Carecas não pagam ingresso de Toy Story 5 nessa rede de cinema, e o Woody explica por quê
A Cinesystem vai liberar Toy Story 5 de graça para pessoas com calvície no dia 22 de junho. A inspiração? O Woody careca da nova animação da Pixar.
A Cinesystem olhou pro Woody careca de Toy Story 5 e bolou uma jogada que só tinha dois destinos possíveis: dar muito certo ou virar meme. No dia 22 de junho, quem tem calvície parcial ou total assiste ao filme de graça em qualquer unidade da rede. Sem letra miúda escondida. Você vai até a bilheteria, mostra a cabeça, e o ingresso grátis de Toy Story 5 sai na hora.
A regra é simples e meio surreal. Para garantir a cortesia, a pessoa precisa comparecer presencialmente, apresentar um documento com foto e passar pela validação da equipe do cinema, que a própria rede apelidou de “VAR da calvície”. Cada CPF tem direito a um ingresso, sujeito à disponibilidade de assentos. Não dá pra acumular com meia-entrada nem com outras campanhas, não vale para sessões IMAX, e o resgate é só no dia, direto no balcão das unidades participantes.
O Woody de chapéu não engana mais ninguém
A sacada toda nasceu de uma decisão ousada da Pixar. Em Toy Story 5, Woody aparece mais velho, mais pesado, de poncho vermelho, e quando tira o chapéu revela uma calvície de quem largou a vaidade. O diretor Andrew Stanton explicou o que aquela careca significa: “A entrada nas têmporas mostra que ele está desgastado de não se cuidar mais tanto, fazendo qualquer trabalho sujo que precise pra salvar um brinquedo.” Segundo ele, é um Woody aposentado, “no campo e sem se preocupar”, sem a obrigação de viver pra uma criança só.
Para uma franquia que vendeu bilhão em boneco fofo, deixar o protagonista careca e barrigudo é uma aposta e tanto. O xerife que carregou quatro filmes inteiros sempre foi a cara da juventude eterna do brinquedo, aquele que nunca envelhece porque criança nenhuma deixa. Mostrar o desgaste no corpo dele é o tipo de risco que a Pixar anda topando de novo, e que dá muito assunto.
E o Woody nem é a única novidade que mexeu com o público. O filme colocou a Lilypad, um tablet dublado por Greta Lee, no meio dos brinquedos, e por um tempo todo mundo apostou que ela seria a vilã da vez. Os roteiristas seguraram a mão. “Ela é vilã pros brinquedos porque eles ficam compreensivelmente intimidados. Ela é só a próxima fase na vida da Bonnie”, disse Stanton. A codiretora McKenna Harris admitiu o racha interno: “Muita gente no estúdio queria que ela fosse a vilã, e foi difícil achar o equilíbrio, porque a gente chega cheio de sentimento carregado em relação a esses aparelhos.”
A Cinesystem não parou nos calvos
A promoção da calvície é só a mais barulhenta de um pacote que a rede montou pro lançamento. A Cinesystem, que tem 28 multiplexes e 190 salas espalhadas por 11 estados, também liberou meia-entrada pra quem é cadastrado no Clube da Pipoca e fez sessões do Cine Azul, adaptadas para pessoas com transtorno do espectro autista e outras sensibilidades sensoriais. Tudo girando em torno do mesmo filme, no mesmo fim de semana.
Faz sentido investir pesado. Toy Story 5 estreou no Brasil na semana passada e já vinha de uma pré-estreia avassaladora lá fora, como a gente comentou quando o filme estourou a bilheteria. Quando um lançamento desse tamanho cai no colo da rede, quem inventa a melhor desculpa pra você sair de casa fica com a maior fatia da pipoca.
A internet, claro, se dividiu. Teve quem abraçou a piada na hora e quem reclamou do gosto duvidoso, mas a maior parte do barulho foi de careca marcando careca no comentário pra garantir a sessão de sábado. E é exatamente esse o ponto.
Por que uma piada com careca vira fila na bilheteria
A ação funciona porque é boba na medida certa. “Calvos não pagam ingresso” é a frase que se espalha sozinha, sem precisar de verba de anúncio. Custa pouco pro cinema, já que é um único dia, com lotação limitada e fora do IMAX, e rende uma enxurrada de gente compartilhando, taggeando amigo e rindo da ideia do “VAR da calvície” checando cada cabeça no balcão. É publicidade quase de graça, trocada por alguns lugares que talvez ficassem vazios numa segunda de cinema.
Tem também um casamento esperto entre o produto e a piada. Não é uma promoção genérica de “leve um amigo”. A graça depende de você ter visto que o Woody perdeu o cabelo, então a brincadeira já te conta um pedacinho do filme e te dá vontade de conferir o resto. Quem topar a fila de sábado vai justamente ver na tela o motivo de estar ali sem pagar nada.
No fim, a Pixar fez o Woody encarar o espelho e aceitar a careca, e uma rede de cinema brasileira transformou isso em movimento na bilheteria. Se você perdeu o cabelo e ainda não viu o filme, dia 22 a desculpa está pronta. Só não esquece o documento. E a cabeça.
Beatriz Almeida
Cinema é entretenimento, e eu tô aqui pra diversão
Redatora de entretenimento e cultura pop. Cobre blockbusters e tendências do audiovisual.
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