Devoradores de Estrelas fez em 14 dias o que Interestelar precisou de meses
Devoradores de Estrelas fez US$ 217 milhões em 14 dias nos EUA, superando toda a bilheteria doméstica de Interestelar.
Devoradores de Estrelas cruzou a marca de US$ 420 milhões nas bilheterias mundiais. Sozinho, o número já seria motivo de champanhe na Amazon MGM Studios. Mas o detalhe que transformou a semana em marco histórico é outro: nos Estados Unidos, o filme acumulou US$ 217 milhões em apenas 14 dias, ultrapassando a bilheteria doméstica total de Interestelar, que precisou de toda a sua exibição nos cinemas pra chegar a US$ 203 milhões.
Quatorze dias contra meses de cartaz. Releia se precisar.
Uma estreia que reescreveu expectativas
Devoradores de Estrelas abriu com US$ 80,6 milhões nos EUA e outros US$ 60,4 milhões no mercado internacional, somando US$ 141 milhões no primeiro fim de semana. A maior abertura de 2026. A maior da história da Amazon MGM Studios. E a maior já registrada pra um filme PG-13 que não faz parte de nenhuma franquia.
Esse último detalhe importa. Hollywood adora repetir o mantra de que “filme original não vende mais”. Os executivos usam esse argumento há mais de uma década pra justificar a enxurrada de sequências, remakes e reboots que domina o calendário. Devoradores de Estrelas acabou de jogar esse argumento no lixo.
O filme é baseado no romance de Andy Weir, o mesmo autor de O Marciano, e dirigido por Phil Lord e Christopher Miller. Pra quem não reconhece os nomes: são os caras por trás de Homem-Aranha no Aranhaverso e Uma Aventura LEGO. Sair de animação irreverente pra drama de ficção científica era um risco enorme. Funcionou absurdamente bem.
A sombra de Interestelar
Comparar qualquer filme de ficção científica com Interestelar é pedir pra ser questionado, e com razão. Christopher Nolan construiu ao longo de décadas o tipo de prestígio que faz público encher sala pra ver equações no quadro e buracos negros na tela grande. Interestelar é um clássico. Ninguém sério vai discutir isso.
Mas números não ligam pra sentimento. Interestelar acumulou US$ 203 milhões em toda a sua exibição doméstica, impulsionado por indicações ao Oscar e sessões prolongadas em IMAX ao longo de meses. Devoradores de Estrelas fez US$ 217 milhões em duas semanas.
A diferença é de velocidade, não necessariamente de grandeza. É como comparar uma maratona com uma corrida de 100 metros rasos. Ambos são filmes de ficção científica originais que apostaram pesado em IMAX e formatos premium. Ambos fizeram o público chorar na sala escura. Mas Devoradores de Estrelas chegou numa era em que o boca a boca viaja na velocidade de um story do Instagram.
Mundialmente, Interestelar ainda lidera por margem confortável. Devoradores de Estrelas precisaria sustentar esse ritmo por muito mais tempo pra alcançar o legado global do filme de Nolan. Mas na América do Norte, a ultrapassagem já aconteceu.
O que isso muda pra Amazon
Com orçamento estimado de US$ 200 milhões, o filme precisa de aproximadamente US$ 500 milhões globais pra ser lucrativo pela matemática de Hollywood, que soma custos de marketing, distribuição e a fatia dos exibidores. Com US$ 420 milhões em menos de três semanas, esse número está praticamente no bolso.
Pra Amazon MGM Studios, é mais que uma vitória de planilha. O estúdio tentou por anos provar que sabia fazer cinema de bilheteria, não só conteúdo de streaming. Produções anteriores tiveram recepções mistas nas salas. Devoradores de Estrelas é o argumento definitivo de que a Amazon pode competir com Disney e Warner no circuito comercial. O tipo de sucesso que faz diretores e roteiristas atenderem o telefone quando o estúdio liga.
E no Brasil?
Na estreia brasileira, Devoradores de Estrelas atraiu 257 mil espectadores e faturou mais de R$ 6,7 milhões, a maior bilheteria de um fim de semana no país em 2026 até aquele momento. Sessões em IMAX esgotaram em várias capitais, e o boca a boca nas redes manteve o filme em alta semana após semana.
Quando cobrimos a pré-estreia, as projeções apontavam pra US$ 50 milhões de abertura nos EUA. Abriu com US$ 80 milhões. E quando acompanhamos o segundo fim de semana, os números já eram históricos. Agora, com Interestelar oficialmente no retrovisor, dá pra cravar sem drama: Devoradores de Estrelas é o fenômeno de ficção científica da década.
Por que conectou tanto
Pra quem ainda não sabe do que se trata: Devoradores de Estrelas acompanha Ryland Grace, um professor de ciências que acorda sozinho numa nave espacial sem lembrar de nada, e descobre que é a última esperança da humanidade contra uma ameaça que está matando o Sol. A premissa parece simples, mas o filme ganha camadas quando Grace encontra um aliado inesperado. A relação entre os dois é o coração emocional da história e o motivo pelo qual tanta gente sai da sessão com os olhos vermelhos.
Ryan Gosling carrega o filme quase sozinho em longos trechos da trama e entrega uma das atuações mais elogiadas da carreira. A crítica concorda: 95% de aprovação no Rotten Tomatoes entre profissionais e 96% entre o público. O consenso descreve o filme como “uma odisseia espacial visualmente deslumbrante, impulsionada pela força gravitacional de Ryan Gosling no auge da forma”.
O roteiro acerta o equilíbrio entre ciência e emoção que já tinha funcionado em O Marciano, e a direção de Lord e Miller prova que a dupla navega drama com a mesma precisão que navega comédia animada. O resultado é um filme que funciona pra quem quer chorar, pra quem quer pensar e pra quem só quer ver coisas bonitas no espaço. Não é pouco.
Devoradores de Estrelas chega a esse marco na mesma semana em que o filme do Super Mario Galaxy estreia com US$ 372 milhões globais. O ranking de bilheteria de 2026 virou campo de batalha, e o filme que ninguém achava que ia abrir com mais de US$ 50 milhões está sentado confortavelmente entre os gigantes.
Se você ainda não foi ao cinema, vá. De preferência em IMAX. De preferência preparado pra não conseguir falar de outra coisa por dias.
Beatriz Almeida
Cinema é entretenimento, e eu tô aqui pra diversão
Redatora de entretenimento e cultura pop. Cobre blockbusters e tendências do audiovisual.
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