O produtor de Arc Raiders disse que pode jogar as Expedições inteiras fora. A quinta e última termina dia 29 de setembro

Aleksander Grøndal disse que sucatear o sistema está na mesa. A decisão sai depois de Frozen Trail, que chega em 8 de outubro.

Carla Mendes
Carla Mendes Cobrindo esports desde 2018
15 de setembro de 2026 5 min
Cápsula cilíndrica das Expedições de Arc Raiders suspensa por cabos e ganchos dentro do esconderijo subterrâneo, com beliches, prateleiras e bancada de oficina ao fundo
!!

Perguntado na gamescom sobre o futuro das Expedições do Arc Raiders, Aleksander Grøndal respondeu que pode não haver futuro nenhum.

“Talvez a gente jogue o sistema inteiro fora. Isso também está na mesa”, disse o produtor executivo da Embark Studios em entrevista à PCGamesN. “No momento a equipe está tentando descobrir quais são os próximos passos das Expedições”.

A quinta Expedição fecha dia 29 e não tem sexta marcada

Em 21 de agosto, a Embark publicou um post oficial anunciando que as Expedições entrariam em pausa depois da quinta rodada, e que só voltariam no começo de 2027. A justificativa era fazer “melhorias grandes” no sistema. A quinta Expedição abriu em 8 de setembro e fecha em 29 de setembro.

Naquele momento, a leitura da comunidade foi de pausa técnica. Some por uns meses, volta melhor. A fala de Grøndal na gamescom mudou o cenário: a volta virou hipótese, e o fim virou possibilidade real.

Para quem chegou agora, as Expedições são o ciclo sazonal do Arc Raiders, o sistema que funciona como wipe parcial. Em extraction shooter, “wipe” é o reset periódico em que todo mundo volta à estaca zero para o jogo não virar um clube de veteranos com estoque infinito. O wipe do Arc Raiders é parcial, ou seja, você não perde tudo, e cada Expedição concluída rende pontos de habilidade permanentes com buffs de experiência, de geração de recurso e de reparo.

Quem já acumulou esses buffs pode respirar: a Embark confirmou que eles continuam valendo durante a pausa. O que some é a chance de ganhar mais.

As três reclamações que a Embark aceitou

No post de agosto, a Embark listou o que a comunidade cobrava: janelas de participação apertadas, estrutura de recompensa fraca e acessibilidade ruim para quem chega novo. O estúdio disse que esses pontos “pedem mudanças maiores”.

Quem acompanha o jogo desde o começo do ano sabe que essa lista não nasceu agora. Em abril, a própria Embark admitiu em post oficial que grindar moeda para bater meta de estoque era chato e trocou o sistema por um Desafio de Dano de cinco dias. O problema é que trocar a tarefa não resolveu a estrutura. O jogador continuou entrando numa janela curta, cumprindo tabela e saindo.

Cinco Expedições, três formatos testados, e o estúdio chegou em setembro sem saber se o sistema deve existir.

A decisão só sai depois de 8 de outubro

Grøndal foi claro sobre o calendário: a Embark vai anunciar o destino das Expedições depois que Frozen Trail estiver no ar. A atualização sai em 8 de outubro com mapa gelado, sistema de outposts e reforma na árvore de habilidades.

Não existe data firme para o veredito. Começo de 2027 é a janela que a Embark citou em agosto, e Grøndal não repetiu esse compromisso na gamescom.

Enquanto isso, os números seguem apertando. Arc Raiders bateu 481.318 jogadores simultâneos no Steam em novembro de 2025. A média de setembro de 2026 está em 19,6 mil por dia, queda de 15,4% em relação a agosto. É cerca de 4% do pico.

O sistema que ia segurar o jogador virou o motivo de ele sair

A Embark cortou as atualizações mensais para duas grandes por ano justamente porque queria entregar coisa mais robusta. Depois o próprio Grøndal admitiu que o estúdio não conseguiu acompanhar o ritmo dos jogadores. Agora o mecanismo desenhado para dar motivo de voltar entre uma atualização e outra entra em pausa indefinida, e o estúdio cogita apagá-lo do jogo.

Sobrou o quê para segurar quem joga entre outubro e o começo de 2027? Frozen Trail. Uma atualização, sozinha, tem que dar conta de seis meses de calendário sem ciclo sazonal nenhum rodando por baixo.

Colocar o destino das Expedições depois do lançamento de Frozen Trail é uma escolha defensável. Ver como a base reage ao mapa novo antes de decidir o que fazer com a progressão sazonal é leitura de dado, e a Embark passou o ano sendo criticada exatamente por decidir rápido demais. O risco é o outro lado da moeda: o jogador que está em cima do muro agora recebe a mensagem de que nem o estúdio sabe qual vai ser a estrutura de longo prazo do jogo que ele está pensando em voltar a jogar.

Grøndal tem feito o oposto do que a maioria dos produtores de live service faz, que é falar bonito e empurrar o problema. Ele disse que a equipe não deu conta, disse que o ritmo estava raso, e agora disse que pode jogar fora um sistema que o estúdio defendeu por cinco rodadas. Honestidade é raro o suficiente para contar como ponto a favor.

Só que honestidade não preenche calendário. Em 8 de outubro a Embark entrega Frozen Trail e a conversa muda de assunto por umas semanas. Depois disso, alguém vai ter que dizer o que acontece com as Expedições, e “estamos avaliando” já foi usado.

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Carla Mendes

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Cobrindo cenário competitivo de esports desde 2018. Acompanha torneios e equipes profissionais.

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