A Larian não se segurou e mandou a real sobre a 'guerra' da Epic contra a Steam
O diretor da Larian foi direto ao ponto sobre a estratégia de jogos grátis da Epic: infla os números, mas não cria uma loja que se sustenta.
Tim Sweeney comprou briga, mas levou um “chega pra lá”
Parece que o Tim Sweeney, CEO da Epic Games, não consegue passar uma semana sem arrumar treta com a Valve. Mas dessa vez, a resposta veio de onde a gente menos esperava. No meio dessa guerra entre Epic e Steam, quem resolveu falar foi Michael Douse, o diretor de publicação da Larian Studios (sim, os gênios por trás de Baldur’s Gate 3). E olha, ele não aliviou.
A gente sabe que a Epic adora encher a nossa biblioteca de jogos grátis toda quinta-feira. Eu mesma tenho uns 200 jogos lá que nunca instalei. Mas segundo Douse, essa estratégia de “dar tudo pra todo mundo” pode até deixar os gráficos de usuários bonitos nas reuniões de acionistas, mas não constrói uma loja viável de verdade.
Números de vaidade vs. Loja que funciona
Ele basicamente disse que distribuir jogos de graça infla os números, mas não cria um ecossistema sustentável. E vamos ser honestos? O chat já sabia disso. A Epic Games Store foi lançada lá em dezembro de 2018 e, anos depois, a gente ainda sente falta de recursos básicos que a Steam tem há décadas.
O diretor da Larian mandou a real. Você entra, pega o jogo grátis e vaza. Isso não cria uma comunidade. É bem diferente de construir uma plataforma onde a galera quer gastar dinheiro e tempo, como acontece na loja do Tio Gaben.
💡 Dica: Se você é dev indie, cuidado com as promessas de exclusividade. O dinheiro rápido pode não compensar a falta de visibilidade a longo prazo.
A obsessão com os 30%
O Sweeney tem uma cruzada pessoal contra a taxa de 30% que a Valve cobra nas vendas. Ele já chegou a chamar os caras da Valve de “babacas” (isso tá documentado em processos judiciais, tá?) por causa dessas taxas. A Epic cobra 12%, o que no papel é lindo, mas a questão que fica é: o serviço entrega?
Ele vive batendo na tecla de que as taxas da Steam são irracionais. Recentemente, ele até conseguiu uma vitória nos tribunais contra o Google, provando que a Play Store era um monopólio ilegal. O cara tá com a confiança lá no alto e diz que a Epic está “financeiramente sólida” agora. Mas será que isso se traduz em uma experiência melhor pra gente que só quer jogar sem o launcher travar?
O problema dos jogos com IA e Review Bombing
Saindo um pouco da questão da grana, o Sweeney também resolveu criticar as regras da Steam sobre conteúdo gerado por IA. Segundo ele, as políticas da Valve e as tags de “Feito com IA” podem prejudicar estúdios pequenos e facilitar o review bombing.
É aquele negócio: ele tenta se pintar como o salvador dos pequenos desenvolvedores, mas a comunidade gamer é desconfiada. O argumento dele é que essas regras alimentam campanhas de cancelamento contra jogos que usam IA. Faz sentido? Talvez. Mas vindo de quem tá tentando desbancar a concorrência a qualquer custo, a gente sempre fica com um pé atrás.
Mas a Epic tá bem das pernas?
Sinceramente? O Tim Sweeney diz que a empresa está financeiramente saudável e que os gamers estão gravitando para jogos multiplayer “live service” (o que explica o foco eterno em Fortnite). Mas quando você vê uma gigante como a Larian - que fez o maior RPG dos últimos tempos sem depender dessas táticas - criticando o modelo de “comprar usuários” com jogos grátis, dá pra ver que a estratégia da Epic ainda não convenceu todo mundo da indústria.
A crítica mexe numa ferida: essa tal de fidelidade forçada. Difícil é fazer a galera preferir abrir o seu launcher por vontade própria. E nisso, a Steam ainda reina absoluta.
Para mais detalhes sobre essa treta toda, vale conferir a matéria original na PC Gamer ou ver a entrevista do Sweeney no The Verge.
Carla Mendes
Cobrindo esports desde 2018
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