Marvel's Wolverine fechou em 78 no Metacritic, a pior nota da Insomniac em dez anos. A Sony emplaca indicado ao GOTY todo ano desde 2015.
A pior média da Insomniac desde 2016 saiu dois dias antes do lançamento e deixou a Sony dependendo de Saros para manter a sequência no The Game Awards.
O embargo das análises caiu e a nota de Marvel’s Wolverine no Metacritic parou em 78. São 113 avaliações contabilizadas pelo agregador que pondera as notas da imprensa especializada e devolve tudo num número só, e essa é a pior média de um jogo original da Insomniac desde Song of the Deep, de 2016. O jogo nem chegou às lojas: o lançamento no PS5 é terça, 15 de setembro.
Pra ter ideia do tombo, os outros Marvel do estúdio fecharam em 87 (Spider-Man), 85 (Miles Morales) e 90 (Spider-Man 2). Wolverine entra treze pontos abaixo do último e leva junto o título de exclusivo pior avaliado da geração PS5 entre os produzidos pela própria Sony, atrás de Astro Bot, God of War Ragnarök e até de Sackboy.
As notas foram de 100 a 50 e quase nenhuma parou no meio
O que chama atenção no agregado do Metacritic é a dispersão. A Impulsegamer deu 100 e chamou de um dos melhores jogos de 2026. A Gamer Social Club deu 90. Do outro lado, IGN e GameSpot cravaram 6, e a Giant Bomb foi de 50, reclamando de narrativa mediana, ritmo arrastado e pouca liberdade pro jogador.
O meio-termo praticamente não existiu. 74% das análises entraram como positivas, 26% como mistas, nenhuma como negativa. Divisão desse tipo costuma aparecer quando a discordância vem de uma decisão de design, com o polimento técnico em ordem.
A imprensa brasileira ficou mais generosa que a americana. O IGN Brasil deu 85 e resumiu que o jogo está longe de ruim, mas ainda não chegou no nível adamantium. A Adrenaline achou brutalmente divertido. A TechTudo escreveu que diverte sem criar identidade própria.
O problema é a estrutura linear, e todo mundo cita a mesma coisa
A Insomniac trocou a cidade aberta dos Spider-Man por uma aventura dividida em fases, com trechos de corredor e caminho marcado. Quem gostou diz que é foco. Quem não gostou diz que é o Insomniac de 2009 vestido de 2026.
Fora isso: ondas repetitivas de inimigos, variedade baixa de oponentes, chefes esquecíveis e uma história que promete mais do que entrega. A luta contra um Sentinela virou piada em rede social por parecer mecanicamente datada. O Simon Cardy, da IGN, escreveu que o combate começa afiado e satisfatório, mas cansa muito antes do fim.
O consenso sobre o que funciona também é sólido. A brutalidade das lutas, a apresentação visual, a destrutibilidade dos cenários e principalmente o Logan de Liam McIntyre, o Spartacus da série da Starz, que a crítica tratou como o melhor elemento do pacote.
A Insomniac ouviu isso em agosto e chamou de problema bom
Em meados de agosto, depois que as primeiras impressões saíram e um trailer novo estreou na D23, a convenção da Disney, as redes ferveram com gente dizendo que a gameplay parecia de era PS2 ou PS3. Corredor, script, pouca coisa acontecendo.
O diretor do jogo, Mike Daly, respondeu que a Insomniac já está acostumada com esse tipo de reação online e que aquilo era um “problema bom”, sinal de quanto o público se importa com os projetos do estúdio. Lembrou que todos os Spider-Man levaram pancada parecida antes de vender milhões, e que jogo nenhum agrada todo mundo.
Um mês depois, as análises repetiram quase item por item o que a timeline tinha apontado. A PC Gamer abriu o compilado de análises dela dizendo que, francamente, já está se sentindo melhor com a história de o jogo ser exclusivo de PS5. Quando o público de rede social vira termômetro mais preciso que a resposta oficial do estúdio, o problema deixou de ser de comunicação.
Bloodborne, 2015: onde a sequência da Sony começou
Desde 2015, a empresa coloca pelo menos um jogo publicado por ela na disputa de Jogo do Ano do The Game Awards, a premiação mais visível da indústria, comandada pelo Geoff Keighley. São onze anos seguidos, e a lista é um tour pela geração:
- 2015: Bloodborne
- 2016: Uncharted 4
- 2017: Horizon Zero Dawn
- 2018: God of War (venceu) e Marvel’s Spider-Man
- 2019: Death Stranding
- 2020: The Last of Us Part II (venceu) e Ghost of Tsushima
- 2021: Ratchet & Clank: Em Uma Outra Dimensão
- 2022: God of War Ragnarök e Horizon Forbidden West
- 2023: Marvel’s Spider-Man 2
- 2024: Astro Bot (venceu)
- 2025: Death Stranding 2: On the Beach
Três vitórias, quatorze indicações, nenhum ano em branco desde que a premiação saiu do primeiro ciclo. A Polygon foi a primeira a fazer a conta em voz alta: com 78, Wolverine não entra nessa lista.
Saros é a carta que sobrou, e o calendário de 2026 está cheio
A Sony ainda tem uma. Saros, da Housemarque, saiu em 30 de abril e fechou em 88 no Metacritic, a melhor média da história do estúdio finlandês, acima dos 86 de Returnal. É um jogo de ação em que morrer reinicia a corrida do zero, exclusivo de PS5, e um candidato legítimo a uma das seis vagas.
O calendário conspira contra. GTA 6 chega em 19 de novembro, pelos US$ 80 que a Rockstar confirmou, e vai comer boa parte da conversa de premiação sozinho. Resident Evil Requiem, Forza Horizon 6, Mina the Hollower e Pragmata, que a gente já tinha apontado como candidato lá em abril, brigam pelo resto.
Some a isso o fato de que a Sony passou o ano enxugando o próprio primeiro escalão, incluindo o fechamento da Bluepoint Games em fevereiro, e a fila de exclusivos grandes pra 2026 fica curta de um jeito que não acontecia desde o começo da geração.
R$ 399,90 e a decisão fica pra terça
No Brasil, a edição padrão sai por R$ 399,90 na PlayStation Store, e a Digital Deluxe por R$ 455,90. Pra um jogo de campanha linear com 78 de média, é bastante dinheiro pra apostar no dia um. Quem esperar a primeira promoção vai pagar menos e jogar a mesma coisa.
O que dá pra dizer com segurança é que Wolverine entrega o Logan que o pessoal queria e uma estrutura que metade da crítica achou ultrapassada. Dá um jogo bom, e fica longe da vaga de indicado.
A sequência de onze anos da Sony agora depende de um jogo finlandês que saiu em abril e que quase ninguém está lembrando. As indicações do The Game Awards costumam sair em meados de novembro.
Carla Mendes
Cobrindo esports desde 2018
Cobrindo cenário competitivo de esports desde 2018. Acompanha torneios e equipes profissionais.
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