A OpenAI ligou os anúncios do ChatGPT no Brasil, e tem um plano pago na lista

Os anúncios chegaram ao ChatGPT no Brasil nesta terça. Aparecem no plano gratuito e no Go, de R$ 39,99. Fugir da propaganda custa R$ 99,90 por mês.

Lucas Ferreira
Lucas Ferreira Gamer desde o PS1, cético desde sempre
4 de agosto de 2026 5 min
Tela do ChatGPT com um anúncio patrocinado da loja Heirloom Groceries logo abaixo da resposta do modelo, exibindo card de produto, preço e prazo de entrega
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A OpenAI começou a exibir anúncios no ChatGPT para quem usa o serviço no Brasil nesta terça-feira, 4 de agosto. O país é o oitavo a entrar na lista, atrás de Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Japão e Coreia do Sul. Nada disso é surpresa, a empresa vinha avisando desde maio que o Brasil estava na fila. O que passou batido no comunicado é que um dos dois planos que passam a exibir propaganda é pago, e custa R$ 39,99 por mês.

Free e Go veem, Plus e Pro não

A regra é curta. Quem usa o plano gratuito vê anúncio. Quem assina o Go, de R$ 39,99, também vê. Plus, Pro, Business, Enterprise e Edu seguem limpos.

A propaganda aparece abaixo da resposta do modelo, separada por uma linha cinza, com o nome do anunciante e etiqueta de patrocinado. Ela só entra em perguntas com intenção comercial, ou seja, quando você pergunta qual notebook comprar e não quando pede ajuda pra escrever um e-mail. Dave Dugan, chefe de soluções globais de anúncios da OpenAI, diz que “20% dessas pesquisas têm intenção comercial direta”. Menores de 18 anos não veem nada, e conversas sensíveis ou reguladas ficam de fora.

Dugan resumiu o desenho assim: “O usuário faz uma pergunta e recebe a resposta orgânica, inalterada pela publicidade”. Sobre dados, a empresa diz que nunca vai compartilhar detalhes das conversas com terceiros e que o anunciante recebe só o agregado, quantas pessoas viram e quantas clicaram. Essa é a promessa. Quanto ela aguenta quando a meta de receita apertar é outra história.

A fase piloto por aqui tem WPP, Publicis Groupe, Omnicom, Monks e BETC Havas. Uma plataforma self-service, onde o anunciante monta a campanha sozinho sem passar por agência, está prometida pra depois.

O Go nasceu em outubro como o plano feito pro bolso brasileiro

A parte que me incomoda é o histórico do Go. O plano saiu em outubro de 2025 em parceria com o Nubank, a primeira da OpenAI com um banco no Brasil, e foi vendido exatamente como o degrau acessível: preço fixo em reais, sem susto de câmbio nem IOF, com limites maiores de mensagem, geração de imagem, upload de arquivo e memória rodando no GPT-5. Hoje todo cliente Nubank tem um mês de brinde, Nubank+ tem três e Ultravioleta tem doze.

Dez meses depois, esse é o plano pago que exibe propaganda.

Já vimos esse filme. Em maio a Meta lançou assinatura paga para Instagram, Facebook e WhatsApp e manteve os anúncios lá dentro do mesmo jeito. A lógica se repete dos dois lados: o degrau barato existe pra capturar quem nunca colocaria cartão, e uma vez capturado, o sujeito vira inventário de anúncio com uma receita de assinatura por cima.

A conta de US$ 2,5 bilhões que a OpenAI quer fechar este ano

Os números explicam a pressa. A OpenAI opera hoje com receita anualizada de cerca de US$ 25 bilhões, que é a projeção de doze meses calculada a partir do faturamento do mês atual. O prejuízo projetado para 2026 fica entre US$ 14 bilhões e US$ 30 bilhões, dependendo do critério contábil. A meta com publicidade é US$ 2,5 bilhões ainda este ano, com ambição de chegar a US$ 100 bilhões até 2030.

O piloto americano deu resultado. Foram US$ 100 milhões anualizados em seis semanas, com mais de 600 anunciantes. Some a isso o fato de que o ChatGPT passa de 900 milhões de usuários semanais e menos de 3% deles pagam alguma coisa. É uma base gigante de gente que nunca virou assinante, e a propaganda é o jeito de tirar dinheiro dela sem precisar convencer ninguém a assinar. Eu já tinha escrito por aqui que a empresa precisa arrumar a casa antes de abrir capital, e ligar o caixa de anúncios em três dos maiores mercados do mundo é o tipo de linha que investidor gosta de ver no prospecto.

O Brasil entra nessa conta por peso próprio. O país está entre os três maiores mercados do ChatGPT em usuários ativos semanais, ao lado de Estados Unidos e Índia. Dugan disse que “o Brasil terá um papel importante na construção do futuro dos anúncios do ChatGPT”, e dessa vez a frase de executivo bate com a planilha.

Repare no calendário. O piloto abriu nos Estados Unidos em fevereiro. Em maio já rodava também no Canadá, na Austrália e na Nova Zelândia, e foi nesse mês que a OpenAI anunciou a fila seguinte: Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Brasil e México. Seis meses depois do primeiro teste, são oito mercados com anúncio no ar. Empresa que está testando com cautela demora mais que isso pra decidir se a coisa funciona. Essa velocidade é de quem já decidiu e está correndo atrás de inventário.

Sair da propaganda custa duas vezes e meia mais

Os preços em reais, desde que a OpenAI passou a cobrar em moeda local em outubro de 2025:

  • Free: R$ 0, com anúncio
  • Go: R$ 39,99, com anúncio
  • Plus: R$ 99,90, sem anúncio
  • Pro: R$ 999,90, sem anúncio

O salto para fugir da publicidade é de R$ 39,99 para R$ 99,90. Dois e meio para um, R$ 719 a mais por ano. Nenhum degrau no meio.

Se você assina o Go pelos limites e não se importa em ver um patrocinado embaixo da resposta quando pergunta sobre produto, sua rotina segue igual. Se assinou achando que pagar comprava silêncio, o silêncio subiu de preço. E quem pegou o ano grátis pelo Ultravioleta vai ver anúncio sem ter posto um real, o que pelo menos sai barato.

Em fevereiro, quando a OpenAI começou os testes de publicidade nos Estados Unidos, o comunicado da empresa deixava os planos pagos de fora. Seis meses depois, um plano pago está dentro. O Plus continua limpo enquanto for o degrau que sustenta a margem. Vale ficar de olho em quais assinaturas ganham a linha cinza quando os US$ 2,5 bilhões não fecharem sozinhos.

Lucas Ferreira
AUTOR

Lucas Ferreira

Gamer desde o PS1, cético desde sempre

Jornalista de tecnologia e games. Cobre a indústria tech e gaming há mais de 10 anos.

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