Reservas para Hotéis na Lua por US$ 250 mil: Realidade ou Ficção?

A reserva de hotel mais cara da história custa US$ 250 mil e nem é na Terra

Marina Costa
Marina Costa Entusiasta de tech e indie games
12 de janeiro de 2026 10 min
Imagem oficial: Reservas para Hotéis na Lua por US$ 250 mil: Realidade ou Ficção?
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Quando vi essa notícia parei para olhar se não era primeiro de Abril, mas parece que a corrida espacial virou mesmo uma corrida imobiliária.

Se você está planejando as próximas férias e tem um limite no cartão de crédito que beira o infinito, talvez queira saber o preço do hotel na lua para já ir se preparando psicologicamente (e financeiramente).

Uma empresa chamada GRU Space (Galactic Resource Utilization), fundada por Skyler Chan, um recém-formado da UC Berkeley, resolveu chutar o balde e anunciou que já está aceitando reservas para um hotel na superfície lunar. A startup passou pela Y Combinator e tem investidores da SpaceX e Anduril. E não estou falando de reservar um lugar na fila para comprar o próximo PlayStation; estou falando de depósitos reais, de gente grande, para garantir um quarto num lugar que, tecnicamente, ainda nem existe.

O conceito de turismo espacial sempre pareceu aquela coisa de “filme de ficção científica dos anos 80”, tipo O Vingador do Futuro, mas as cifras envolvidas agora trazem a coisa para uma realidade bem dura. Enquanto a gente fica aqui caçando cupom de desconto na Steam, tem uma galera cogitando gastar o valor de um apartamento de luxo só para fazer o check-in.

O plano final? Um hotel inspirado no Palace of Fine Arts de São Francisco. Sim, você leu certo. Eles querem levar arquitetura neoclássica para a cratera mais próxima.

Mas o que me pegou mesmo foi o modelo de reserva. A empresa convidou os interessados a fazer um depósito que varia entre US$ 250.000 e US$ 1 milhão.

futuristic lunar hotel concept art exterior

Convertendo para a nossa realidade brasileira, com o dólar do jeito que está, isso é dinheiro que a maioria de nós não vai ver nem se somar todos os salários da vida inteira.

Cronograma otimista ou “prazo de dev”?

O roadmap da GRU Space é ambicioso: em 2029, uma missão teste de 10kg para demonstrar estruturas infláveis e converter regolito lunar em “Moon bricks”. Em 2031, uma estrutura maior será testada dentro de um “poço lunar”. E em 2032, se tudo correr bem, o primeiro hotel abre as portas para até 4 hóspedes por vez.

Aqui entre nós: se você acompanha a indústria de games, sabe que “lançamento previsto” é uma das frases mais perigosas do vocabulário humano. Se a gente já sofre com adiamentos de jogos que são apenas códigos rodando num PC, imagina uma construção física, habitável, num ambiente sem atmosfera e com gravidade reduzida?

É uma aposta alta. Basicamente, quem fez depósito está financiando o sonho deles na esperança de um dia tirar uma selfie com a Terra ao fundo.

💡 Fica a dica: Antes de estourar o limite do Nubank, lembre-se que projetos espaciais têm um histórico generoso de atrasos. Seis anos até 2032 pode virar dez facilmente.

A alternativa “econômica”: Lua em Las Vegas

Agora, se você, assim como eu, não tem um milhão de dólares sobrando na conta corrente, calma que nem tudo está perdido. Existe um plano B, e ele é muito mais a nossa cara. Enquanto a GRU Space foca nos bilionários, o cofundador da Moon World Resorts, Michael Henderson, tem uma visão um pouco mais… pé no chão. Literalmente.

Moon World Resorts Las Vegas rendering sphere night

A ideia é construir um resort gigantesco em formato de esfera que custará cerca de US$ 5 bilhões. Para efeito de comparação, isso é um orçamento que faria qualquer produção de Hollywood parecer trabalho de conclusão de curso.

O que você ganha por US$ 500?

