Onze pessoas com acesso a segredos nucleares americanos estão mortas ou desaparecidas desde 2022. Quem conectou os pontos foi um tablóide.
Onze cientistas ligados à NASA, Los Alamos e programas de defesa americanos estão mortos ou desaparecidos desde 2022. O FBI abriu investigação depois que um tablóide fez a lista que as redações sérias ignoraram.
Onze cientistas ligados a programas nucleares, espaciais e de defesa dos EUA estão mortos ou desaparecidos desde 2022. O FBI confirmou, nos últimos dias, que está investigando se há conexão entre os casos.
Isso não é roteiro de série. É a lista que o Congresso americano tem em mãos agora.
Os nomes, as instituições e o que aconteceu com cada um
Seis morreram. Cinco sumiram. A maioria tinha acesso a informação classificada do governo americano - alguns diretamente ligados a programas nucleares e de defesa.
Mortos:
- Amy Eskridge (2022)
- Michael David Hicks (julho de 2023) - NASA Jet Propulsion Laboratory (JPL), projeto DART, a missão que testou defesa planetária colidindo uma espaçonave contra um asteroide
- Frank Maiwald (julho de 2024) - pesquisador principal do JPL/NASA
- Nuno Loureiro (dezembro de 2025) - diretor do MIT Plasma Science and Fusion Center, um dos centros de pesquisa de fusão nuclear mais relevantes dos EUA
- Carl Grillmair (fevereiro de 2026) - astrofísico do Caltech, missões NEOWISE da NASA
- Jason Thomas (março de 2026)
Desaparecidos:
- Anthony Chavez (maio de 2025) - Los Alamos National Laboratory, o laboratório que desenvolveu as primeiras bombas atômicas e segue como centro de pesquisa nuclear e de defesa
- Monica Reza (junho de 2025) - diretora de processamento de materiais do JPL/NASA
- Melissa Casias (junho de 2025) - Los Alamos
- Steven Garcia (agosto de 2025) - Kansas City National Security Campus, complexo de fabricação de componentes nucleares
- William “Neil” McCasland (27 de fevereiro de 2026) - major-general reformado da Força Aérea; saiu de casa em Albuquerque, Novo México, e não voltou
Três saíram sem o celular. Dois carregavam arma quando desapareceram. Um foi encontrado baleado na varanda de casa.
Esse último detalhe muda o tom da lista inteira.
O que o FBI disse
O diretor Kash Patel confirmou a investigação em declaração pública: “O FBI está liderando o esforço para buscar conexões entre os cientistas desaparecidos e falecidos. Estamos trabalhando com o Departamento de Energia, o Departamento de Guerra e com parceiros estaduais e locais para encontrar respostas.”
O Departamento de Guerra é o nome atual do que era Departamento de Defesa - rebatizado pela administração Trump em 2025.
James Comer, presidente do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes, foi mais direto: “Quando você vê os fatos, eles sugerem que algo sinistro pode estar acontecendo, e isso seria uma ameaça à segurança nacional.” O Comitê enviou cartas ao FBI, à NASA, ao Departamento de Energia e ao Departamento de Defesa exigindo briefings até 27 de abril.
Trump, questionado sobre o assunto após uma reunião interna, classificou como “coisa bem séria.”
Quem fez a lista primeiro
O que forçou a atenção pública foi o Daily Mail.
O tablóide britânico foi o primeiro a publicar a lista completa e conectar os casos numa única reportagem. Antes disso, cada morte ou desaparecimento tinha sido coberto isoladamente - ou ignorado. Chris Swecker, ex-assistente do diretor do FBI, disse ao Daily Mail: “Todos esses casos são suspeitos, e são cientistas que trabalharam em tecnologia crítica.”
A entrevista forçou CNN, NBC e Fortune a cobrir o assunto. O FBI foi obrigado a se posicionar publicamente. É o tipo de situação que as redações sérias preferem não comentar: um tablóide fez o trabalho jornalístico que elas não fizeram.
O que ainda não se sabe
Nenhuma conexão foi confirmada entre os casos. Nenhum suspeito foi identificado publicamente. Legisladores americanos apontam para China, Rússia e Irã - mas isso é especulação política, não dado investigativo.
Existe uma questão estatística legítima: o universo de profissionais com acesso a programas classificados nos EUA é imenso. Mortes e desaparecimentos ao longo de quatro anos, dentro de uma população grande, podem estar dentro do esperado. A seleção de quais casos entram na lista altera toda a análise.
Mas o FBI não abre investigação federal como exercício de relações públicas. Eles abriram porque algo nos dados justificou.
O briefing ao Congresso estava marcado para 27 de abril. O que sair de lá vai ditar se isso é o começo de uma resposta ou mais silêncio.
Lucas Ferreira
Gamer desde o PS1, cético desde sempre
Jornalista de tecnologia e games. Cobre a indústria tech e gaming há mais de 10 anos.
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