Diablo 5 só sai em 2029 e começa cem anos depois da derrota: Santuário caiu e Diablo governa Westmarch
A Blizzard anunciou Diablo 5 para 2029: cem anos depois de Diablo 4, Santuário já caiu. Jennifer Hepler, de Dragon Age 2, comanda a narrativa.
Todo Diablo começa do mesmo jeito. Você chega numa vila, alguém sussurra que o mal está se aproximando, e você é a última esperança. Trinta anos de franquia e quatro jogos principais depois, a estrutura nunca mudou.
Diablo 5 começa com você tendo chegado tarde demais.
A Blizzard anunciou o jogo na BlizzCon 2026, no dia 12 de setembro, com janela para o segundo trimestre de 2029. A história se passa cerca de cem anos depois de Diablo 4: Lord of Hatred, e nesse século todo mundo perdeu. Santuário caiu. Os heróis que você controlou nos jogos anteriores morreram. Diablo tomou Westmarch e transformou a cidade num posto avançado do Inferno em terra firme.
Eu li essa premissa e fiquei com aquela sensação boa de quando um estúdio grande finalmente resolve arriscar. A PCGamesN resumiu melhor do que ninguém: dessa vez, Diablo já ganhou. O jogo inteiro se passa no depois.
Herdeiro de Westmarch, o protagonista que sobrevive ao Reino do Terror
O seu personagem tem título: Herdeiro de Westmarch. E tem um problema interessante, que é ter alguma ligação inexplicada com o próprio Diablo, coisa que a campanha promete esclarecer lá na frente.
Na prática, essa ligação permite atravessar o Reino do Terror, a dimensão onde os outros sobreviventes simplesmente ficam presos, e sair inteiro do outro lado. Segundo a Blizzard, isso faz de você ao mesmo tempo uma ameaça a ele e alguém especialmente vulnerável à influência dele.
Gosto disso porque inverte a lógica do herói de ARPG, os RPGs de ação em que você clica em monstro até cair um item melhor. Nesse gênero a sua identidade costuma ser um vazio confortável: você é a classe que escolheu e mais nada, um pretexto pra clicar em demônio. Em Diablo 5, o protagonista carrega uma dívida com o vilão antes da primeira fase começar.
Jennifer Hepler saiu da BioWare e levou os companheiros de Dragon Age pro Inferno
A diretora narrativa do projeto é Jennifer Hepler.
Hepler passou de 2005 a 2013 na BioWare. Escreveu boa parte do conteúdo anão de Dragon Age: Origins, incluindo a origem do Plebeu Anão. Escreveu Anders, um dos personagens mais discutidos de Dragon Age 2. Passou por Star Wars: The Old Republic e por Dragon Age: Inquisition. É gente que construiu carreira inteira fazendo você se importar com quem anda ao seu lado.
E ela levou exatamente isso pro Diablo. Em vez das cidades fixas de sempre, onde você vende loot e ouve três falas repetidas, Diablo 5 organiza a vida social do jogo em torno de uma caravana que atravessa as terras arrasadas com você. Os integrantes funcionam como vendedores e como personagens recorrentes, cada um com o próprio arco.
O elenco confirmado até agora já tem uma ex-Irmã do Olho Cego, a ordem de arqueiras que deu origem à classe Rogue nos dois primeiros Diablo, e um Goblin do Tesouro encalhado, descrito como alguém em busca de sentido num mundo onde a ganância perdeu o propósito. Um Goblin do Tesouro deprimido. A criatura que a franquia inteira te treinou a perseguir e esfaquear agora senta na fogueira e tem crise existencial.
Hepler comparou a caravana ao acampamento de Dragon Age e Baldur’s Gate, aquele lugar onde você para entre missões pra conversar com os companheiros. “Minha experiência com RPGs tradicionais foi sem dúvida um ponto forte na hora de construir isso”, disse ela.
Cavaleiro Pestilento, mundo procedural e a volta do inventário em grade
Do lado mecânico, a Blizzard prometeu mais classes no lançamento do que qualquer Diablo anterior. Três foram reveladas: Caçador de Demônios e Monge voltam de Diablo III, e a novidade é o Cavaleiro Pestilento, um brutamontes de armadura pesada que espalha e devora doenças no campo de batalha. O diretor do jogo, Joe Shely, chamou a classe de morte ambulante durante a apresentação.
Santuário agora é procedural, ou seja, o mapa é montado por algoritmo a cada visita em vez de ser desenhado à mão uma vez só. A novidade é que o sorteio alcança o mundo aberto, e não só as masmorras: o terreno, os pontos de interesse, os monstros e as recompensas mudam quando você volta a uma região já explorada.
A itemização, que é o sistema de como o loot cai e se combina, foi puxada de Diablo II. Volta o inventário em grade, aquele quebra-cabeça de espaço em que a espada de duas mãos ocupa meia mochila, e voltam as runas e palavras rúnicas, combinações fixas de runas encaixadas num item que liberam poderes específicos. É uma declaração de gosto bem clara sobre qual Diablo a Blizzard considera o certo.
Três anos é muito tempo pra um anúncio de palco
Segundo trimestre de 2029. Isso é daqui a quase três anos, e todo mundo que joga há tempo suficiente sabe o que janela de lançamento anunciada em palco de convenção costuma valer. A Bethesda vem prometendo há anos que o Elder Scrolls 6 segue no cronograma enquanto demite gente do estúdio, e a gente continua esperando. A própria BlizzCon 2026 anunciou o novo StarCraft, um jogo de tiro em mundo aberto, só para 2030.
Enquanto isso, o Diablo que existe de verdade continua ativo. A edição padrão de Diablo 4 está a R$ 244,90 na PlayStation Store brasileira, e o pacote com as duas expansões sai por R$ 299,90. Hoje mesmo, 15 de setembro, a Blizzard lança a temporada Infernal Legacy, que comemora os 30 anos da franquia, e coloca o Diablo IV: Age of Hatred Collection no Switch 2 por US$ 69,99 com as duas expansões inclusas. A classe Amazona chega no primeiro semestre de 2027.
Traduzindo o calendário: você tem três anos de Diablo 4 pela frente antes de Diablo 5 existir, e a Blizzard sabe disso melhor do que você.
O que me deixa otimista mesmo assim é que a premissa não parece marketing. Começar depois da derrota obriga o jogo a mudar de tom, e um mundo em que a ganância perdeu o propósito é um lugar estranho e triste pra construir um ARPG inteiro sobre matar demônio por item melhor. Contratar a pessoa que escreveu Anders pra cuidar dessa parte indica que alguém na Blizzard entendeu o tamanho da aposta.
Falta só sobreviver até 2029 pra descobrir se o resto do estúdio entendeu também.
Marina Costa
Entusiasta de tech e indie games
Especialista em games indie e multiplayer. Jogadora e analista de mecânicas de jogo.
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