Aqui a coisa fica interessante. Henderson e sua equipe querem “democratizar” a experiência. Enquanto as viagens da Virgin Galactic ou Blue Origin custam entre US$ 200.000 e US$ 450.000 por alguns minutos de gravidade zero, o Moon World Resort promete uma experiência lunar por cerca de US$ 500 (aproximadamente R$ 3.000 na cotação atual, sem impostos).

Por esse valor, o visitante teria direito a:

  • 90 minutos de caminhada em uma “superfície lunar autêntica”.

  • Exploração de uma colônia lunar ativa.

  • Acesso a um traje espacial (ou algo que simule um).

Henderson foi bem direto em uma entrevista citada pelo The Bluebeam Blog:

“Parte da empolgação com a Lua é que podemos permitir que as pessoas participem do turismo espacial de forma acessível”.

E ele tem um ponto. Gastar 500 dólares numa experiência única é algo que muita gente consegue fazer “uma vez na vida”, parcelando no cartão. Já 250 mil dólares… bom, aí é outra conversa.

Detalhes técnicos da “Lua de Vegas”

Não dá para falar desse projeto sem mencionar a insanidade da engenharia envolvida. Eu adoro quando a tecnologia encontra a arquitetura megalomaníaca. O resort proposto não é apenas um prédio com um papel de parede de crateras.

A estrutura planejada é uma esfera colossal. Estamos falando de algo com 224 metros de altura (735 pés) e quase 200 metros de largura (650 pés). Dentro dessa esfera enorme, haverá uma estrutura mais convencional onde os hóspedes ficam antes e depois da experiência lunar.

Materiais e construção

O que me chamou a atenção foi a escolha de materiais descrita por Henderson. O prédio, fundamentalmente, será de concreto, vidro, aço e alumínio. Nada de muito novo aí. Mas a mágica acontece no exterior da esfera.

Eles planejam usar um composto de fibra de carbono para criar a “casca” da Lua. E não é uma textura genérica. Segundo os fundadores, eles têm detalhes extremos da superfície lunar real e pretendem “impregnar” isso no material. Ou seja, visualmente, de fora, vai parecer que a Estrela da Morte estacionou na Strip de Las Vegas, só que com a textura da nossa Lua.

Sustentabilidade no meio do deserto

Outra sacada interessante é a integração de painéis solares. Henderson mencionou que é possível construir sistemas de painéis solares dentro dessa estrutura de fibra de carbono, transformando a esfera gigante em um “coletor massivo de energia solar”.

Considerando que Las Vegas fica no meio do deserto de Nevada e sol é o que não falta, faz todo o sentido do mundo. Se vai funcionar tão bem quanto no papel, aí já é outra história, mas a ideia de um hotel gigante que gera sua própria energia enquanto simula outro corpo celeste é, no mínimo, ambiciosa.

A experiência da “Colônia Lunar”

O projeto prevê 4.000 suítes de hotel. Isso é muita gente. Para dar conta disso tudo, a operação promete ser digna de um hotel 5 estrelas. Mas o ouro mesmo está na atração principal: a superfície lunar.

Eles planejam ter uma área de quase 40.000 metros quadrados (na verdade, a fonte menciona números ainda maiores em pés quadrados empilhados) dedicada à simulação. Imagine um cenário de jogo AAA, tipo Starfield ou Mass Effect, só que na vida real.

astronaut walking on lunar surface simulation

A promessa é que você vai poder andar por crateras, ver bases lunares e sentir um gostinho do que os astronautas da Apollo sentiram, tudo isso sem precisar treinar na NASA por anos ou arriscar explodir na reentrada da atmosfera.

Por que isso importa agora?

Pode parecer que estou falando de sonhos distantes, mas o contexto atual favorece muito esse tipo de loucura. O turismo espacial virou pauta séria. Temos a SpaceX fazendo voos civis, a Blue Origin mandando celebridades pro espaço (oi, William Shatner) e a Virgin Galactic tentando tornar isso rotina.

