Remake de Ocarina of Time virou meme em horas e os fãs detonaram o visual
A Nintendo anunciou o remake de Ocarina of Time pro Switch 2, sem data e sem gameplay. Em horas, o visual realista do Link virou chacota na internet.
Era pra ser o momento mais chorado da década. A Nintendo segurou o anúncio até os últimos segundos do Nintendo Direct de 9 de junho, deixou o público inteiro no susto, e revelou: o remake de Ocarina of Time finalmente vem aí, exclusivo pro Switch 2, ainda em 2026. O jogo que praticamente inventou a aventura em 3D, refeito do zero. Devia ser festa.
Foi festa por uns dez minutos. Depois a internet abriu o print, ampliou o rosto do Link, e a timeline virou um velório de piada.
O teaser mostrou tudo, menos gameplay
Vamos ao que de fato apareceu, porque foi pouco. O teaser abre com uma tapeçaria desenhando a Grande Árvore Deku, os Kokiri, a Triforce, aquela reverência toda à lenda. Bonito. Aí corta pro modelo novo do Link, criança, dormindo deitado num colchão de palha na floresta, com um visual bem mais realista do que o original de Nintendo 64 e do que aquele remake de 3DS que a gente jogou em 2011. E acabou. Nada de jogabilidade, nada de data fechada, nada de explicar como pretendem modernizar um jogo de 1998.
Foi exatamente esse Link mais “fotorrealista” que detonou o estopim. Porque a galera olhou pra ele e reconheceu na hora um velho conhecido da internet.
A era do “contrata esse cara”, explicada
Tem um meme antigo que circula faz quase uma década. De tempos em tempos, algum fã solitário pega a Unreal Engine, que é um motor gráfico poderoso e gratuito que qualquer pessoa pode baixar, e refaz um pedaço de Zelda com gráficos hiper-realistas. Sai sempre a mesma coisa: um Hyrule genérico, sem alma, parecendo demo técnica de loja de TV. E sai sempre o mesmo comentário embaixo do vídeo: “Nintendo, contrata esse cara”. O “hire this man”.
A piada nunca foi elogio. É ironia. Esses remakes de fã costumam ser justamente o oposto do charme do original, trocam o estilo artístico por gráfico realista pelo realismo mesmo. Quando o teaser oficial apareceu com aquele Link engomadinho, a ficha caiu coletivamente: a Nintendo virou o meme.
“Por que Ocarina of Time tá com gráfico de ‘contrata esse cara’”, postou um usuário chamado William. “A Nintendo contratou aquele cara”, resumiu outro. O tweet que melhor traduziu o luto foi direto ao ponto: “2016: Nintendo, contrata esse cara. 2026: A Nintendo contratou aquele cara”. Teve até quem estendesse a zoeira pro remake de Star Fox anunciado no mesmo Direct, dizendo que os dois saíram da mesma fábrica de “gráfico de fã”.

A crítica de fundo é séria, no meio da palhaçada. O original tinha uma direção de arte com personalidade, meio sonhadora, meio assustadora na hora certa. O modelo novo do Link foi comparado a “como seria um Mario AAA genérico”, aquele jogo realista que poderia ser qualquer coisa. E o nome que voltou em todo thread foi Wind Waker, o Zelda que lá no início dos anos 2000 apanhou pra caramba por apostar no visual cel-shading de desenho animado e hoje é cultuado justamente por ter arriscado. Refazer Ocarina parecendo mod amador é o caminho oposto do risco.
Se isso te soa familiar, não é coincidência. A gente já viu fã rejeitar uma versão realista demais de Zelda quando o Google tentou recriar Breath of the Wild com inteligência artificial e caiu no vale da estranheza. O incômodo é o mesmo: quanto mais “real”, mais morto.
”55 minutos de puro lixo e 8 segundos do Link deitado”
Essa foi a sentença que viralizou no Brasil, e ela captura um segundo problema que não é nem sobre gráfico. É sobre o resto do Direct.
Porque o showcase teve uns 50 minutos, e a maior parte foi port e remake. Port é quando um jogo que já existe em outra plataforma ganha versão nova, sem ser nada inédito. Metaphor: ReFantazio e Stellar Blade portados, Dragon’s Dogma 2 com expansão, um Minecraft turbinado, Kingdom Hearts 4 confirmado pro console, e um Star Fox que é remake do clássico de Nintendo 64. Coisa boa? Tem. Explosiva? Quase nada. A comunidade saiu com a sensação de que esperou quase uma hora pra ver oito segundos do Link e ir embora.
A frase é injusta com metade dos anúncios e perfeitamente justa com o sentimento. Quando o ponto alto de um Direct inteiro é um teaser sem gameplay de um jogo de 28 anos, alguma coisa no cardápio veio fraca.
Os investidores também não aplaudiram
E aqui mora a parte mais constrangedora. A Nintendo anunciou um dos jogos mais pedidos da história dela e a ação despencou mais de 10% durante a própria transmissão. No acumulado de 2026, o papel já tinha caído mais de 30%.
O mercado não estava ligando pra nostalgia. Estava de olho no fim de ano: lineup considerado fraco pra temporada de vendas, nenhum Mario novo à vista, o teaser de Zelda sem responder nada, e a sombra da escassez de componentes que deve empurrar um aumento de preço em setembro. Anunciar o santo graal e ver a bolsa fechar a cara no mesmo minuto é o tipo de combo que resume bem o momento estranho da empresa.
O detalhe que ninguém quer falar: você vai precisar pagar caro pra jogar
No meio da choradeira por gráfico, ficou de lado o que mais importa pra quem mora aqui. O remake de Ocarina of Time é exclusivo de Switch 2. Sem Switch 2, sem Hyrule.
E o Switch 2 vai ficar mais caro a partir de setembro, subindo pra US$ 499 lá fora, com o ajuste batendo ainda mais pesado no preço brasileiro depois de imposto e câmbio. Ou seja: o jogo que a internet está zoando é o mesmo que pode te custar um console novo e uma mídia que não costuma sair barata pra rodar.
Talvez seja por isso que a zoeira pegou tão rápido. É mais fácil rir do rosto do Link do que encarar a conta. A Nintendo ainda tem 2026 inteiro pra mostrar gameplay e calar quem está rindo agora. Mas se o gameplay vier com a mesma cara de demo de Unreal Engine, prepara o print: o “contrata esse cara” vai virar epitáfio.
Carla Mendes
Cobrindo esports desde 2018
Cobrindo cenário competitivo de esports desde 2018. Acompanha torneios e equipes profissionais.
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