A Embark marcou Frozen Trail para 8 de outubro. Arc Raiders chega lá com 26 mil jogadores por dia e análises recentes em 50%
Mapa congelado, ARC Operation de alta dificuldade e o Outpost no lugar do Raider Den. A dúvida é quanta gente ainda vai estar jogando.
A Embark Studios carimbou a data. Frozen Trail, a próxima grande atualização de Arc Raiders, sai em 8 de outubro, e é a maior expansão que o jogo recebeu desde a estreia. Ela chega cinco meses depois da última entrega de peso, num jogo que perdeu quase toda a plateia que tinha em novembro.
Os números primeiro, porque eles explicam o resto.
26 mil jogadores por dia contra os 482 mil de novembro
Arc Raiders bateu 481.966 jogadores simultâneos no Steam em 16 de novembro de 2025, menos de três semanas depois de estrear. Em agosto de 2026, a média diária está em torno de 26 mil, com o pico do mês sem passar de 29 mil.
Queda de audiência em jogo de serviço é o padrão do gênero, e ninguém que acompanha a cena se assusta com isso. O que muda o tom é o que aconteceu com as análises. As análises recentes do Steam estão em 50% de aprovação, faixa “Mistas”, a primeira vez que Arc Raiders entra nessa zona desde o lançamento. O histórico geral segue em 91%, “Muito positivas”, somando mais de 414 mil análises.
Quando o recente e o geral abrem 41 pontos de distância, a leitura é uma só: quem continua jogando está bravo.
E vale lembrar do tamanho do que está em jogo. A Nexon reportou 16,3 milhões de cópias vendidas até o segundo trimestre de 2026, o jogo mais vendido da história da empresa. Metade da base ativa já passou das 100 horas jogadas.
Cheater e cinco meses de dieta são o que aparece nas análises negativas
Duas reclamações se repetem no Steam.
A primeira é trapaça. O jogo roda com Easy Anti-Cheat, o sistema antitrapaça terceirizado que boa parte dos shooters grandes usa, e a comunidade acusa ele de estar deixando passar gente demais. Uma análise citada pelo Destructoid resume o clima: “Eu amei esse jogo por um tempo, mas ele está tão infestado de rato e cheater agora que só dá pra jogar em run solo metade do tempo”.
Rato, no vocabulário do jogo, é o cara que entra em lobby amistoso fingindo cooperação e atira nas costas do time na hora da extração. Virou tática de jogador experiente para fugir de adversário do mesmo nível, e o matchmaking não está segurando.
A segunda é a fila de espera. As atualizações mensais acabaram em maio. Quem entrou em junho, julho e agosto encontrou exatamente o mesmo jogo.
O mapa novo tem observatório, fábrica e coisa saindo debaixo do chão
Frozen Trail leva os Raiders para um assentamento congelado na borda do Rust Belt, encravado embaixo de montanhas. A Embark descreve o lugar como antiga casa de “vilarejos, fábricas, instalações de pesquisa e um observatório, abandonados há muito tempo”.
O ponto que o estúdio bateu mais forte foi verticalidade. O produtor executivo Aleksander Grøndal promete “mais verticalidade, exploração e oportunidades de descoberta”, com ameaça vindo de cima e de baixo do solo. Traduzindo para quem joga: os ângulos de tiro que você decorou nos mapas atuais valem menos aqui.
Vem junto uma ARC Operation de alta dificuldade, feita para veterano. ARC são as máquinas hostis que dominam a Terra no jogo, e as Operations são as investidas coordenadas contra elas. Essa foi montada em torno de “decisões relevantes, encontros dinâmicos e momentos que exigem cooperação e julgamento cuidadoso”, segundo o comunicado.
Os inimigos novos vão de “um pequeno e ágil criador de problemas até uma máquina enorme que vai te deixar sem chão”. Cada um leva meses de iteração, passando por conceito, animação e os sistemas de aprendizado de máquina que controlam o comportamento deles.
O Outpost aposenta o Raider Den
A mudança estrutural mora na progressão.
O Raider Den, a base que acompanha o jogador desde o lançamento, dá lugar ao Outpost. A Embark foi direta no anúncio: “Seu Raider Den serviu bem a você, mas é hora de expandir. Estamos construindo sistemas de progressão mais profundos, dando aos jogadores mais formas de moldar a própria jornada e mirar objetivos de longo prazo”.
No Outpost dá para decorar o espaço, pesquisar elementos do mundo e, nas palavras do estúdio, “dar os primeiros passos para retomar a superfície”. A árvore de habilidades, o painel onde você distribui pontos para definir se seu personagem corre mais, carrega mais ou aguenta mais tiro, foi remexida para dar “mais controle sobre o tipo de Raider que você quer ser”. Os Raider Decks também entram na revisão. Fecham o pacote armas novas com personalização, gadgets, cosméticos e instrumentos.
A aposta de duas atualizações por ano vive ou morre em 8 de outubro
Nada disso é acidente de percurso. Em maio a Embark anunciou que reduziria Arc Raiders a duas grandes atualizações por ano, com a justificativa de que o ritmo mensal “não é sustentável, nem compatível com as ambições maiores que temos para esse jogo”.
Frozen Trail é o teste dessa tese. O estúdio trocou frequência por tamanho, e a conta só fecha se a expansão de outubro entregar tanto conteúdo que compense o silêncio de cinco meses. Se ela chegar com bug, com o mesmo problema de trapaça e sem resolver a sensação de abandono que aparece nas análises, a Embark vai ter queimado metade de um ano para nada.
O estúdio sabe onde dói. O comunicado reserva uma linha para isso: “Junto com tudo isso, vamos seguir melhorando a experiência central de Arc Raiders com trabalho contínuo em matchmaking, anti-cheat, estabilidade e melhorias de qualidade de vida”. A Embark reconhece que esses itens não são manchete, e continua tratando eles como rodapé de um anúncio sobre mapa novo.
Minha leitura é que mapa novo não conserta anti-cheat. O jogador que largou por causa de cheater volta em outubro, encontra cheater no assentamento congelado e vai embora de novo, dessa vez sem contar até dez. O trabalho que decide o destino de Frozen Trail é o que não aparece no trailer: apertar o EAC e arrumar o matchmaking dos lobbies amistosos. Se isso estiver de pé, o mapa faz o serviço dele.
A Embark prometeu abrir o resto dos detalhes em setembro. É lá que dá para medir se o recado sobre trapaça vem com número e método ou se fica na frase de efeito.
Quanto custa entrar agora, no Brasil
Arc Raiders está a R$ 169,00 no Steam brasileiro. A Embark já mexeu no preço regional antes, cortando o valor cobrado no Brasil e devolvendo a diferença automaticamente para quem tinha comprado mais caro.
Para quem nunca jogou, esse é um momento estranhamente bom de entrar. O jogo está barato, Frozen Trail chega sem cobrança extra para quem já tem o jogo, e a base menor significa fila de matchmaking mais rápida contra gente da sua faixa. Para quem já tem e largou, a recomendação é segurar. Nada que a Embark falar até outubro vai mudar o estado atual do jogo, e baixar os 33 GB agora só serve para confirmar por que você desinstalou.
O relógio marca sete semanas. A Embark passou cinco meses construindo essa resposta, e vai descobrir em 8 de outubro se ainda tem gente na sala para ouvir.
Carla Mendes
Cobrindo esports desde 2018
Cobrindo cenário competitivo de esports desde 2018. Acompanha torneios e equipes profissionais.
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