do relatório: a consultoria acredita que a Apple vai sacrificar parte da margem bruta em vez de repassar o aumento inteiro, repetindo o que fez nos MacBooks recentes, cujo reajuste anunciado ficou abaixo do aumento real de custo. A lógica é preservar volume de vendas, que vale mais pra Apple do que alguns pontos de margem.

Absorver parte tem uma distância grande de absorver tudo. Os rumores de preço para os Estados Unidos falam em algo entre US$ 1.299 e US$ 1.399 na versão de 256 GB, contra US$ 1.099 do iPhone 17 Pro, e um analista já projetou até US$ 300 de aumento. A TrendForce ainda levanta a hipótese de a Apple reajustar iPhones antigos para diluir a conta, o que significa o 17 Pro ficando mais caro depois de lançado o sucessor.

Tem um segundo efeito que não aparece na tabela de preços. Ming-Chi Kuo diz que a Apple cortou os planos de envio de 2026 por falta de DRAM, com Mac Studio, Mac mini e MacBook Air já afetados e iPhone 18 Pro, Pro Max e o dobrável saindo em quantidade limitada. Macs e iPads subiram de preço em junho. Aparelho escasso na prateleira com a mesma demanda vira preço alto no varejo sem a Apple precisar mexer em nada na tabela oficial.

R$ 11.499 é o ponto de partida da conta brasileira

O iPhone 17 Pro de 256 GB custa R$ 11.499 na loja oficial da Apple no Brasil. O Pro Max sai por R$ 12.499 e a versão de 1 TB, por R$ 14.499. Nos Estados Unidos, o mesmo 17 Pro de 256 GB é vendido a US$ 1.099. Com o dólar em torno de R$ 5,13 nesta segunda, essa etiqueta americana equivale a R$ 5.638.

Ou seja: cada dólar de tabela americana vira R$ 10,46 aqui, entre imposto, custo de importação e o hábito da casa. Aplicando esse mesmo multiplicador ao pior cenário rumorado de US$ 1.399, o iPhone 18 Pro de 256 GB chegaria perto de R$ 14.600 no Brasil. A conta é minha, não da Apple, e serve só pra dar ordem de grandeza: o modelo de entrada da linha Pro custando o que hoje se paga pela versão de 1 TB.

Quem compra celular de R$ 1.500 leva a pior

O trecho mais duro do relatório fala dos concorrentes. A TrendForce projeta que as fabricantes Android vão enfrentar pressão de margem maior e aumentos de preço final maiores que os da Apple, e que os segmentos de entrada e intermediário são os mais expostos, por já trabalharem com margem apertada. A alternativa, escreve a consultoria, é subir bastante o preço ou tirar de linha modelos que entraram em margem negativa.

Traduzindo pra prateleira brasileira: a faixa que mais vende por aqui é justamente a que tem menos gordura pra queimar. Quando a empresa mais lucrativa do setor precisa comer parte do prejuízo pra não assustar o cliente, a fabricante que vende celular de R$ 1.200 não tem de onde tirar.

Se você ia trocar de aparelho, o calendário importa. Em setembro a Apple lança só o iPhone 18 Pro, o Pro Max e o dobrável; o iPhone 18 comum e o 18e ficaram para a primavera americana de 2027, o que joga a versão barata da linha para fora do trimestre de Natal e deixa o cliente escolhendo entre um Pro mais caro e o estoque do ano passado. Até setembro, o 17 Pro segue na tabela atual. Já vimos esse roteiro no aumento de US$ 50 no Switch 2, avisado com meses de antecedência: quem comprou na janela pagou o preço velho, quem esperou pagou o novo. A diferença é que a Nintendo avisou. A Apple prefere que você descubra no keynote.

Esperar 2027 também não resolve. A TrendForce vê a produção global de smartphones sob pressão do segundo semestre de 2026 até o ano que vem, e projeta a memória passando de 40% do custo das peças justamente no primeiro semestre do ano que vem. O iPhone 18 Pro vai vender bem de qualquer jeito, e a Apple vai chamar o aumento de investimento em tecnologia. Os 38% estão na memória, o mesmo chip que encareceu seu PC, seu console e o notebook que você adiou.

Lucas Ferreira
AUTOR

Lucas Ferreira

Gamer desde o PS1, cético desde sempre

Jornalista de tecnologia e games. Cobre a indústria tech e gaming há mais de 10 anos.

100% FREE * SEM SPAM

FICA POR
DENTRO

Todo domingo, um drop com o que você precisa saber sobre cultura pop e tech. Rápido, curado, sem spam.