The Last of Us 3 escolheu uma atriz cis para viver Lev - e o fandom não está calado

A HBO escalou Kyriana Kratter, atriz cis de 15 anos, para o papel de Lev - personagem trans de The Last of Us. O fandom tem sentimentos.

Yumi Rodrigues
Yumi Rodrigues Já vi tudo, ainda acho que tem série boa pra descobrir
21 de março de 2026 3 min
Kyriana Kratter, atriz escalada como Lev na terceira temporada de The Last of Us
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Quando vi Kyriana Kratter escalada como Lev em The Last of Us 3, a primeira coisa que pensei foi: tá, mas e o Ian Alexander?

A HBO anunciou esta semana que Kyriana Kratter - 15 anos, cisgênero, conhecida como KB em Star Wars: Skeleton Crew no Disney+ - vai interpretar Lev na terceira temporada. Michelle Mao, de Bridgerton, entra como Yara. Dois papéis enormes para duas caras novas, e a internet reagiu como a internet reage.

Para quem não jogou The Last of Us Part II: Lev é um garoto trans de 13 anos. Sua história - fugir dos Serafitas com a irmã Yara, sobreviver a uma comunidade que o rejeita por quem ele é, criar um vínculo improvável com Abby num mundo que só ensina ódio - é uma das partes mais emocionalmente densas de todo o jogo. O personagem não existe sem essa dimensão. Tirar o trans de Lev é tirar o Lev.

No jogo, Lev foi dublado por Ian Alexander. Ian Alexander é trans. Essa escolha não era acidental.

À esquerda, Lev no jogo The Last of Us Part II; à direita, Ian Alexander, o ator trans que deu voz ao personagem
À esquerda, Lev no jogo The Last of Us Part II; à direita, Ian Alexander, o ator trans que deu voz ao personagem

A produção realizou um processo de “casting inclusivo” antes de fechar com Kyriana. Os produtores disseram que ela foi quem melhor “incorporou o personagem”. Dependendo de quem você é, essa frase soa de formas muito diferentes.

Para muita gente da comunidade trans e dos fãs do jogo, a pergunta não é complicada: por que uma atriz cis vai viver um personagem trans quando atores trans existem e estão disponíveis? O Kotaku foi direto: uma pena de verdade. Não estou em posição de discordar.

A conversa sobre casting trans não é nova. Hilary Swank ganhou Oscar por Boys Don’t Cry em 1999. Eddie Redmayne foi indicado por A Garota Dinamarquesa em 2016. Scarlett Johansson tentou o mesmo em 2018 e saiu do projeto depois da reação pública. A indústria foi mudando - a contragosto, devagar, mas foi.

O que torna The Last of Us mais complicado é que eles claramente pensaram no assunto. Não ignoraram - fizeram o processo inclusivo, abriram o casting, e ainda assim chegaram a uma escolha cis. Pode ser que dentro daquelas audições Kyriana realmente fosse a melhor opção disponível. Pode ser que o processo tenha tido limitações que a gente de fora não vê. Difícil saber sem ter estado na sala.

O que não dá pra ignorar: para muitas pessoas trans, Lev foi um dos primeiros personagens trans em um jogo mainstream tratado com cuidado de verdade. Não era o alívio cômico, não era a vítima decorativa. Era uma pessoa, com história, com contradições, com amor pela irmã e raiva do mundo que o rejeitou. Isso importou muito em 2020. Importa ainda agora.

A terceira temporada vai focar em Abby - Kaitlyn Dever, que foi uma das melhores coisas da segunda temporada, e isso dá esperança. O arco de Abby com Lev e Yara é literalmente o coração emocional da parte do jogo que vão adaptar. A relação entre os três é o que dá peso e sentido à jornada toda de Abby. Não tem como fazer esse arco direito sem fazer Lev direito.

Kyriana Kratter demonstrou talento em Skeleton Crew. Esse ponto não está em discussão. O que está em discussão é o que significa contar a história de um garoto trans - e quem tem mais a dizer dentro dela.

A série começa as filmagens em breve. O debate vai continuar junto.

Yumi Rodrigues
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Yumi Rodrigues

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Especialista em séries de TV e plataformas de streaming. Analisa lançamentos e tendências.

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