Pânico 7 fez em três dias o que nenhum filme de terror conseguiu em 2026. Os críticos odiaram.

Pânico 7 estreou com US$59 milhões nos EUA, quebrando o recorde da franquia. Mas com 33% no Rotten Tomatoes, a briga entre público e crítica nunca foi tão feia.

Beatriz Almeida
Beatriz Almeida Cinema é entretenimento, e eu tô aqui pra diversão
28 de fevereiro de 2026 5 min
Poster oficial de Pânico 7 com Ghostface segurando a icônica máscara
!!

Pânico 7 abriu com US$59 milhões nos Estados Unidos. É o maior fim de semana de estreia da franquia inteira, o maior fim de semana de estreia de qualquer filme em 2026 até agora, e - detalhe - custou apenas US$45 milhões pra fazer. A Paramount tá rindo até a semana que vem.

Mas tem um asterisco nessa festa. E ele é grande.

Os números são absurdos

A bilheteria de Pânico 7 não é só boa - é historicamente boa pro gênero. O recorde anterior era de Pânico 6, que abriu com US$44,4 milhões em março de 2023. Pânico 7 superou isso por uma margem de US$15 milhões. Só nas sessões de quinta à noite, o filme faturou US$7,8 milhões - outro recorde da franquia.

Pra colocar em perspectiva: O Morro dos Ventos Uivantes, que era a maior estreia de 2026, abriu com US$32,8 milhões. Pânico 7 quase dobrou isso.

Neve Campbell como Sidney Prescott em cena de Pânico 7

E a parte que a Paramount mais gosta: com um orçamento de US$45 milhões, o filme já recuperou mais que o investimento só no mercado americano, no primeiro fim de semana. Ainda tem o internacional, o streaming, o home video. É lucro garantido.

A crítica destruiu

Aqui entra o asterisco. Pânico 7 tem 33% no Rotten Tomatoes. É a pior nota da franquia inteira. O Hollywood Reporter disse que “Neve Campbell voltou, mas não adiantou.” A Variety foi um pouco mais gentil, chamando de “volta ao básico”, o que no idioma da crítica de cinema significa “não tem nada de novo aqui.”

O CinemaScore ficou em B-, abaixo do B+ de Pânico 6. Pro público de cinema de terror, B- é aquela nota que diz “gostei mais ou menos mas não vou indicar pra todo mundo.”

O público no Rotten Tomatoes? 78%. Ou seja: quem foi ver gostou. Quem analisa pra ganhar a vida, nem tanto.

O fator Neve Campbell

Vamos falar do elefante na sala. Neve Campbell não estava em Pânico 6. A atriz saiu por causa de uma disputa salarial que ela mesma tornou pública: disse que a oferta da Paramount não condizia com o valor que ela trazia pra franquia. Melissa Barrera e Jenna Ortega assumiram como protagonistas. Pânico 6 fez US$169 milhões mundiais com orçamento de US$35 milhões - bom, mas não espetacular.

Aí tudo desandou. Em novembro de 2023, a Spyglass Media demitiu Melissa Barrera depois que ela publicou no Instagram posts criticando Israel pela guerra em Gaza - incluindo uma acusação de “genocídio e limpeza étnica” e um compartilhamento de um artigo da Jewish Currents sobre distorção do Holocausto pra impulsionar a indústria bélica israelense. A produtora soltou um comunicado dizendo ter “tolerância zero com antissemitismo ou incitação ao ódio em qualquer forma.” Logo depois, Jenna Ortega saiu do projeto - oficialmente por conflito de agenda com a segunda temporada de Wandinha, mas o timing levantou muitas sobrancelhas. O diretor Christopher Landon também abandonou o filme. A Paramount gastou US$500 mil só pra reescrever o roteiro e remover a personagem Sam Carpenter.

O resultado foi um dominó: Neve Campbell voltou, Kevin Williamson (que escreveu o Pânico original em 1996) assumiu a direção pela primeira vez na franquia, e na noite da premiere em Los Angeles, manifestantes pró-Palestina fizeram protesto na porta do Paramount Studios pedindo boicote ao filme. Barrera não comentou diretamente, mas postou nos stories do Instagram um “eu vejo vocês” seguido de um coração.

Neve Campbell em cena promocional de Pânico 7

O resultado é um filme que basicamente pergunta: vocês queriam Sidney Prescott de volta? Tá aqui. E o público respondeu com a carteira. US$59 milhões em três dias é a prova de que o nome Neve Campbell + Ghostface ainda move bilheteria de um jeito que a nova geração do elenco sozinha não conseguiu.

O que isso significa pra Hollywood

2026 tá se tornando um ano interessante nas bilheterias. Hollywood levou um tapa no Oscar e os blockbusters estão em crise de identidade, mas as franquias de terror seguem fazendo o que sempre fizeram: custam pouco, lucram muito e ignoram completamente o que a crítica pensa.

Pânico 7 custou US$45 milhões. Pra referência, Capitão América: Admirável Mundo Novo custou US$350 milhões e precisou de semanas pra se pagar. O modelo de negócio do terror é simplesmente mais inteligente: orçamento enxuto, marketing baseado em nostalgia, público fiel que aparece no primeiro fim de semana independente do que os críticos falam.

A Paramount já deve estar calculando Pânico 8. Com US$59 milhões domésticos no primeiro fim de semana e um orçamento que se paga em 72 horas, não existe executivo no mundo que não dê luz verde pra mais um.

E no Brasil?

Pânico 7 estreou no Brasil no dia 27 de fevereiro, junto com o mercado americano. O ingresso tá no preço padrão de lançamento de estúdio grande, variando por cidade e formato. A franquia sempre teve público fiel aqui - Pânico é um daqueles filmes que o brasileiro cresceu assistindo na Sessão da Tarde e nos DVDs dos anos 2000.

Se você é fã de terror e quer ver Neve Campbell lembrando todo mundo por que ela é a final girl definitiva, vai. Se você espera algo que reinvente a franquia, os críticos estão avisando que não é isso. Mas se US$59 milhões em três dias provam alguma coisa, é que a maioria das pessoas não tá nem aí pro Rotten Tomatoes quando o Ghostface liga.

Beatriz Almeida
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