O filme de ficção científica que já está sendo chamado de obra-prima não foi feito pela Marvel nem pela Warner. Foi pela Amazon.
Devoradores de Estrelas mira US$50 milhões na estreia e pode ser o maior sucesso de Ryan Gosling. As primeiras reações falam em Oscar.
Devoradores de Estrelas chega aos cinemas brasileiros em 19 de março e a bilheteria projetada para a estreia nos Estados Unidos já está na casa dos US$50 milhões. Se bater essa marca, será o primeiro filme de 2026 a abrir acima dessa linha - e a maior estreia da carreira de Ryan Gosling como protagonista. A anterior era Blade Runner 2049, com US$32,8 milhões em 2017. Quase dez anos depois, o cara voltou ao espaço e parece que dessa vez o público vai junto.
O que é
Devoradores de Estrelas (Project Hail Mary no original) é baseado no livro de Andy Weir - o mesmo autor de Perdido em Marte, que virou aquele filme do Matt Damon que arrecadou US$630 milhões no mundo inteiro. A premissa: um professor de ciências acorda sozinho numa nave, sem memória, e descobre que é a última esperança da humanidade contra uma substância misteriosa que está matando o Sol. Se o Sol morre, a Terra congela. Simples assim.
A direção é de Phil Lord e Christopher Miller, a dupla por trás de Homem-Aranha no Aranhaverso e Anjos da Lei (sim, aquele com Channing Tatum e Jonah Hill). O roteiro é de Drew Goddard, que escreveu Perdido em Marte e A Cabana na Floresta. O elenco traz Sandra Hüller - a mesma de Anatomia de Uma Queda - além de Lionel Boyce e Ken Leung. A fotografia é de Greig Fraser, que ganhou o Oscar por Duna. Esse é o tipo de elenco técnico que não se monta por acidente.
O que estão dizendo
As primeiras reações de críticos que viram o filme são absurdas. Não “boas”. Absurdas.
Drew Taylor, do The Wrap, chamou de “obra-prima” e disse que é “profundamente comovente”. Ethan Anderton descreveu como “um dos melhores filmes de ficção científica do século 21”. Scott Menzel disse que é “a obra mais ambiciosa e realizada” da carreira de Lord e Miller. Adriano Caporusso comparou a relação entre Gosling e o alienígena Rocky a uma “bromance tipo Curto-Circuito” - que é uma referência tão específica e tão perfeita que só quem viu sabe.

O filme tem 160 minutos - quase três horas - e os críticos disseram que passa voando. Quando um filme de quase três horas gera reações do tipo “passa num instante”, é porque algo muito certo está acontecendo.
Os números que importam
O orçamento estimado é de US$150 milhões, podendo chegar a US$175 milhões com pós-produção. É uma aposta gigante da Amazon MGM Studios - o maior investimento teatral que a empresa já fez. Pra comparar: o maior fim de semana de estreia da Amazon MGM até hoje foi Creed III, com US$58,4 milhões. Red One, aquele filme de Natal com Dwayne Johnson, abriu com US$32,1 milhões.
As projeções atuais colocam Devoradores de Estrelas entre US$40 e US$50 milhões no fim de semana de abertura, com analistas mais otimistas falando em US$60 a US$70 milhões. Se ficar na faixa alta, o filme pode bater US$218 a US$254 milhões só na América do Norte. E tem a Páscoa caindo na terceira semana de exibição, o que historicamente ajuda bilheterias de filmes familiares.
O livro de Andy Weir vendeu mais de 10 milhões de cópias no mundo desde 2021. Isso é uma base de fãs que vai ao cinema no primeiro final de semana. Perdido em Marte provou que livro de Weir vira blockbuster. Devoradores de Estrelas pode provar que vira franquia.
Por que isso importa agora
2026 tem sido um ano estranho pro cinema. O Oscar enterrou os blockbusters quando deu 16 indicações pra Pecadores e zero pra Wicked. A mensagem da Academia foi clara: espetáculo sem substância não basta mais. E aí chega Devoradores de Estrelas - um filme que promete ser espetáculo E substância. É ficção científica de estúdio grande, com efeitos visuais de quem fez Duna, mas construída em cima de personagem e emoção.
Já estão falando em Oscar. Isso mesmo: um blockbuster de março sendo cotado pra temporada de premiações. Não acontece todo dia. Quando acontece - tipo quando Perdido em Marte foi indicado a melhor filme em 2016 - é porque o filme transcendeu a categoria. Comparações com Interestelar e Contato já estão surgindo, e se metade delas forem justas, estamos diante do tipo de filme que define uma década.
O que esperar no Brasil
A estreia brasileira está marcada pra 19 de março, um dia antes dos Estados Unidos. A distribuição fica com a Sony Pictures Releasing International em parceria com a Amazon MGM. Devoradores de Estrelas é o tipo de filme que funciona melhor na tela grande - os sets práticos, a fotografia de Greig Fraser, o design sonoro do espaço. Ver em casa no celular vai ser outra experiência.
O livro foi publicado no Brasil pela Editora Arqueiro com o título Projeto Ave Maria e vendeu bem por aqui. O público brasileiro gosta de ficção científica quando ela é acessível - Interestelar virou fenômeno por aqui a ponto de ganhar múltiplos relançamentos nos cinemas. Hamnet provou que cinema de substância tem público e Devoradores de Estrelas pode ser a prova de que blockbuster inteligente também tem.
O que fica
Ryan Gosling é um ator que escolhe projetos com cuidado. Fez La La Land, fez Blade Runner 2049, fez Barbie. Cada um desses filmes definiu uma conversa cultural. Devoradores de Estrelas parece ser o próximo. Um professor de ciências amnésico, sozinho no espaço, fazendo amizade com um alienígena pra salvar a humanidade. Nas mãos de Lord e Miller, com fotografia de Oscar e um orçamento de US$150 milhões, é o tipo de combinação que ou vira clássico instantâneo ou vira a maior decepção do ano.
As primeiras reações dizem que é clássico. A bilheteria vai dizer o resto. 19 de março. Nos cinemas.
Beatriz Almeida
Cinema é entretenimento, e eu tô aqui pra diversão
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