Sabe aquela sensação de que seu pacote de dados evapora antes do fim do mês, mesmo você jurando que só usou o Wi-Fi? Pois é, não era coisa da sua cabeça. A notícia que está rodando os sites de tecnologia lá fora é que o Google vai pagar US$ 135 milhões para encerrar uma ação coletiva bem vergonhosa. A acusação? O Android estaria programado para usar sua rede celular em segundo plano, sem pedir licença e, pior, consumindo a franquia que você pagou caro para ter.
É aquela velha história: se o serviço é de graça, o produto é você. Mas nesse caso, além de ser o produto, você ainda pagava a conta da transmissão dos dados.
O “vampiro” do seu plano de dados
O processo não é de agora. A alegação é que, desde 12 de novembro de 2017, o Google tem coletado dados via rede celular de usuários Android sem permissão explícita. Estamos falando de transferências “passivas” que aconteciam mesmo quando o usuário não estava mexendo no celular.
Para quem mora nos Estados Unidos ou Europa, onde planos ilimitados são mais comuns, isso já é chato. Agora, traz isso para a nossa realidade de Brasil: aqui a gente conta cada megabyte, e se o sistema operacional decide fazer a festa no seu 4G sem avisar, é dinheiro saindo direto do seu bolso.
💡 O que estava rolando: O processo acusava o Google de criar o Android de forma que ele enviasse dados para os servidores da empresa usando a rede da operadora, ignorando se o usuário tinha consentido ou não com esse gasto.
Um acordo preliminar, mas histórico
Segundo informações apuradas, esse valor de US$ 135 milhões (que dá uns R$ 780 milhões na conversão direta de hoje, se o dólar não disparar enquanto eu escrevo isso) é um acordo preliminar. Ele ainda precisa ser aprovado por um juiz federal para valer de verdade.
Se for aprovado, a Reuters aponta que o acordo encerrará uma das maiores disputas desse tipo sobre “coleta de dados”. Basicamente, o Google preferiu pagar a multa e fechar a conta do que arriscar levar isso a um julgamento longo que poderia expor ainda mais as entranhas de como o Android gerencia nossos dados.
Quanto vai sobrar para o usuário?
Aqui entra o meu ceticismo de sempre. US$ 135 milhões parece uma montanha de dinheiro - e para mim e você, é. Mas para a Alphabet (dona do Google), isso é troco de pinga que eles acham no sofá do escritório.
E para os afetados? Como é uma “ação coletiva”, esse valor vai ser fatiado entre os advogados (que sempre levam a maior parte) e milhões de usuários. No final das contas, se sobrar dinheiro para comprar um pastel e um caldo de cana, é lucro.
A CNET reportou que este pode ser o maior acordo desse tipo na história, o que soa bonito no papel, mas na prática serve mais como um puxão de orelha regulatório do que uma compensação real para quem teve o plano de dados drenado por anos.
O impacto no seu bolso
O que me deixa mais “pistola” com essa história não é nem a privacidade em si - a gente já meio que aceitou que a privacidade morreu faz tempo -, mas é a questão do custo.
O processo foca justamente no fato de que o Google usou “bens” (dados celulares) que os consumidores compraram de suas operadoras. É como se você comprasse gasolina e a montadora do seu carro viesse de noite e roubasse dois litros do tanque para rodar testes no motor.
- Data de início da coleta: 12 de novembro de 2017
- Valor do acordo: US$ 135 milhões
- Acusação principal: Uso não autorizado de dados móveis pagos
O Engadget destaca que o processo alega coleta ilegal contínua por quase uma década. Se você usa Android há muito tempo, é bem provável que seu aparelho tenha contribuído para essa estatística.
O que muda daqui pra frente?
Sinceramente? Provavelmente pouco na sua rotina, mas talvez vejamos uma mudança nos termos de serviço ou naquelas telas de configuração inicial que ninguém lê. As empresas de tecnologia costumam resolver essas coisas ajustando o “juridiquês” para que, da próxima vez, você tenha tecnicamente concordado com a coleta ao clicar em “Aceitar” sem ler.
Fica o aviso: fique de olho no consumo de dados do sistema (“Serviços do Sistema” ou “Sistema Android” nas configurações). Se estiver alto demais, pode não ser só atualização de app. No fim, a conta sempre chega para o usuário, seja em dinheiro, seja em dados.
Lucas Ferreira
Gamer desde o PS1, cético desde sempre
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