Pânico 7 fez em três dias o que nenhum filme de terror conseguiu em 2026. Os críticos odiaram.
Pânico 7 estreou com US$59 milhões nos EUA, quebrando o recorde da franquia. Mas com 33% no Rotten Tomatoes, a briga entre público e crítica nunca foi tão feia.
Pânico 7 abriu com US$59 milhões nos Estados Unidos. É o maior fim de semana de estreia da franquia inteira, o maior fim de semana de estreia de qualquer filme em 2026 até agora, e - detalhe - custou apenas US$45 milhões pra fazer. A Paramount tá rindo até a semana que vem.
Mas tem um asterisco nessa festa. E ele é grande.
Os números são absurdos
A bilheteria de Pânico 7 não é só boa - é historicamente boa pro gênero. O recorde anterior era de Pânico 6, que abriu com US$44,4 milhões em março de 2023. Pânico 7 superou isso por uma margem de US$15 milhões. Só nas sessões de quinta à noite, o filme faturou US$7,8 milhões - outro recorde da franquia.
Pra colocar em perspectiva: O Morro dos Ventos Uivantes, que era a maior estreia de 2026, abriu com US$32,8 milhões. Pânico 7 quase dobrou isso.

E a parte que a Paramount mais gosta: com um orçamento de US$45 milhões, o filme já recuperou mais que o investimento só no mercado americano, no primeiro fim de semana. Ainda tem o internacional, o streaming, o home video. É lucro garantido.
A crítica destruiu
Aqui entra o asterisco. Pânico 7 tem 33% no Rotten Tomatoes. É a pior nota da franquia inteira. O Hollywood Reporter disse que “Neve Campbell voltou, mas não adiantou.” A Variety foi um pouco mais gentil, chamando de “volta ao básico”, o que no idioma da crítica de cinema significa “não tem nada de novo aqui.”
O CinemaScore ficou em B-, abaixo do B+ de Pânico 6. Pro público de cinema de terror, B- é aquela nota que diz “gostei mais ou menos mas não vou indicar pra todo mundo.”
O público no Rotten Tomatoes? 78%. Ou seja: quem foi ver gostou. Quem analisa pra ganhar a vida, nem tanto.
O fator Neve Campbell
Vamos falar do elefante na sala. Neve Campbell não estava em Pânico 6. A atriz saiu por causa de uma disputa salarial que ela mesma tornou pública: disse que a oferta da Paramount não condizia com o valor que ela trazia pra franquia. Melissa Barrera e Jenna Ortega assumiram como protagonistas. Pânico 6 fez US$169 milhões mundiais com orçamento de US$35 milhões - bom, mas não espetacular.
Aí tudo desandou. Em novembro de 2023, a Spyglass Media demitiu Melissa Barrera depois que ela publicou no Instagram posts criticando Israel pela guerra em Gaza - incluindo uma acusação de “genocídio e limpeza étnica” e um compartilhamento de um artigo da Jewish Currents sobre distorção do Holocausto pra impulsionar a indústria bélica israelense. A produtora soltou um comunicado dizendo ter “tolerância zero com antissemitismo ou incitação ao ódio em qualquer forma.” Logo depois, Jenna Ortega saiu do projeto - oficialmente por conflito de agenda com a segunda temporada de Wandinha, mas o timing levantou muitas sobrancelhas. O diretor Christopher Landon também abandonou o filme. A Paramount gastou US$500 mil só pra reescrever o roteiro e remover a personagem Sam Carpenter.
O resultado foi um dominó: Neve Campbell voltou, Kevin Williamson (que escreveu o Pânico original em 1996) assumiu a direção pela primeira vez na franquia, e na noite da premiere em Los Angeles, manifestantes pró-Palestina fizeram protesto na porta do Paramount Studios pedindo boicote ao filme. Barrera não comentou diretamente, mas postou nos stories do Instagram um “eu vejo vocês” seguido de um coração.

O resultado é um filme que basicamente pergunta: vocês queriam Sidney Prescott de volta? Tá aqui. E o público respondeu com a carteira. US$59 milhões em três dias é a prova de que o nome Neve Campbell + Ghostface ainda move bilheteria de um jeito que a nova geração do elenco sozinha não conseguiu.
O que isso significa pra Hollywood
2026 tá se tornando um ano interessante nas bilheterias. Hollywood levou um tapa no Oscar e os blockbusters estão em crise de identidade, mas as franquias de terror seguem fazendo o que sempre fizeram: custam pouco, lucram muito e ignoram completamente o que a crítica pensa.
Pânico 7 custou US$45 milhões. Pra referência, Capitão América: Admirável Mundo Novo custou US$350 milhões e precisou de semanas pra se pagar. O modelo de negócio do terror é simplesmente mais inteligente: orçamento enxuto, marketing baseado em nostalgia, público fiel que aparece no primeiro fim de semana independente do que os críticos falam.
A Paramount já deve estar calculando Pânico 8. Com US$59 milhões domésticos no primeiro fim de semana e um orçamento que se paga em 72 horas, não existe executivo no mundo que não dê luz verde pra mais um.
E no Brasil?
Pânico 7 estreou no Brasil no dia 27 de fevereiro, junto com o mercado americano. O ingresso tá no preço padrão de lançamento de estúdio grande, variando por cidade e formato. A franquia sempre teve público fiel aqui - Pânico é um daqueles filmes que o brasileiro cresceu assistindo na Sessão da Tarde e nos DVDs dos anos 2000.
Se você é fã de terror e quer ver Neve Campbell lembrando todo mundo por que ela é a final girl definitiva, vai. Se você espera algo que reinvente a franquia, os críticos estão avisando que não é isso. Mas se US$59 milhões em três dias provam alguma coisa, é que a maioria das pessoas não tá nem aí pro Rotten Tomatoes quando o Ghostface liga.
Beatriz Almeida
Cinema é entretenimento, e eu tô aqui pra diversão
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