Toy Story 5 fez a melhor pré-estreia do ano. E nem foi o filme mais surpreendente da bilheteria.

Toy Story 5 cravou a maior pré-estreia de 2026, mas foi um terror original e baratinho, Obsession, que deixou Hollywood de queixo caído.

Beatriz Almeida
Beatriz Almeida Cinema é entretenimento, e eu tô aqui pra diversão
19 de junho de 2026 5 min
Montagem com os brinquedos de Toy Story 5 de um lado e a atmosfera sombria do terror Obsession do outro
!!

Sabe aquele fim de semana em que parece que o cinema ressuscitou? Foi esse. A bilheteria de Toy Story 5 abriu com a maior pré-estreia do ano inteiro, e o mais doido é que nem foi o número que mais derrubou o queixo de quem acompanha bilheteria.

Calma que tem muito dinheiro rolando, e eu vou por partes.

Toy Story 5 fez a melhor pré-estreia de qualquer filme em 2026

Na quinta-feira de pré-estreia, Toy Story 5 faturou US$ 17,5 milhões só nos Estados Unidos. É a maior pré-estreia de 2026 e a maior da franquia inteira. Pra comparar: o Toy Story 4 tinha feito US$ 12 milhões na mesma situação, lá em 2019. O quinto filme chegou a um passo do recorde de toda animação, os US$ 18,5 milhões de Os Incríveis 2.

Isso joga a projeção de estreia pra cima de US$ 160 milhões nos EUA e US$ 275 milhões no mundo, só no primeiro fim de semana. O filme abriu em 28 países na quinta e já somava US$ 43,5 milhões globais depois de dois dias. Crítica e público bateram 93% no Rotten Tomatoes, o que é raríssimo num quinto filme de franquia. Normalmente é nessa altura que a galinha dos ovos de ouro começa a botar ovo podre.

Pra Pixar, é também um alívio e tanto. Depois de Elio amargar uma bilheteria bem abaixo do que o estúdio esperava, a casa precisava de um gigante, e foi buscar exatamente no cofre da nostalgia.

Sala cheia de criança no meio da Copa

Aqui no Brasil, Toy Story 5 estreou em 18 de junho, bem no meio da Copa do Mundo e na largada das férias de julho, o cenário perfeito pra lotar sessão. É filme de levar a família inteira: criança, pai, mãe e aquele adulto que cresceu com o Woody e jura que não chorou no fim do terceiro filme. (Oi, sou eu.)

E a história mexe num nervo bem de 2026. Os brinquedos agora enfrentam um tablet: um aparelho chamado Lilypad chega pra disputar a atenção da Bonnie, e a Pixar pega aquele medo real de toda mãe, criança trocando brinquedo por tela, e transforma em vilão. Já aviso que vai doer no peito de quem tem filho.

É o tema mais afiado que a franquia já topou encarar, e talvez seja por isso que aqueles 93% no Rotten Tomatoes vieram tão fácil. Não é todo dia que um quinto filme tem o que dizer em vez de só puxar nostalgia. O público de pré-estreia, que costuma ser o fã mais fiel e mais implicante, comprou a ideia na hora.

Se segurar o ritmo, Toy Story 5 vai atrás do US$ 1,07 bilhão que o quarto filme faturou no mundo. Franquia de 30 anos que simplesmente não cansa de imprimir dinheiro.

Obsession custou uma fração da Pixar e quase encostou em Invocação do Mal

Só que o filme que fez o pessoal de bilheteria cair da cadeira não tem Buzz Lightyear nenhum.

Obsession, um terror da Focus Features, passou dos US$ 300 milhões no mundo. Parece modesto perto de uma Pixar? Esquece a primeira impressão. O filme custou só uma fração disso, virou o maior faturamento da história da Focus Features e cravou primeiro lugar nas bilheterias em 10 dos seus 35 dias em cartaz. O acumulado só nos EUA (o que o pessoal chama de cume doméstico) já está em US$ 201,6 milhões.

E ele não para de subir. Está a US$ 21 milhões de ultrapassar Invocação do Mal e seus US$ 321,2 milhões mundiais, e mira o número doméstico de O Exorcista, US$ 233 milhões que ficaram de pé por mais de cinquenta anos. Terror raramente chega nesse território. Esse chegou e não deu sinal de cansaço.

Curry Barker saiu do YouTube e tem Hollywood de olho

O diretor se chama Curry Barker, e tudo bem se o nome não disser nada pra você ainda. Ele montou plateia fazendo curta de terror no YouTube antes de ser fisgado pela turma da Blumhouse e da Atomic Monster, os estúdios que transformaram susto de orçamento baixo em mina de ouro.

Se essa trajetória soa familiar, é porque é praticamente a mesma do Backrooms, que abriu com US$ 118 milhões no mundo dirigido por um moleque de 20 anos vindo do YouTube. Dois jovens, duas origens no YouTube, dois terrores baratos faturando rios de dinheiro no mesmo semestre. Tem um padrão se desenhando, e Hollywood devia estar com a caneta na mão anotando.

O detalhe mais saboroso: Obsession é original do começo ao fim. Sem quadrinho, sem sequência, sem universo compartilhado pra puxar gente pra sala. E já tem gente séria falando em premiação, comparando o filme com Corra!, o terror do Jordan Peele que levou quatro indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme. A atriz Inde Navarrette está bem no meio dessa conversa.

E olha, terror passando dos US$ 300 milhões com cara de candidato a Oscar é coisa rara. Custa caro? Não. Vende ingresso? Demais. Pro Brasil esse tipo de filme é prato cheio: terror sempre foi gênero que enche sala por aqui, do tipo que a galera vai em grupo só pra gritar junto. Quando Obsession chegar nas nossas telas, não me surpreenderia ver a mesma fila que Toy Story 5 está fazendo agora, só que com uma plateia bem mais barulhenta.

Dois filmes opostos, o mesmo recado pra Hollywood

O fim de semana entregou uma lição dupla e meio contraditória. De um lado, uma franquia de três décadas provando que nostalgia bem cuidada ainda enche sala. Do outro, um terror original e baratinho mostrando que dá pra fazer fortuna sem depender de propriedade intelectual nenhuma.

Os dois ganharam feio, e cada um do seu jeito. E pra quem gosta de cinema grande na telona, esse é o melhor tipo de dilema que existe: decidir qual fila pegar primeiro.

Beatriz Almeida
AUTOR

Beatriz Almeida

Cinema é entretenimento, e eu tô aqui pra diversão

Redatora de entretenimento e cultura pop. Cobre blockbusters e tendências do audiovisual.

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