A Marvel pode matar o Homem-Aranha do Tom Holland em Um Novo Dia. E dois substitutos já estão esperando
O diretor pediu pra plateia ver o filme "como se fosse o último Homem-Aranha". A internet entendeu o recado e já elegeu quem herda a máscara.
Faltando menos de um mês pra estreia, o diretor de Homem-Aranha: Um Novo Dia soltou a frase que nenhum fã queria ouvir. “Todo mundo devia assistir esse filme como se fosse o último Homem-Aranha”, disse Destin Daniel Cretton. Junte isso ao detalhe de que Tom Holland ficou de fora do elenco anunciado de Vingadores: Doomsday e você entende por que a internet decidiu enterrar o Peter Parker antes mesmo da bilheteria abrir. A teoria da morte do herói virou o assunto do momento, e o estúdio já deixou dois substitutos plantados esperando a deixa.
O longa chega antecipado no Brasil em 29 de julho, dois dias antes da estreia americana. São 150 minutos, o filme mais longo da franquia do Aranha até hoje, dirigido pelo mesmo Cretton de Shang-Chi. No elenco, Tom Holland e Zendaya voltam acompanhados de Sadie Sink, Jon Bernthal como o Justiceiro e Mark Ruffalo trazendo o Hulk pra dividir tela com o cabeça de teia. É o tipo de escalação que ninguém monta pra um filme pequeno.
E a Marvel precisa que esse funcione. A fase mais recente do estúdio teve altos e baixos na bilheteria, com boa parte do público reclamando de excesso de lançamento e continuação que não empolga. Um Homem-Aranha do Tom Holland é a carta mais segura na manga, e transformar a estreia num evento de vida ou morte do herói é a maneira mais certeira de lotar sala. Anúncio de morte vende ingresso, e a Marvel sabe disso desde que enterrou o Homem de Ferro em Ultimato.
Por que o trailer inteiro parece um enterro do Peter Parker
A pista mais forte veio da própria história que o filme escolheu adaptar. “Um Novo Dia” bebe pesado de A Outra (The Other, no original), arco dos quadrinhos de 2005 em que Peter adoece por causa de uma mutação ligada à picada da aranha, morre, e renasce dentro de um casulo de teia com poderes novos. Quem viu o trailer reconhece a cena: Peter apagando, acordando enrolado em teia, os olhos ficando completamente pretos.
Tem mais. O trailer mostra o corpo do Peter mudando, com imagens que lembram um simbionte, aquela criatura alienígena preta que gruda no hospedeiro e deu origem ao Venom. A narração fecha falando em aranhas que alcançam “uma espécie de renascimento”. Fãs também apontam para uma possível recriação de A Última Caçada de Kraven, história clássica em que o Homem-Aranha é enterrado vivo e sai rastejando da própria cova. No MCU, quem faria esse papel sombrio é o Justiceiro do Jon Bernthal.
O alarme mais alto continua sendo a ausência do Holland em Vingadores: Doomsday. Quando o maior personagem do estúdio some da escalação do maior filme da fase, dá pra desconfiar. Nada disso confirma morte definitiva, claro. A Marvel não deixa alguém que vende bilhão de dólares no túmulo por muito tempo. A graça da teoria está no que vem depois: se o Peter cai, mesmo que temporariamente, quem levanta a máscara?
Miles Morales, o substituto que a Sony não deixa entrar
Todo mundo que acompanha os quadrinhos ou viu Aranhaverso tem a mesma primeira resposta: Miles Morales. E a Marvel plantou essa semente lá atrás. Em Homem-Aranha: De Volta ao Lar, de 2017, o personagem de Donald Glover menciona um sobrinho de forma nada acidental. O sobrinho é o Miles.
O problema é contratual. Kevin Feige, chefe da Marvel Studios, já afirmou que a Sony pediu para o estúdio não usar o Miles nos filmes, provavelmente guardando o personagem para o universo animado que faz sucesso monstruoso nos cinemas. Os direitos do Homem-Aranha vivem nesse cabo de guerra entre Sony e Marvel desde sempre. Ainda assim, Tom Holland já disse ter “aspirações” de trazer o Miles pro MCU, e ele anda com poder criativo incomum nessa fase da franquia. Quando o astro do filme quer uma coisa, a coisa costuma acontecer.
Cindy Moon já está no MCU escondida desde 2017
Se o Miles está travado pela Sony, sobra uma candidata que quase ninguém lembra: Cindy Moon, a Silk. Ela aparece rapidinho no time de decatlo em De Volta ao Lar e de novo no ônibus escolar em Vingadores: Ultimato. Piscou, perdeu.
Nos quadrinhos, a Cindy é picada pela mesma aranha que picou o Peter, no mesmo dia. Ela nasce Aranha pela mesma origem, sem precisar de nenhuma explicação nova. E como a Oscorp, a empresa que costuma bancar essas picadas radioativas nas histórias, ainda não existe no MCU, os roteiristas têm liberdade total pra adaptar de onde veio o poder dela. É a substituta mais fácil de encaixar sem quebrar nada do que já foi estabelecido. Por isso o Screen Rant aposta nela como a opção mais provável dos dois.
Em quem eu apostaria minhas fichas
Vou ser honesta: emocionalmente, eu quero o Miles. Todo mundo quer. Depois de dois filmes de animação premiados, ver o Miles em carne e osso dividindo o MCU seria o sonho de consumo do fã. Racionalmente, porém, a jogada mais esperta é a Silk, justamente porque ela não carrega o peso político dos direitos travados e já está no universo há oito anos, à vista de todos.
O que me deixa tranquila é que a máscara não vai pra gaveta de jeito nenhum. O Homem-Aranha é caro demais, popular demais e lucrativo demais pra Marvel deixar de lado. Já vimos o estúdio brincar com versões alternativas antes, do Homem-Aranha Noir do Nicolas Cage no streaming aos três Aranhas juntos de Sem Volta pra Casa. Matar o Peter só faz sentido comercial se for pra abrir a porta pro próximo.
E se a morte for real, ainda que temporária, ela precisa doer. O Peter Parker do Tom Holland cresceu na frente da gente, do garoto atrapalhado de 2016 ao adulto solitário que apagou a própria existência no fim de Sem Volta pra Casa. Perder ele por uma cena de impacto barato seria desperdício. Perder ele pra construir a próxima geração de Aranhas, com um enterro digno de A Última Caçada de Kraven, é o tipo de aposta que lota cinema. Dia 29 de julho a gente descobre se a Marvel teve coragem.
Beatriz Almeida
Cinema é entretenimento, e eu tô aqui pra diversão
Redatora de entretenimento e cultura pop. Cobre blockbusters e tendências do audiovisual.
LEIA TAMBEM
Uma atriz de IA vai estrelar um filme de verdade. Falta a ela tudo que o cinema aprendeu a filmar em 130 anos
A Odisseia realiza o sonho que Nolan começou a perseguir em Batman: O Cavaleiro das Trevas