Mas sejamos francos: é um clube extremamente exclusivo. A matéria do New York Post lembra bem que os voos civis da SpaceX são empreendimentos de nove dígitos. Nove. Dígitos.

É aí que o projeto de Vegas brilha (trocadilho intencional). Ele preenche uma lacuna gigantesca no mercado. Existe uma demanda reprimida de pessoas que são fascinadas pelo espaço, que cresceram assistindo Star Wars e Jornada nas Estrelas, mas que nunca terão meio milhão de dólares para queimar num fim de semana.

O Hype vs. A Realidade

Como alguém que cobre tecnologia e games há um bom tempo, eu desenvolvi um certo “sexto sentido” para promessas exageradas. Lembra de No Man’s Sky no lançamento? Pois é. Projetos arquitetônicos conceituais muitas vezes sofrem do mesmo mal: prometem o universo e entregam um estacionamento gourmet.

O projeto Moon World Resorts está em discussão desde 2000. Sim, faz mais de duas décadas que Henderson e sua cofundadora, Sandra Matthews, tiveram a inspiração. Eles querem construir quatro desses resorts ao redor do mundo (um na América do Norte, um na Europa, um no Oriente Médio e um na Ásia). A previsão de abertura mencionada em algumas fontes era 2026 ou 2027.

Estamos em 2026 e, honestamente, não vi nenhuma esfera gigante de 200 metros brotando do chão de Las Vegas ainda. Mais um caso clássico de “promessas ambiciosas vs. realidade”.

O fator “vaporware”

Na tecnologia, chamamos de vaporware aquele produto que é anunciado, gera um hype absurdo, mas nunca chega às prateleiras. Será que o hotel lunar (tanto o da Terra quanto o da Lua real) vai seguir esse caminho?

No caso da GRU Space e seu hotel na Lua verdadeira, o ceticismo é justificável. A empresa tem literalmente duas pessoas e está prometendo fazer o que a NASA ainda não conseguiu. A missão Artemis continua atrasada, mesmo com o orçamento do governo americano e as melhores mentes do planeta. Uma startup de um recém-formado prometendo quartos na Lua até 2032 com um depósito de “apenas” 250 mil dólares levanta algumas sobrancelhas.

Por outro lado, é exatamente esse tipo de audácia que fez a SpaceX existir. Skyler Chan tem um ponto: “Não podemos manter todo mundo vivendo naquele primeiro navio que navegou para a América do Norte. Precisamos construir as estradas, estruturas e escritórios em que vivemos hoje.”

Vale a pena entrar nessa fila?

Se você tem US$ 250.000 sobrando e não se importa em possivelmente nunca ver esse dinheiro de volta (ou ver daqui a muito tempo), reservar um quarto na Lua com a GRU Space é certamente uma história incrível para contar nas festas. É o tipo de coisa que te coloca num grupo seleto de “futuristas arriscados”.

Por outro lado, o projeto de Las Vegas, se sair do papel, parece muito mais tangível. Pagar 500 dólares para brincar de astronauta por uma hora e meia, com segurança e oxigênio garantido, soa como um negócio muito melhor para 99% da população.

A gente vive numa era onde o impossível está ficando banal. Carros que dirigem sozinhos (e às vezes causam polêmica em Nova York), inteligências artificiais que escrevem código, e agora, hotéis lunares.

Eu, particularmente, vou esperar a versão de Las Vegas. Gosto da ideia de ir para a Lua, mas gosto ainda mais da ideia de ter oxigênio à vontade e um buffet de café da manhã que não seja comida liofilizada em saquinhos de alumínio.

E você? Teria coragem de mandar o PIX de 250 mil dólares para garantir seu lugar na história, ou prefere ficar aqui na Terra e gastar essa grana montando o PC gamer mais absurdo que a humanidade já viu?

Para mais detalhes sobre essas loucuras espaciais, vale conferir as reportagens originais no Startup News e no The Points Guy.

Marina Costa
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Marina Costa

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