A indústria tech encontrou um novo brinquedo: 'Physical AI'
Esqueça os chatbots. A nova onda do mercado é colocar inteligência em corpos robóticos, mas será que essa tecnologia aguenta o mundo real?
Eu já estava quase desistindo de acompanhar notícias de ‘inovação’ só para não ter que ouvir falar de mais um chatbot que escreve poesia ruim. Mas parece que o mercado não descansa e precisa vender o próximo sonho.
A ‘máquina de hype’ ligou os motores novamente, e dessa vez o barulho é alto.
O que é isso?
Vamos traduzir o ‘tech-speak’ para o português claro. O termo que a galera técnica usava antes era ‘IA Incorporada’, mas convenhamos, ‘IA Física’ soa mais vendável em capa de revista.
Basicamente, estamos falando de tirar o cérebro digital da nuvem e colocá-lo em algo que ocupa espaço, tem peso e pode (potencialmente) quebrar coisas na sua casa. Diferente dos agentes digitais que só processam texto ou imagem, a IA Física precisa:
- Perceber: Usar câmeras e sensores para ‘ver’ o mundo.
- Raciocinar: Entender que aquela mancha no chão é óleo, não sombra.
- Agir: Controlar motores para desviar ou interagir.
Pense em robôs humanoides, drones, empilhadeiras autônomas e os famosos robotáxis. Se tem motor e toma decisão sozinho, entrou no balaio.
Do digital para o concreto
A moda do momento, que tá bombando no TechCrunch Mobility, é a tal da ‘IA Física’, tentando nos convencer de que a inteligência artificial resolveu sair dos servidores e ganhar um corpo. Segundo o artigo original do TechCrunch, essa tecnologia está revolucionando o setor de mobilidade. A promessa é interessante: sistemas que aprendem direto da interação física.
💡 O Pulo do Gato: Se um sistema físico não tem essa inteligência adaptativa, ele é só uma máquina velha e burra. A ‘IA Física’ é o que separa um robô aspirador que bate na parede aleatoriamente de um que sabe que você deixou o tênis no meio da sala.
A máquina de hype está a todo vapor
Aqui é onde meu ceticismo de sempre entra em cena. O relatório aponta que o hype em torno de humanoides e IA física está ‘palpável’. Isso me lembra muito a febre de realidade virtual de alguns anos atrás ou o começo dos carros autônomos.
Aliás, falando em carros autônomos, eles foram meio que os ‘beta testers’ dessa bagunça toda. Os veículos autônomos foram a primeira onda de robôs a tentar enfrentar o mundo real em larga escala, servindo de teste de estresse tanto para a tecnologia quanto para a nossa paciência.
O problema é a facilidade com que empresas entram na onda. O dossiê menciona que existem centenas de empresas desenvolvendo, por exemplo, óculos com IA. A pergunta que fica é: quantas dessas vão entregar um produto que presta e quantas vão sumir com o dinheiro dos investidores daqui a seis meses?
A realidade é dura:
- A maioria ainda está na fase de ‘experimentação impulsionada pelo hype’.
- Muitas vezes, o barulho do marketing é maior que o avanço funcional.
- De centenas de projetos, apenas uma fração está se preparando para implantação real.
2026 é o ano da verdade?
Algumas fontes sugerem que 2026 é o ano em que a IA entra de vez no mundo físico. A tese é que esses robôs inteligentes podem pavimentar o caminho para a tal da AGI (Inteligência Artificial Geral) - o ‘santo graal’ da computação.
Eu? Eu só acredito vendo.
É fácil fazer um vídeo promocional de um robô dobrando uma camisa em ambiente controlado, com luz perfeita e velocidade acelerada na edição. Quero ver ele fazer isso na minha lavanderia bagunçada sem travar ou tacar fogo na roupa.
Enquanto a tecnologia não provar que aguenta o ‘tranco’ do dia a dia sem custar o preço de um apartamento, ‘IA Física’ continua sendo uma palavra bonita para investidor ver. Vamos ficar de olho, mas segurando a carteira.
Lucas Ferreira
Gamer desde o PS1, cético desde sempre
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