O que vi no showcase de Resident Evil Requiem me deixou preocupado
Zumbis que conversam? Leon em modo John Wick? O showcase de 12 minutos trouxe respostas, mas gerou dúvidas preocupantes sobre a identidade do jogo.
Doze minutos. Foi esse o tempo que a Capcom precisou para me deixar dividido entre o hype cauteloso e aquele ceticismo clássico de quem já viu franquias grandes perderem a mão. O Resident Evil Requiem showcase que rolou hoje veio com a promessa de mostrar gameplay real, sem aquelas cinemáticas pré-renderizadas que enganam bobo. E mostraram. Mas o que apareceu na tela não foi exatamente o que a gente esperava de um jogo de sobrevivência clássico.
A gente já sabia que o jogo chega dia 27 de fevereiro para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC. Mas a Capcom decidiu soltar uma bomba narrativa que muda bastante a dinâmica da coisa: a jogabilidade vai mudar drasticamente dependendo de quem você controla. E, honestamente? Isso me cheira a tentativa de agradar todo mundo - o que, na minha experiência, geralmente resulta em não agradar ninguém.
Zumbis agora batem papo?
Vamos direto ao elefante na sala (ou ao zumbi na sala). Durante o trailer, vimos uma cena que fez meu “detector de lore duvidosa” apitar forte. Grace, uma das protagonistas, aparece interagindo com um infectado. E não foi na base da bala.
Segundo o que foi mostrado, pelo menos um dos zumbis era “humano o suficiente” para conversar com a Grace. A Capcom não deixou claro se isso foi um evento roteirizado único ou se teremos uma mecânica de “zumbis conscientes” espalhados pelo jogo.
Olha, eu sou fã da tosqueira clássica de RE, mas zumbi trocando ideia? A promessa é de um “horror de sobrevivência indutor de pavor”, mas é difícil sentir medo de algo que pode parar pra te pedir um cigarro. Fica a dúvida se esse infectado é um personagem crucial para a narrativa ou se a infecção nesse jogo tem regras totalmente novas.
A crise de identidade: Ação vs. Terror
A Capcom fez questão de enfatizar no site oficial e no showcase que o jogo é “uma parte horror de sobrevivência, uma parte horror de ação”. Na prática, isso parece significar que a campanha será dividida.
O fator Leon Kennedy
Quando o Leon aparece na tela, o jogo vira outra chave. Pelo que vi no trailer do showcase, a gameplay dele tá muito mais voltada para a ação desenfreada. É o Leon sendo o Leon pós-RE4: chutes giratórios, mira precisa e controle de multidão.

Os clipes mostram um ambiente de cidade movimentada - algo que já tinha sido provocado num trailer da Nvidia dias atrás. A cidade parece “publicamente” removida do surto massivo inicial, mas claramente as coisas desandaram. O problema aqui é o equilíbrio. Se a parte do Leon for só tiroteio, o jogo perde a tensão. Se a parte da Grace for só esconde-esconde, o jogo perde o ritmo.
💡 Nota do Redator: A Capcom já tentou fazer essa mistura de campanhas com tons diferentes em Resident Evil 6. Lembra como foi? Pois é. Eu lembro. E ainda tenho pesadelos com aquela interface, não com os monstros.
Onde está a Demo, Capcom?
Aqui eu preciso abrir um parêntese pra um mini-desabafo. O jogo sai mês que vem. Fevereiro. Estamos na metade de janeiro de 2026. Cadê a demo jogável?
A comunidade tá pistola, e com razão. Fãs estão reclamando nas redes sociais sobre a falta de uma demonstração pública. Em uma era onde jogos custam R$ 350,00 (no mínimo), pedir pré-venda sem deixar a gente testar a performance no PC ou o framerate nos consoles é, no mínimo, arrogante.
A Capcom costuma ser boa com demos (as de RE7 e Village foram excelentes ferramentas de marketing), então esse silêncio e a falta de anúncio de uma demo (“Maiden” style ou focada em combate) durante o showcase é preocupante. Será que a performance na tal “cidade aberta” não tá derrubando os consoles atuais? Fica o questionamento.
Acessibilidade ou facilitação?
Resident Evil Requiem vai introduzir um modo “Casual”.
De acordo com o vídeo, esse modo permite que os jogadores se concentrem na história e oferece “assistência de mira”.
Sinceramente? Não vejo problema nisso. Se o cara quer pagar preço cheio pra assistir o jogo se jogar sozinho, é direito dele. O que me preocupa é se o balanceamento do modo “Normal” ou “Hardcore” vai sofrer por causa disso. Muitas vezes, quando desenvolvedores focam muito em criar modos super assistidos, a IA dos inimigos no modo normal acaba ficando burra demais para compensar. Vamos ter que esperar pra ver se os zumbis da Grace são inteligentes ou só esponjas de bala.
Veredicto (por enquanto)
Outra coisa que o showcase mostrou foram as novas configurações de dificuldade. Mas a mistura de tons e a tal conversa com o zumbi me deixaram com o pé atrás.
Para quem quiser ver com os próprios olhos, o vídeo completo está disponível no canal oficial do YouTube.
O lançamento tá marcado para 27 de fevereiro. Até lá, meu conselho de sempre: segura a carteira. Não faça pré-venda. Espera a gente rodar os benchmarks e ver se essa história de “zumbi falante” cola ou se vai ser cringe.
Eu quero estar errado. Quero que seja o melhor RE da década. Mas até eu ver os números de performance e jogar essa campanha bipolar, continuo cético.
Lucas Ferreira
Gamer desde o PS1, cético desde sempre
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