O novo filme de Seth Rogen chocou Cannes com uma ovação de 7 minutos e vai te partir o coração

Tangles, animação em preto e branco de Leah Nelson, arrancou 7 minutos de ovação em Cannes. Seth Rogen, um dos produtores, não parou de chorar durante toda a exibição. O motivo está nos créditos, não na sinopse.

Felipe Ouder
Felipe Ouder Se tem explosão a cada 10 minutos, não é cinema. É TMZ.
19 de maio de 2026 3 min
Cena do filme Tangles, animação sobre Alzheimer exibida em Cannes 2026
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Seth Rogen não parou de chorar durante a exibição de Tangles em Cannes na semana passada. Ele admitiu isso no after-party, descrevendo a experiência de ver o filme completamente pronto em público, pela primeira vez, depois de meses assistindo em casa no laptop, como algo “muito mais intenso”. Quem conhece Rogen pelo Superbad ou pela fase das comédias com Judd Apatow vai ter dificuldade em imaginar a cena. A ovação durou sete minutos.

Tangles é uma animação em preto e branco desenhada à mão, dirigida por Leah Nelson em seu debut no longa-metragem. A história vem da graphic memoir de Sarah Leavitt, publicada em 2010: Leavitt ilustrou a própria experiência cuidando da mãe, Midge, enquanto o Alzheimer a apagava. Sarah era uma jovem ilustradora vivendo em São Francisco nos anos 1990, com uma relação nova e uma carreira começando, quando teve que voltar para a cidade conservadora no Maine onde cresceu. O filme acompanha o processo pelo qual Midge vai desaparecendo enquanto ainda está presente, e a família vai aprendendo a luto de alguém que ainda não morreu.

A escolha da animação em preto e branco não é decorativa. Nelson adaptou as páginas estáticas da graphic memoir para movimento, alterando escala, detalhes e sombreamento do original para criar algo que os primeiros críticos descrevem como “aconchegante e desolador ao mesmo tempo”. É uma contradição que a animação sustenta com mais facilidade do que o live-action: a distância estética funciona como proteção e como lupa simultaneamente. O espectador se aproxima do sofrimento sem sentir que está invadindo porque o desenho interpõe um filtro. Não é um recurso novo na história do cinema de animação, mas é um recurso que aqui serve o material em vez de decorá-lo.

O elenco de vozes inclui Abbi Jacobson como Sarah, Julia Louis-Dreyfus como Midge, Bryan Cranston como o pai, com Sarah Silverman, Bowen Yang, Samira Wiley, Wanda Sykes e Pamela Adlon em papéis menores. Rogen tem papel coadjuvante, mas sua função principal no projeto é outra: ele e Lauren Miller Rogen produziram Tangles, projeto associado à Hilarity for Charity, a organização que fundaram em 2012 para apoiar famílias afetadas pelo Alzheimer. A mãe de Lauren foi diagnosticada com Alzheimer de início precoce aos 55 anos.

A razão pela qual Seth Rogen não conseguia parar de chorar em Cannes não é sentimentalismo. É a diferença entre fazer um filme sobre uma doença e fazer um filme sobre a doença que apagou a pessoa que você ama.

O Hollywood Reporter avaliou Tangles como um filme que “acerta os tons necessários, de luto, de devoção, de gratidão diante da perda, mas tudo parece quase teórico”. É uma crítica razoável sobre a tendência do filme de manter certa vivacidade mesmo quando as coisas ficam mais pesadas, mas também é o tipo de avaliação que tende a ignorar que não existe jeito tecnicamente impecável de filmar o Alzheimer sem que quem viveu aquilo se sinta finalmente visto. A ovação de sete minutos em Cannes não foi por perfeição. Foi reconhecimento.

Tangles segue para o Festival de Annecy em junho. Data de estreia ampla ainda não confirmada.

Felipe Ouder
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Felipe Ouder

Se tem explosão a cada 10 minutos, não é cinema. É TMZ.

Crítico e analista de cinema. Especialista em bilheteria e tendências da indústria audiovisual.

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