O filme que emocionou Channing Tatum no Sundance 2026

Josephine destruiu o público no festival e se consagrou como a primeira grande sensação do ano com uma performance infantil assustadora.

Felipe Ouder
Felipe Ouder Se tem explosão a cada 10 minutos, não é cinema. É TMZ.
25 de janeiro de 2026 3 min
Cena do filme Josephine, estrelado por Channing Tatum e Gemma Chan
!!

Eu costumo dizer que se o filme não te deixa olhando pro nada por dez minutos depois dos créditos, ele falhou. Mas Josephine, o novo longa que acabou de estrear no Festival de Sundance 2026, parece ter levado isso a um nível perigoso. Ver o Channing Tatum - um cara que a gente associa a ação ou comédia física - admitir publicamente que chorou “cinco, seis, sete vezes” na estreia do próprio filme… olha, isso não é marketing de Hollywood. É trauma compartilhado. A obra dirigida por Beth de Araújo chegou chutando a porta e já é considerada a primeira “sensação” real do festival deste ano.

O burburinho no Eccles Theatre (saudades de pegar fila naquele frio maldito de Park City) foi instantâneo. O drama não tenta ser fácil. Pelo contrário, ele se propõe a ser uma experiência de esmagamento emocional.

Por que todos estão falando sobre ‘Josephine’

A premissa é daquelas que fazem você se ajeitar na cadeira desconfortável do cinema. O filme segue os destroços emocionais deixados após uma criança de oito anos testemunhar uma agressão sexual aterrorizante. Mas a direção da Beth de Araújo - que já tinha mostrado a que veio com Suaves e Discretas (Soft & Quiet) (2022) - faz uma escolha técnica que muda tudo.

A perspectiva que sufoca

Em vez de focar no drama judicial ou na perspectiva adulta logo de cara, o filme assume, literal e figurativamente, o ponto de vista da pequena Josephine, interpretada pela estreante Mason Reeves. É uma escolha de direção arriscada. Você limita seu campo de visão ao que uma criança de oito anos consegue processar e entender.

Segundo a crítica do The Daily Beast, Mason Reeves é um “fenômeno”. Não é aquela atuação infantil decorada, sabe? É algo visceral. Ela tenta compreender situações adultas que nenhuma criança deveria ter que decodificar. O filme força a gente a ver o mundo adulto, quebrado e feio, através de olhos que ainda deveriam ser inocentes.

💡 Nota do Cinéfilo: Fiquem de olho na Beth de Araújo. O segundo filme costuma ser a “prova de fogo” do diretor, e ela parece ter entregado uma obra-prima de tensão psicológica logo depois de um debut já impressionante.

Elenco de peso e reações viscerais

Channing Tatum na premiere de Josephine no Sundance 2026

Além da garota, temos Gemma Chan e Philip Ettinger no elenco, mas quem tá roubando a cena ao lado da pequena Mason é o próprio Channing Tatum. O The Guardian chamou a performance dele de “arrasadora”.

É interessante ver essa virada na carreira dele. O cara estava na plateia do Eccles e, segundo a Variety, “chorou pra caramba” ao ver o resultado final pela primeira vez. Ele comentou que a experiência foi exaustiva. E se o ator principal sai da sessão nesse estado, imagina o público.

O futuro do filme

Depois dessa recepção calorosa - com o público de pé no final da exibição - Josephine já está de malas prontas para o Festival Internacional de Cinema de Berlim. Isso é um sinal gigante de prestígio. Filmes que fazem o circuito Sundance-Berlim geralmente têm pernas longas na temporada de premiações.

O que isso significa pra gente aqui no Brasil? Que vamos ter que esperar um pouco. Mas com agentes da CAA e WME negociando, e com esse nível de expectativa, é questão de tempo até um streaming (ou, se os deuses do cinema permitirem, uma distribuidora de sala) pegar os direitos.

Preparem o psicológico. O filme tá na luta pra achar uma distribuidora. Não é filme pipoca, é filme cicatriz. E às vezes é exatamente disso que a gente precisa.

Felipe Ouder
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